Feitiço para atrair riquezas (Ideal para o final de ano)
Este é um feitiço muito prático com o Exu do Ouro para sua vida prosperar e abrir as portas da abundância.
Ingredientes:
7 pedras pequenas de pirita
7 padês de mel enrolados cada um em um morim amarelo
7 moedas douradas
7 velas amarelas
30g de erva abre-caminho (frescos)
7 folhas da fortuna
Essência de alfazema.
Modo de preparo:
Pegue 2 litros de água e coloque dentro as ervas e folhas macerando bem com a mão direita, deixe as sete pedras de pirita na água (elas devem estar lavadas com água e sal grosso antes), ponha no sol ou ar livre pelo mínimo de 3 horas. Logo após, coe o banho, coloque sete gotas de essência de alfazema, e retire as pedras, ponha o líquido dentro de uma garrafa e reserve-a.
Vá para uma local bem próspero pela madrugada, a cada esquina que passar pegue uma vela e passe em seus pés e mãos e acenda oferecendo ao Exu do Ouro, dizendo:
“Exu Koba Koba, companheiro e amigo fiél, que está aqui e esta lá em todo, venha ao meu chamado Exu do Ouro, traga riquezas e prosperidade para minha vida”. Abra um dos morins que esteja com padê de mel e deixe ao lado da vela (um pouco afastada para não pegar fogo no pano), passe a pedra pirita pelos seus pés e mãos e coloque em cima do padê, junto com uma moeda.
Percorra sete encruzilhadas fazendo o mesmo ato e na última ao terminar, pegue uma garrafa com o banho e vire ela da cabeça para baixo pedindo sorte, abertura de caminhos e muita prosperidade.
Cantiga
Eu vou chamar um Exú que vai me ajudar
Exu do Ouro vem pra trabalhar
Eu vou chamar um Exú que vai me ajudar
Exu do Ouro vem pra trabalhar
Exu do Ouro corre corre encruzilhadas
Traga agora agora agora a prosperidade que faltou
Exu do Ouro corre corre encruzilhadas
Traga agora agora agora a prosperidade que faltou
Banho para despertar romantismo
Imagem: Pinterest.
Este banho é bastante relaxante e ao mesmo tempo é ideal para as mulheres que desejam ativar energias que lhe ajudam a proporcionar romances.
Ingredientes:
1 litro de vinho tinto suave
500ml de vodka
1 essência aromática de cerejas
7 gotas de mel-de-abelhas
7 folhas de canela (caso não tenha pode ser em pau).
Modo de preparo:
Ponha tudo dentro de uma garrafa grande, de preferência que seja de vidro (podendo pintá-la ou cobrir com um pano vermelho, podendo ser até algum que tenha sido ofertado a Pomba Gira). Adicione entre 14 a 21 gotas de essência de cereja, mantenha todos os itens dentro da garrafa por 7 dias, depois poderá utilizar este banho do pescoço para baixo.
Recomendamos que antes de utilizá-lo, é viável arriar um uma oferenda para Pomba Gira, exemplo:
Caso seja uma mulher de vinte e dois anos de idade e tenha mais afinidade com a Pomba Gira Menina, poderá preparar um padê de bombom e por uma rosa vermelha por cima, borrifando o aroma de uma perfume doce. Prepare o banho e deixe ao lado da sua oferenda que poderá está de frente pro assentamento da Pomba Gira ou próximo ao altar, pois isto ajuda a encantar e fazer com que o próprio ancestral direcione energias e impulsione o efeito.
Prática para impedir maus espíritos na casa ou nos quartos
Primeiramente é necessário que todos os integrantes tomem banhos de descarrego, pois possa ser que a energia individual esteja atraindo más companhias e, aquele que for fazer todo o ritual deve tomar banho de descarrego novamente ao terminar.
Faça um chá de folhas de bambuzais e quando estiver morno, use para lavar o chão da casa, portas e janelas e todas formas de entradas, para não ficar um mal odor no local, ao terminar poderá borrifar essência de alfazema ou flores de laranjeira.
Pegue galhos de arruda e varetinhas de bambuzais ponha em formato de cruz amarradas por palha da costa e deixe do lado de fora de cada porta e janela, caso seja apartamento, pode ser pelo lado de dentro, depois de três dias despache na boca de mata, levando sete moedas e oferecendo pro Exu das Matas pedindo que leve todos os males embora, e evite o mesmo local por 21 dias.
