Esta oferenda é muito boa para ser entregue em frente ao assentamento ou na natureza.
Elementos necessários:
✓ Um alguidar grande
✓ Sete bananas
✓ Frutas cristalizados
✓Um bife bovino
✓ Um bife de fígado
✓ Vinho tanto suave
✓ Pipocas
✓ Sete batatas
✓ Milho vermelho
✓ Sete velas brancas
✓ Folhas de arruda
✓ Um charuto
✓ Batata inglesa modelada cachimbo, moelas cruas
✓ Farinha de mandioca branca.
MODO DE PREPARO – Em um alguidar misture vinho tinto com farinha de mandioca, deixando bem soltinho a farinha e bem úmida. Coloque sete bananas em volta das bordas, um bife de gado e fígado ao meio, coloquem as frutas cristalizadas em volta junto com as bananas, prepare um pouquinho de pipoca e coloque enfeitando uns punhadinhos em cada parte, torre o milho (não queimado) e coloque junto também em um cantinho do alguidar, acrescente folhas de arrudas enfeitando. Coloque batata inglesa preparada, moelas cruas levemente no dendê. Após estar preparada acenda o charuto e as velas e ofereça ao Exu Pantera Negra.
Locais de entrega: Grutas de florestas, morros altos, bocas de mata ou em brejos.
Exu Pantera Negra e seus valores culturais
O Exu Pantera Negra é um grande chefe que comanda a linha dos Caboclos Quimbandeiros, mas as suas raízes estão ligadas fortemente a cultura indígena e a fatores culturais que foram agregados pela mistura de troca de conhecimentos e elementos por diversos povos. Há no processo histórico povos indígenas que acreditavam que quando um de seus guerreiros morressem, reencarnaria em um animal que tivesse maior ligação e continuaria protegendo as aldeias e a conexão com a natureza iria se manter, por isto que em muitos ensinamentos xamânicos é dito que ‘há um animal em nossa jornada que é um reflexo do nosso ser’. Acreditamos que o Exu Pantera Negra teria sido um guerreiro que ao morrer, sua energia se interligou ao animal Pantera Negra. Os Exús são espíritos mensageiros que se podem apresentar de diferentes formas, sendo ela na forma humana ou animal, e muitos dos que são ligados ao Reino das Matas costumam poder ver aparições ou sonhar com a sua entidade numa forma animal.
Sem sombras de dúvidas, temos Exús e Pombas Giras que possui seus animais de ligação, onde são formas encantadas de manifestações, um exemplo emblemático é o Exu Morcego, pode se apresentar através de sinais, com um morcego e há magias feitas com morcegos voltado a esta entidade. Exú Pantera Negra não é tão diferente, é um guerreiro indígena que pode aparecer para seus cultuadores numa forma de Pantera Negra ou em suas possessões espirituais em seus médiuns, apresentar comportamentos que nos interliga à Pantera.
Existe muitos autores que citam o Exu Pantera Negra, devido ser muito conhecido nos livros de Quimbanda pelo mundo, mas não é tão comum na prática presenciarmos filhos desta entidade, o autor Danilo Coppini em suas pesquisas, trouxe alguns elementos histórico em seu livro (página 374/376) que nos ajuda a aprofundar sobre as origens do Exu Pantera Negra, vejamos:
Historicamente, a “Pantera” foi objeto de veneração por diversos povos antigos. Conhecido também como Jaguar, esse felino de grande porte foi símbolo de força e guerra para algumas culturas pré-colombianas. Os povos Olmecas (1500 e 400 a.C.), civilização-mãe de todas as civilizações mesoamericanas cultuava o “Deus Jaguar” como Senhor da Guerra, Dono da Terra e das Florestas; tido como uma das principais deidades desse panteão. Existem relatos de que alguns adeptos multila-vam suas faces para de alguma forma se conectar ao Sagrado Deus. Na América do Sul, destacamos a cultura Andina como a “nascente” do culto à Pantera Negra. Ao contrário do que a grande maioria pensa, antes da formação tirânica do Império Inca, os povos da Floresta Amazônica e os povos andinos tiveram intensa troca mercantil e cultural. Esse intercâmbio ocorreu durante milênios e apenas com o estabelecimento do Império Inca (Estado) foi que houve uma diminuição significativa, haja vista que os povos amazônicos resistiram à conquista e expansão Inca.