Exu do Lodo
Para compreendermos melhor sobre esta entidade, é necessário refletir sobre o lodo… é uma das formas populares de designar todos os sedimentos rochosos cobertos pelas águas dos rios, lagos, pântanos e mar. É comum a associação do lodo com a lama que é uma mistura pastosa da terra com água, porém, por ser rico em alguns tipos de minerais e outros componentes naturais, pode servir de habitat para várias espécies, como por exemplo, o saltador-do-lodo. No Brasil é comum encontrar o lodo nas redes de esgotos.
Imagem: Freepik.
O lodo é formado em ambientes úmidos que representam as impurezas, ou seja numa cachoeira onde a água corre livremente não há lodo, só há lodo onde à infiltração e umidade constante que não é limpo (tais lugares com energias negativas, essas energias se assemelhariam ao lodo). O Exu do lodo entraria nesses lugares “carregados” e faz a limpeza dessas energias, tirando o lodo ruim (energia ruim) e restaurando o lodo bom e limpo (energia positiva). Costuma ser invocado nas correntes espirituais para carregar consigo os entraves materiais que poluem seus adeptos.
Esta entidade pertence ao Reino das Águas. E quando paramos para pensar em água dentro da Kimbanda, precisamos refletir que é um elemento receptivo e negativo, associada ao magnetismo e à atração. As águas são conhecidas a nível universal na magia como “unificadora dos mundos”, pois é encontrada em diversas dimensões e em muitos rituais é usada para abrir a face para o oculto, alguns ocultistas fazem ritos para lavar as vistas proporcionando adivinhações e visões. Por ser unificadora, tem fortes associações com o Reino dos Mortos e com o subconsciente. A terra também possui polaridade negativa e densidade superior aos demais elementos, o que lhe garante o poder das formas. É um elemento limitador e aprisionador.
De forma esotérica os aspectos dos dois elementos, entendemos, que o lodo nada mais é do que a “terra destruída” (materialidade) coberta de água onde o ventre das formas é esterializado. Os dois elementos unidos são parte da alquimia da natureza. Espiritualmente é o local para onde os espíritos chafurdados na materialidade são atraídos.
Ponto riscado usado para socorro, resgatar ou retirar as pessoas das situações difíceis, tanto no âmbito material, como, emocional e espiritual.
Exu do Lodo costuma trabalhar para as energias paradas e ajuda em processos sem andamentos. Sua grande força está ligada a união das águas com a terra e no limo das pedras, onde é formado o lodo. Pode ajudar em limpezas de descarregos e principalmente em doenças de pele. Também vibra na falange de Exus ligados as Almas. Na Quimbanda ele pode proporcionar a compreensão sobre o desapego material e a necessidade de um constante embate contra o sentimentalismo e o medo do invisível. Por ser um espírito muito antigo e ligado à um lado da natureza mais silencioso, em suas manifestações se apresenta como um grande sábio, porém, de poucas palavras.
Os espíritos da linha das almas, costumam se apresentar curvos e com dificuldades, pois tem uma energia pesada e a maioria usam aparências de velhos feiticeiros. Praticamente todos os espíritos desta linha foram, padres, bispos, bruxos, magos ou feiticeiros em suas vidas na terra. Quando o Exu do Lodo se manifesta (por intermédio de um médium), ele está agachado como se tivesse dificuldade para se levantar, mas na realidade se locomove com rapidez.
Esta entidade trabalha na transmutação de energias, transformando o lado negativo em positivo. Motivo de usar muito a cor preta que representa a transformação. Em sua manifestação, pode trazer chuvas consigo. É a resposta que ele está atento e presente. Ele se chama lodo pois representa a força da vida mesmo em meio as dificuldades, ou seja, que mesmo em meio a podridão do mundo esse Exu tem boa energia e também tem, outro significado, que quando o consulente estiver no “lodo” esta entidade vai tira-lo de lá, representa tanto a força do Exu quanto o estado de espirito em que se encontram as pessoas que pedem auxilio a ele.
Foto: Imagens Bahia.
Nas imagens usadas para Exu do Lodo é de um homem, agachado como se tivesse dificuldades em se locomover. Traz a representação de um campo extremamente negativo em que exerce suas funções onde os homens não poderão contar mais com a locomoção, o equilíbrio e a sensação de materialidade.
Dentro da feitiçaria há um ditado que costumam dizer que Exu do Lodo, nas magias para fins destrutivos, afunda a vida de suas vítimas, carregando-as para o lodo/lama. Esse Exu usa correntes negativas e destrói a vida material, arrancando das suas vítimas a estabilidade financeira. Em contrapartida, pode atuar retirando uma pessoa desse mau estágio e fornecer um caminho, tirando da lama e dando a oportunidade de ser acompanhada possivelmente por uma outra entidade.
Devido aos conceitos magnéticos, a relação desta entidade com os mortos está vinculada aos presídios astrais onde os devedores e escravos são esgotados e escravizados. Uma de suas importantes funções é na captura das almas que são atraídas para esses campos astrais.
Há alguns mestres de Kimbanda que afirmam que esta entidade tem afinidade com os Exus, Maré, Sete Infernos, Exu Rei da Praia, Exu Sete Correntes, Capa Preta, Sete Infernos e até Tata Caveira.
Ponto riscado usado em trabalhos de limpeza energética. Traz um enorme significado esta simbologia, pois demonstra a plenitude de seus poderes. Usado nos trabalhos de feitiçaria que visam erguer ou afundar as pessoas, bem como, atraí-las para o reino do Lodo.
Nas praias, rios, ou cachoeiras – devemos pedir licença ao Exu do Lodo, pois sempre há lama nos arredores.
PONTO CANTADO PARA EXU DO LODO
QUANDO CHEGA MEIA-NOITE
EXÚ DO LODO NA UMBANDA CHEGA
ELE VEM DO CEMITÉRIO
VAI SAIR NA LUA CHEIA
QUANDO CHEGA MEIA-NOITE
EXÚ DO LODO NA UMBANDA CHEGA
ELE VEM DO CEMITÉRIO
VAI SAIR NA LUA CHEIA
EXÚ DO LODO É
MEU COMPADRE NA UMBANDA
EXÚ DO LODO VEM
VEM ALEGRAR A NOSSA BANDA
EXÚ DO LODO É
MEU COMPADRE NA UMBANDA
EXÚ DO LODO VEM
VEM ALEGRAR A NOSSA BANDA
REFERÊNCIA: COPPINI, Danilo, Quimbanda – O Culto da Chama Vermelha e Preta. 4.ed. São Paulo: Via Sestra, 2023.
Influências literárias na Kimbanda
A Kimbanda é uma tradição que no Brasil vira alvo frequentemente de polêmicas entre sacerdotes de matrizes afro-brasileiras sobre as suas práticas e surgimentos, porém não podemos deixar de evidenciar que muitas influências surgiram da literatura brasileira e nesta matéria terei o intuito de esclarecer alguns pontos importantes e se realmente a Kimbanda é o que os sites famosos de pesquisas afirmam.
Texto • Prof. Eduardo Henrique Costa
COMEÇANDO PELO NOME
Kimbanda e Umbanda são separadas apenas por palavras, o objetivo de ambas é voltado para cura. A própria palavra “Kimbanda” é associada diretamente a cura e o sacerdote ou mestre desta tradição é definido como um curandeiro espiritual de um terreiro, sendo esta a prática ancestral, principal de seus praticantes.
Na Umbanda percebemos este mesmo objetivo quando visitamos um terreiro e podemos visualizar ritos como defumações para o bem-estar “pro mal sair e a saúde entrar”, passes espirituais feitos pelas entidades espirituais que possuem a mesma finalidade que o Reiki (envios de energias), benzeções e entre outras práticas que nos leva a refletir que a cura é o princípio da harmonia.
Infelizmente mesmo com tamanhas riquezas a Kimbanda não manteve este significado, ficou conhecida a nível global de forma errônea como “Culto de Magia Negra”, a definição traz uma afirmativa de que as práticas têm caráter maléfico e destrutivo, mas na prática não faz o menor sentido se a Kimbanda é como as pessoas dizem, por que teria caboclos e pretos velhos nesta tradição? E por quê na prática um Exu pode curar de uma doença desconhecida e trazer harmonia em meio aos conflitos? Afinal por quê tamanha separação entre Umbanda e Kimbanda? Cada dia que se passa as pessoas criam mil barreiras para afirmar de quê um umbandista não pode ser um kimbandeiro, pois não daria para ser bom e mal ao mesmo tempo… O pensamento de que Kimbanda é maléfica posso afirmar ser totalmente uma loucura, pois o fato de existir alguém ruim não é culpa da tradição, assim como não é culpa da religião existir pessoas de mau caráter mesmo com códigos morais e tamanhas filosofias.