Nesse mesmo período, índios Chiriguanos (Guaranis) provenientes do Paraguai e Bolívia também fizeram suas incursões dentro dos mesmos territórios fronteiriços. Novamente ocorreram trocas culturais. Posteriormente, seja através de guerras tribais ou de contato ameno, existiram trocas entre os Guaranis e os Tupis e até mesmo dos Tupis com os próprios Incas. O mito de “Titi” (dialeto Aymara), o Puma/Jaguar sagrado, o animal totêmico do poderoso deus Tezcatlipoca, cuja força e poder mataram os antigos gigantes, foi assimilado pelos povos nativos da bacia amazônica e posteriormente pelas demais tribos que tiveram contato com a religiosidade Inca. O poderoso felino, símbolo de poder e guerra, tornou-se um expoente do próprio fogo e muitos mitos e lendas foram criados a partir de então. O guerreiro que carregava a pele ou dentes de Pantera era considerado poderoso e inatingível.
Na região da Bacia Amazônica até os dias atuais, existem tribos “Matsés” conhecidas como “povo onça”, que pintam suas peles ou mesmo as tatuam como a pele do felino. No Continente Africano, segundo a mitologia Bantu, a Pantera (Leopardo) aparece como um dos nove primeiros animais vomitados por “Bumba” no processo formador do mundo. Outras lendas descrevem o felino com o nome de “Osebo”, o leopardo de dentes terríveis. Porém, a mais interessante delas no contexto do processo formador da legião de Exu é a lenda de “Agassou” (o bastardo). Reza a lenda que há muito tempo atrás, uma jovem princesa africana “Alìgbonon” apaixonou-se por uma grande Pantera. Os dois copularam e tiveram um filho chamado “Agassou”. Esse personagem, em noites de “lua cheia” transforma-se em leopardo. Toda linhagem de “Agassou” (denominada kpòvĭ – filhos do leopardo) carregava o mesmo poder e foram trazidos para as Terras Americanas através do processo escravista. Um desses homens-leopardos fugiu de seu cativeiro e foi se esconder numa remota tribo indígena, dando origem a uma nova linhagem de homens-leopardos. Agassou é cultuado até os dias atuais, como grande Loa e, em algumas regiões da África, como um poderoso Rei de uma linhagem sagrada. A influência europeia sob as culturas africanas, fez com que alguns acreditassem que Agassou fosse a personificação do próprio arcanjo Cassiel “O Espelho de Deus”, que veio a Terra na forma de um leopardo. O mito de mulheres que copulavam com Panteras também ocorreu na América pré-colombiana dando origem à lenda dos “homens-jaguares”. Esses cruzamentos são muito similares a lenda dos Nephilins, outra antiga história que retrata seres “semidivinos”.
No território brasileiro, os índios e os negros acabaram fundindo muitos aspectos culturais que, posteriormente foram sincretizados com a cultura europeia. A “Pantera Negra” tornou-se o expoente da força, guerra, proteção e divindade. Por ser negra, os antigos acreditavam que era a poderosa sombra dos antigos Reis que outrora governavam a Terra. Os mitos dos povos pré-colombianos, amazônicos, africanos e europeus formaram a energia necessária para que o nome, bem como, as qualidades desse felino fossem perfeitas para retratar uma das mais poderosas linhagens de Exu: Os “Exus Pantera Negra”.
PONTO PARA GUERREAR
Ninguém pode com o bicho
Ninguém pode com a fera
Eu quero ver quem é que pode
Com a falange do Pantera
Ninguém pode com o bicho
Ninguém pode com a fera
Eu quero ver quem é que pode
Com a falange do Pantera
PONTO DE CHAMADA
Ele vem vindo por trás da bananeira (X2)
Saravá seu Belzebu, Exu Pantera Negra (X2)
• REFERÊNCIA:
COPPINI, Danilo, Quimbanda – O Culto da Chama Vermelha e Preta. 4.ed. São Paulo: Via Sestra, 2023.
Exu Pantera Negra
Quando qualquer kimbandeiro pensa na Linha dos Caboclos Kimbandeiros, é quase impossível não pensar no Senhor Pantera Negra, pois ele é o chefe desta linha. Ouvir o nome “Pantera Negra”, faz com que o cérebro humano possa associar com um felino de grande porte e pele escura, cuja presença causa enorme impacto e temor por muitos. O Exu Pantera Negra é um espírito com alto envolvimento com a cultura indígena, um guerreiro da tribo, caçador e feiticeiro. Há muitos pensamentos a respeito do motivo do nome de batismo ser “Pantera Negra”, mas ao analisar tribos indígenas, encontramos povos que dão nomes de animais aos bravos guerreiros da tribo, principalmente num aspecto mais xamânico, onde o animal do poder em que a pessoa tem ligação pode passar a ter o nome daquele mesmo animal. O nome Pantera Negra nos traz o sentido do que possui enorme coragem, agilidade e também costuma ser terrível.