Esta guerrinha de bem e do mal, é coisa material e do próprio ego e da arrogância. Achar que as entidades de Umbanda luta contra as de Kimbanda é uma tamanha ignorância. Em toda tradição que tenha como finalidade a cura da alma e de locais, pode-se existir a prática da caridade ou do bem, são questões que depende mais do praticante do que da linha, pois não há impedimento.
OLHA A MACUMBA AÍ!
Arthur Ramos (1903 à 1949).
Para entendermos os primeiros conceitos ligados a religiosidade afro-brasileira, podemos citar uma das figuras importantíssima neste processo: Arthur Ramos foi um grande autor, antropólogo brasileiro, médico psiquiatra, psicólogo social, um dos pioneiros que usou da psicanálise para investigar a mentalidade e cultura dos brasileiros, o mesmo apresentou explicações detalhadas sobre a macumba, onde ele foi capaz de observar através de estudos em diversos terreiros que ele pesquisou chegando a conclusão que não existia apenas um tipo de prática, ele definiu que existia diversas linhas, entre elas havia a Umbanda e a Kimbanda, nesta parte conseguimos entender que estas duas também são macumba. Mas a macumba não é uma definição de maldade, é um nome genérico usado para se referir a diversos ritos religiosos que eram praticados por africanos, seus descentes, ex escravizados e era comum ser uma reunião de pessoas pretas. Algo que sempre costuma ter em comum dentro da macumba é o catártico; praticantes que entram em transes, há danças, cantigas, sons de instrumentos, bater palmas… e procuram buscar através destes rituais a cura para os males, seja físicos, psicológicos e espirituais. Posteriormente houve a entrada dos brancos dentro das práticas e quando a Umbanda já estava começando a se formar como religião, esta teve uma enorme participação da classe média, de grupos egocêntricos, puramente racistas para sermos mais exatos, precisavam eliminar estes elementos catárticos e toda prática densa, se aproximando mais do Cristianismo, surgindo aquelas emblemáticas frases “a Umbanda pratica o bem e a Kimbanda pratica o mal”, criando um enorme muro que separava a Umbanda da Kimbanda, porque os umbandistas da época estavam preocupados em ser mais aceitos pelos europeus e queriam eliminar tudo que fosse provocar afrontas ao Cristianismo e podemos perceber que a entrada do Espiritismo Kadercista dentro da Umbanda, também foi algo que era muito mais aceito pelas pessoas, não chegando a tais níveis de exclusões da sociedade como era com a macumba no geral. A Umbanda limitou seu culto aos Exús e Pombas Giras, ficando a Kimbanda responsável por mais expressiva profundidade no culto destes seres. Mas isto não significa que toda Kimbanda não teve influência da cultura européia, e logo seremos capazes de perceber um exemplo emblemático praticado por algumas.
A ideia do bem não estava apenas associada às condutas, mas a qual cor fisicamente se tinha, não é atoa que o negro era sempre visto como um ser de maldades e o branco como “detentor da paz”, caso ache isto um exagero, visite algumas lojas de artigos religiosos de Umbanda e pasme ao reparar imagens de deuses negros com cor branca, diga-se de passagem eu costumo até mesmo dizer que se o Cristo não tivesse suas imagens como um europeu, quase ruivo, dificilmente seria visto como algo santo… Retornando ao assunto: diferente da Umbanda, a Kimbanda não aceitou ceder as pressões do Cristianismo e até hoje é vista como algo afrontoso, maléfico, ou como muitos chamam depois da separação com a Umbanda e Kimbanda como “linha de esquerda”. Para os caros leitores e alunos possam entender da melhor forma, um Preto Velho pode se manifestar pela direita ou pela esquerda, porque isto não é uma lei espiritual, é algo criado pelos humanos para definir o que era do bem, mas as entidades mostrava cada vez mais que isto não fazia sentido. Não podemos dizer que foi apenas um único tipo de macumba influenciada por este conceito, percebemos que houve várias, como por exemplo, Culto da Jurema Sagrada e o Catimbó, até mesmo nas religiões com influências xamânicas vemos algumas consideradas de direita por terem santos católicos, rezas do Pai Nosso e as práticas que não tem, como linha de esquerda ou “fundo”.
Para visualizar em um melhor tamanho, clique em cima da imagem.
Disponível em: Google. Acesso: 7/10/2023.
Você já andou pela rua e viu pessoas afirmando de quê “se a macumba fosse bom, seu nome não seria má – cumba”… Toda vez que alguém diz isto eu vejo que falta estudar história, português entre outras matérias que faria não cometer tamanha babaquice.
Imagem: Extraida da internet. Conteúdo do ano de 1941.
E você já se perguntou quem é que foi o autor que trouxe este argumento da Kimbanda como maldade e Umbanda como bondade? Porque tudo costuma ter uma origem ou influência de alguém e de acordo com os meus estudos: foi Lourenço Braga em 1941, na sétima sessão do primeiro Congresso Espírita de Umbanda.
Braga apresentou conceitos de que os trabalhos para fins benéficos estavam contidos na Umbanda e na Kimbanda seria os que fossem para fins maléficos, posteriormente esta representação feita foi o motivo de surgimento de seu livro “Umbanda (Magia Branca) e Quimbanda (Magia Negra)“, publicado no ano de 1942, podemos defini-lo como um dos primeiros autores a impregnar estes conceitos de linhas do bem e do mal.
Antes da publicação do livro de Lourenço Braga, já existia afirmações sobre magia branca para o bem e magia negra ser para o mal, através do autor Noel de Souza sobre as sete linhas de Umbanda (por volta do ano de 1938), trazendo relatos em seus jornais.
Livro de Lourenço Braga.
Quando paro para refletir sobre o que Braga viu de tão mal na Kimbanda, na verdade não se tratava da tradição, era as pessoas que buscavam os terreiros para pedir coisas materiais… E com os sucessos de vendas de seu livro, o Cristianismo ganhou tantas forças que houve o lançamento de um livro no ano de 1952 de um famigerado Aluizio Fontenelle , onde o título de seu livro foi “Exu”. Vejamos;
Livro lançado pela editora Espiritualista no ano de 1975.
Em seu livro ele comparou as entidades que vinha na Kimbanda com os seres da Goetia, além de colocar tacitamente Exú como o próprio Diabo, aquele que se encontra contido no imaginário popular: que usa chifres, rabos, espeta pessoas e foi condenado a vagar pelo mundo. Fontenelle usou de diversas páginas para dizer sobre si mesmo no que ele se autoavaliou como alguém muito sábio capaz de julgar as entidades e defini-las, Fontenelle de forma absurda nega a própria origem da palavra Exú e afirma que não tinha vindo da África, desta maluquice nasceu os pensamentos de que Exú era o nome que estava na Bíblia dos cristãos. Como se não bastasse, o mesmo afirmou que este nome tinha sido dito por Deus numa língua (não conhecida pelos humanos) e estas babaquices de teorias sem nenhuma fundamentação básica, infelizmente é copiada até os dias atuais. Uma certa vez no ano de 2018, conversei com um rapaz que se dizia mestre em Kimbanda, o mesmo me disse que Exú estava nas escrituras em hebraico, me causou estranheza pois eu sou um pesquisador e especialista no idioma hebraico, e disse que encontraria com o nome de “Yesú”, talvez ele tenha desenvolvido este pensamento ilusório graças a Fontenelle. O que muito podemos perceber na Macumba é que muitas definições vinham do misticismo popular, e trouxeram de tal forma o Diabo para dentro da Macumba, que em pleno século vinte e um, há macumbeiros que até acham que estão cultuando o Diabo, infelizmente.
Oras, não estou aqui para condenar aqueles que cultuam o Diabo, apenas estou trazendo fontes de pesquisas que explicam de onde veio certos textos muitos idênticos no qual conhecemos nos dias atuais: Quimbanda, o lado negativo da Umbanda. Reitero que boa parte dos preconceitos com a macumba é ligado a cor sim! Tanto que no próprio folclore brasileiro, há pessoas que acreditam que o Saci Pererê é o próprio Diabo, mas afinal por quê isto? Tem personagens muito mais levados do que ele, mas veja, o Saci é…? Preto!…
Aluizio Fontenelle fez diversas comparações e colocou Exú como o próprio pecado original e que teria tentado Eva e Adão no Paraíso, o autor ainda relata sobre uma rebelião causada por Lúcifer e que o povo expulso era “Exud” uma língua que apenas ele sabia (risos), concluindo em suas teorias de que estes seres foram condenados a viver nas profundezas da Terra, levando a entender que existe Exús na Terra por conta de uma maldição lançada pelo próprio Deus. É bem provável que ele tenha sido um cristão, pois fez muitas referências a Trindade, saudando em seu livro, esta ideia foi copiada por diversos autores posteriormente e que fez muitos sincretizarem os Exús com os Daimons da Goetia.