Este Exú tem enormes forças para vencer demandas, pode realizar trabalhos de ataques, tendo estilo de comportamento ligado a Pantera. Esta entidade tem o poder de curar doenças consideradas incuráveis, além de possuir um poder de enriquecer quem a ele recorrer. O fato dele participar da Linha dos Caboclos Kimbandeiros não é atoa, pois é uma das linhas de espíritos que se apresentam como índios, possuindo especialidades nos trabalhos de cura, desobstrução, favorecimento de riquezas materiais e tesouros, são exímios guerreiros.
Pantera Negra não é o nome de uma espécie de animais. É um termo abrangente que se refere a qualquer felino grande e com pelo preto. Esta condição de cor é causada pelo gene agouti, que regula a distribuição do pigmento preto dentro da haste do pelo, de acordo com a Universidade da Califórnia em Davis. É mais conhecido nos leopardos, que vivem na Ásia e na África, e nas onças-pintadas, habitantes da América do Sul.
De acordo com o Big Cat Rescue, a coloração é ocasionada por uma melanina excedente, um animal que acaba adquirindo esta condição é conhecido como “melânico”. Na Kimbanda à legião “Pantera Negra” são idênticos ao animal, agem de forma veloz, agressivos, preferem ficar isolados, costumam se movimentar silenciosamente. O animal Pantera Negra possui uma das mordidas fortes e letais no reino animal e ostenta unhas afiadas como sua forma de arma natural.
A linha dos Caboclos Kimbandeiros é comandada pelo seu chefe Exu Pantera Negra e são componentes desta falange espiritual:
1. Exu 7 Cachoeiras
2. Exu Tronqueira
3. Exu 7 Poeiras
4. Exu das Matas
5. Exu 7 Pedras
6. Exu do Cheiro
7. Exu Pedra Negra
》Pomba Gira – Da Figueira.
Cada uma destas entidades citadas, possui diversos espíritos subordinados a eles. São os principais seres que administram e estão mais próximo do trono do Reino das Matas.
PONTO CANTADO DE CHAMADA
Vermelho é a cor do sangue do meu pai
E verde é a cor das matas
Vermelho é a cor do sangue do meu pai
E verde é a cor das matas
O Saravá o Exu Pantera Negra
O Saravá as matas que ele mora
PONTO CANTADO PARA PROTEÇÃO
Eu vou fazer magia negra e um pacto com cão
Eu vou fazer magia negra e um pacto com cão
Eu vou chamar Pantera Negra que é pra minha proteção
Eu vou chamar Pantera Negra que é pra minha proteção
OFERENDA
Elementos necessários:
✓ Um alguidar grande
✓ Milho vermelho
✓ Um pimentão verde
✓ Uma cebola
✓ Azeite de dendê
✓ Sete charutos
✓ Uma vela branca
✓Cachaça
MODO DE PREPARO – lave o alguidar com um pouco de cachaça e espere secar. Corte bem picadinho a cebola e o pimentão, misture com o milho vermelho em uma panela, torre no azeite de dendê (não deixe ficar preto) e depois ponha no alguidar. Caso não tenha assentamento leve para uma boca de mata ou subida de uma serra que tenha trilhas, ponha o alguidar no chão (ou use folha de bananeira), acenda sete charutos em volta fazendo seus pedidos e arrumando eles na borda do alguidar. Despeje cachaça em volta do alguidar e acenda uma vela branca ao lado, fazendo seus pedidos ao Exu Pantera Negra.
Ponto riscado
Pomba Gira Maria Quitéria
Maria Quitéria é uma das Pombas Giras ligada as guerras e a sexualidade. Historicamente esta entidade é associada Quitéria que foi presente no processo de independência do Brasil. Assim como a mártir francesa Joana D’Arc, essa mulher se vestiu como homem para entrar em batalha. A história também relata que Quitéria não era como as mulheres comumente daquela época, pois ela gostava de caçar, manejar armas, entre outras atividades que eram mais comuns a serem feitas por homens, não pôde ter acessoa uma educação formal e sua maior professora foi a vida. Ganhou uma condecoração do próprio Imperador, pois era uma guerrilheira, muito rebelde e passou por cima da vontade do próprio pai para ir as trincheiras de guerra.