Afirmar que Exú é um demônio, é a mesma coisa que dizer que Ogum é São Jorge, são apenas comparações, mas não significa que é tudo igual. Expresso meu pensamento de que o sincretismo ele não é ruim exatamente, mas quando ele se junta e acha que tudo é uma coisa só, acabamos perdendo a essência, as raízes de nossa cultura. Mas e a Kimbanda que muitos chamam de Luciferiana? Seria coisa do capeta? Sem muitos rodeios, se fomos analisar a palavra “Lúcifer” de forma básica significa o portador da luz, em algumas culturas citam este nome como de um deus Vênus, também houve muitas pessoas em épocas antigas com o nome de Lúcifer, assim como existiu diversos com o nome de São Cipriano. Há certas coisas que são simples de entender, mas as pessoas gostem de complicar.
A Linha dos Caboclos Quimbandeiros e sua ligação com o Catimbó
A Linha dos Caboclos Quimbandeiros é uma das mais profundamente ligadas ao Catimbó — tradição espiritual de raízes indígenas e afro-brasileiras. Não é por acaso que muitas cantigas, lendas e fundamentos demonstram essa forte aproximação entre as duas práticas.
Essa linha é formada por espíritos de antigos índios americanos que, em vida, foram grandes feiticeiros, curadores e guerreiros. São reconhecidos por seu vasto conhecimento sobre a medicina da floresta e os mistérios que envolvem as ervas, as pedras e os elementos naturais das matas.
Imagem: Lokis Gezüch – Emil Doepler.
Um sonho e a revelação simbólica
Em 2017, enquanto criava conteúdos sobre os Exus que compõem essa linha, tive um sonho marcante. Nele, atravessava um povoado de guerreiros indígenas quando, de uma grande árvore, descia uma serpente idêntica à da imagem acima.
O curioso é que, tanto eu quanto os indígenas do sonho, saudavam e reverenciavam a serpente como uma divindade. Mais tarde, ao pesquisar sobre o animal, descobri que era a cobra-cainana — exatamente igual à vista em sonho. O episódio foi interpretado como um sinal da presença de um espírito encantado da floresta, identificado com as entidades conhecidas como Exu Cainana e Exu Cobra, entre outros nomes ligados aos elementos naturais.
Vozes ancestrais e mistérios das matas
Muitos espíritos dessa linha apresentam voz grave e gutural durante as manifestações espirituais. Quando incorporados em médiuns, é comum misturarem palavras em línguas nativas com o português regional. São entidades reservadas, que não gostam de ser observadas de perto e evitam o uso de palavreado vulgar, preservando uma postura respeitosa e serena.
Existe um equívoco frequente entre os iniciantes: acreditar que entidades com nomes de animais são literalmente representações dessas criaturas. Na verdade, os nomes expressam a ligação espiritual e simbólica com o animal, refletindo seu comportamento, poder e essência. Exemplos dessa simbologia são Exu Pantera Negra, Exu Cobra e Exu Cainana.
Essas entidades são consideradas especialistas em trabalhos de cura, proteção e desobsessão espiritual, atuando na defesa dos caminhos e na restauração da harmonia entre corpo e espírito.
Entidades que compõem a Linha dos Caboclos Quimbandeiros
A seguir, a descrição das principais entidades que integram essa poderosa corrente espiritual dentro da Kimbanda:
• Exu Pantera Negra (Chefe da Linha)
Símbolo de força e justiça, está ligado às guerras espirituais e à disciplina. Na Linha dos Caboclos, é uma entidade extremamente respeitada. Muitos de seus subordinados aceitam oferendas semelhantes às de seu chefe, que valoriza a retidão e o equilíbrio entre o bem e o rigor.