Um dos pontos mais antigos e cantados para Pomba Gira Maria Quitéria, cita que ela usa um nome apenas em tempos de guerra, fazendo alusão a história desta entidade e a sua paixão pelos combates.
Ela tem um nome tão lindo
Que ela só usa em tempos de guerras Se quiserem saber o seu nome
Ela é a Maria Quitéria
Ela tem um nome tão lindo
Que ela só usa em tempos de guerras Se quiserem saber o seu nome
Ela é a Maria Quitéria
Marias tem tantas por aí
Toma cuidado para não se confundir Marias tem tantas por aí
Toma cuidado para não se confundir
Ela é Maria
Ela é a Maria Quitéria Ela é Maria
Ela é a Maria Quitéria
》QUITÉRIA NO PLANO ESPIRITUAL
A falange da Maria Quitéria, são de espíritos ligados ao Reino das Almas e ao Reino do Cemitério, pois esta entidade tem uma forte ligação com estes dois reinos, trabalhando na vibração do grande mestre Senhor Omolú. A legião destes espíritos femininos são de pessoas que em suas vidas guerreavam em busca de seus sonhos, seus desejos e planos de conquistas. Quitéria mostrou que a capacidade feminina possui uma alta força, inclusive em confrontos armados. Esta é uma falange de espíritos fortes, que podem ser invocadas para ajudar nas lutas, militarismo e situações que envolva perigos.
Como o próprio Mestre de Kimbanda Alberto Junior afirma “geralmente estas Pombas Giras que tem Maria no nome, costumam ser muito antigas e de alta hierarquia”. E devido a ligação da Maria Quitéria com Reino das Almas, sua falange rege a trajetória das Almas que falecem ou faleceram durante batalhas. Há alguns autores de livros de Kimbanda que afirmam que a Maria Quitéria teria ligação com o Reino da Lira, mas não defendemos esta linha de pensamento, pois Maria Quitéria não é como a Dama da Noite, Maria Navalha, entre outras.
Maria Quitéria tem uma grande ligação com as entidades: Maria Padilha das Almas e Sete Saias. Assim como a Quitéria, Sete Saias é um espírito que é tanto ligado a sensualidade, como também a diversas formas de combate. Maria Padilha é uma grande mestra feiticeira e, aprendemos que se uma entidade tem uma ligação muito forte com certos tipos de espíritos, a tendência é que tenham uma aproximação devido a certas similaridades e energias ou trocam conhecimentos entre si.
Na imagem de gesso da Pomba Gira Maria Quitéria, é muito comum encontrarmos uma das mais antigas e conhecida, onde esta entidade sempre se encontra com um punhal na mão e um crânio aos pés, o que nos faz refletir sobre ser uma entidade pronta para atacar os inimigos e além de possuir grandes conhecimentos ocultos guardados, principalmente ligados a morte. Com todas as informações apresentadas, chegamos a conclusão que na Kimbanda seus poderes são invocados quando seus devotos precisam de forças para a guerra ou para tomar duras decisões, principalmente nas que envolva liberdade e conquistas. Maria Quitéria pode responder nos outros caminhos como: Encruzilhadas, Figueira, Campinas, Cruzeiro, mesmo não sendo caminhos e reinos de maior ligação e correspondência.
PONTO CANTADO
Ki ki ki ki ki
Ki ki ki Kitéria Ela trabalha nas almas, ela trabalha no inferno, na força da calunga, nos sete cruzeiros
Ki ki ki ki ki Ki ki ki Kitéria Ela trabalha nas almas, ela trabalha no inferno, na força da calunga, nos sete cruzeiros…
OFERENDA
Elementos Necessários:
✓ Um alguidar grande
✓ Arroz branco
✓ Couve
✓ Linguiça fina (não é linguiça de churrasco, é linguiça para por no arroz)
✓ Sete moedas douradas
✓ Sete rosas (sem cabo ou espinho)
✓ Sete velas vermelhas e pretas
✓ Sete cigarros
✓ Uma cereja (ou morango)
✓ Uma taça de vidro (nova)
✓ Um champanhe
✓ Mel
✓ Pó de ouro.
MODO DE PREPARO – lave o alguidar com um pouco de champanhe e espere-o secar. Faça um arroz branco cozido, com couve e linguiça e ponha ele morno no alguidar. Coloque uma rosa no meio deste prato e em volta da rosa coloque sete moedas brilhosas, em volta coloque as seis rosas que sobrou.
Despeje levemente por cima o pó de ouro nas rosas, acenda os cigarros fazendo seus pedidos e cada um coloque em cima de cada rosa ou na borda do alguidar, acenda as sete velas colocando elas acessas fora da comida, abra a garrafa de champanhe despejando um pouco de seu conteúdo em volta da oferenda. Em uma taça coloque champanhe e coloque um pouco de mel fazendo um fundo na taça, porém não coloque muito. Enfeite uma cereja (ou morango) dentro da taça e sirva a Quitéria.
Para aqueles que não tem assentamento, esta oferenda pode ser entregue no cemitério ou em cruzeiro das almas…
Ponto riscado usado para trabalhos com Quitéria e para quem canaliza este espírito. Esse ponto também serve para invocar os poderes de guerra desta Pomba Gira.
O significado de “Catiço”
Normalmente é comum ouvir dentro do Candomblé a palavra “catiço”, sendo usada para se referir aos Exús e Pombas Giras, diferenciando do Òrìṣà Èṣù ou Elégbará. Erroneamente muitas pessoas associam que os compadres e comadres são escravos dos Òrìṣà, o que não é! Pois pertencem a culturas e tradições diferentes, e há pensamentos de que “catiço” se refere a escravo, pois existe uma certa teoria que teria ligação com a palavra “cativeiro”, o que é uma idéia aceita por alguns dentro do caminho religioso de matrizes afro-brasileira. Certo ou não, se tratando deste assunto não há uma origem histórica ou cultural, apenas teorias.
Analisando o termo “Catiço” dentro do português brasileiro, pode ser compreendido como um sinônimo de esperteza e agilidade. Pois é muito comum de uma forma popular usarem esta palavra para se referir a uma criança hiperativa “Nossa! Seu filho é o catiço!”, quanto uma pessoa de má índole “Aquele homem é o catiço atirando”, o que também pode ser usado para ser referir a uma pessoa endiabrada, encapetada ou travessa. E no Candomblé é muito comum a narrativa de que Exú e Pomba Gira são espíritos muito espertos e por isso devem ter muito cuidado com acordos feitos, e que são espíritos que podem pregar travessuras, serem brincalhões ou aplicar certas punições corretivas em seus médiuns, o que reforça a teoria que possa ser este o motivo do uso desta palavra. O Professor Eduardo Henrique Costa (fundador do Universo e Cultura) ensina que os Exús e Pombas Giras são seres totalmente ligados ao movimento e os caminhos, além de ser ancestrais que podem aprender com qualquer um que observa, para ele as duas teorias de significado da palavra são aceitas, porque para cada família ou região pode ter variações nos significados do uso da mesma palavra.
No Candomblé dizer “Catiço” não é única forma adotada por alguns religiosos, há cultuadores que os chamam de “Exús-Egúns”, por ser justamente espíritos desencarnados e que atuam pelo plano astral podendo ajudar a manipular energias, trazer boa sorte ou má sorte, bênçãos ou punições.
Oferenda para Maria Quitéria
Esta oferenda é muito boa para ser ofertada para Pomba Gira Maria Quitéria.
Materiais Necessários:
✓ Um alguidar médio
✓ Farinha de mandioca branca
✓ Champanhe
✓ Maçãs vermelhas
✓ Sete ameixas vermelhas
✓ Sete figos cristalizados
✓ Sete morangos
✓ Um abacaxi
✓ Uma rosa sem cabo ou espinho
✓ Um pano vermelho
✓ Mel.
MODO DE PREPARO – lave o alguidar com um pouco de champanhe, ao secar, enforre o pano vermelho. Faça uma farofa com a mão esquerda, com farinha de mandioca e champanhe. Depois faça em uma vasilha farofa (padê) de farinha de mandioca e mel, logo após, acrescente por cima da farofa com champanhe.
Corte sete rodelas de maçã, colocando em cima enfeitando em forma de círculo deixando vago o meio, coloque sete ameixas por cima das rodelas de maçã que estão deitadas, coloque os sete morangos no meio bem juntinho fazendo uma flor, coloque os sete figos cristalizados em volta das ameixas, corte sete rodelas de abacaxi com casca colocando nos cantos do alguidar em volta dos figos, deixe a rosa no meio em cima dos morangos. Ofereça e faça seus pedidos a esta Pomba Gira.
OUTRAS OPÇÕES
Nesta oferenda é ofertado arroz com couve e linguiça sete ameixas vermelhas, sete rosas vermelhas e sete cigarros. Esta oferenda é muito apreciada por esta Pomba Gira.
Aula 5 – Introdução a Kimbanda II
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