• Exu Sete Cachoeiras
Conhecido cabalisticamente como Khil, é o quarto comandado do Exu Calunga. Sua atuação é associada às forças das águas e das cachoeiras, e acredita-se que seja responsável por abalos sísmicos no plano espiritual. Aprecia charutos pretos e tem como oferenda favorita a galinha-d’angola recheada com farofa de azeite-de-dendê.
• Exu Tronqueira
De nome cabalístico Clistheret, é o sexto comandado do Exu Calunga. Atua como guardião das estradas e dos caminhos, protegendo fronteiras espirituais e físicas. É conhecido por influenciar a troca do dia pela noite, especialmente entre jogadores e boêmios. Dentro da Kimbanda, é invocado para proteger terreiros e templos.
• Exu das Sete Poeiras
Cabalisticamente chamado Silcharde, ocupa o sétimo posto sob o comando de Exu Calunga. Seu poder desperta a imaginação e conduz visões espirituais relacionadas aos reinos animais. É o guardião das trilhas, matas e becos, e manifesta-se como um duende de roupagem cinza-escuro.
• Exu das Matas
Possui o nome cabalístico Hicpacth e ocupa o nono lugar entre os comandados de Exu Calunga. Atua nos trabalhos realizados nas matas e é procurado em casos amorosos, especialmente quando se deseja o retorno de uma pessoa amada. Está intimamente ligado à natureza e às forças da terra.
• Exu das Sete Pedras
Conhecido pelo nome cabalístico Humots, é o décimo comandado do Exu Calunga. Considerado um grande mago da magia universal, é responsável por conhecimentos ligados à Alta Magia, aos tarôs, signos zodiacais, calendários esotéricos, numerologia e simbologias ocultas. Possui grande poder de transmissão e comunicação espiritual.
• Exu do Cheiro (ou Exu Cheiroso)
Seu nome cabalístico é Aglasis, e ele comanda uma falange composta por mais de 49 Exus. Seu nome vem da forma singular como se manifesta, exalando aromas agradáveis ou desagradáveis, conforme o tipo de trabalho realizado. Costuma se apresentar em forma humana, envolto por uma camada fluídica. Pertence à Linha de Omolu e é supervisionado por Exu Caveira. Recebe oferendas preferencialmente em jardins ou locais floridos.
• Exu Pedra Negra
De nome cabalístico Claunech, é o sexto comandado de Exu Calunga (Sirach). Aparece sob a forma de um cavalheiro elegante e atua especialmente em questões financeiras, sendo protetor da riqueza e dos que enfrentam dificuldades econômicas. Também é conhecido por ajudar na descoberta de tesouros ocultos. Em oferendas, aprecia vinhos tintos com mel e frutas escuras, como o jamelão.
• Pomba Gira da Figueira
Esta entidade lidera uma legião de espíritos femininos antigos, que viveram há milênios na Terra e alcançaram alto grau de discernimento espiritual. É considerada a protetora das raízes do culto, responsável por zelar pela tradição e pela força ancestral feminina dentro da Kimbanda.
Conclusão
A Linha dos Caboclos Quimbandeiros representa um elo profundo entre a espiritualidade ancestral, a força da natureza e a sabedoria mística. Suas entidades refletem o equilíbrio entre poder e serenidade, conhecimento e mistério, reafirmando o papel dos povos indígenas e afro-brasileiros na formação das tradições espirituais do país.
Exu Cainana
Esta entidade possui origem na cultura indígena brasileira, sendo aquele que é meio serpente e meio homem. O culto a este espírito se deu dentro da Kimbanda com o surgimento da Linha dos Caboclos Kimbandeiros, suas origens está ligada a lenda dos filhos gêmeos da serpente boiçú, que nos aponta um certo direcionamento do porquê na cantiga das mais conhecidas deste Exú, cita “Exu Cainana, que te matou Cainana?”, é um conto muito antigo da região Amazonas no território brasileiro, vejamos:
“Há muito tempo atrás quando os deuses indígenas ainda reinavam nesta terra, o maior entre eles criou três espiritos que tinham a forma de serpentes. Esse deus se chamava Yamandú. E era ele que governava sobre todas as divindades. As três serpentes sagradas eram Boiçú (a cobra grande), Boiúna (a cobra negra) e Boitatá (a cobra de fogo). As três eram muito temidas pelos índios, pois eram terríveis. Um dia a serpente Boiçú estava nadando nas águas de um rio quando viu próximo a margem uma belíssima índia que se banhava. Boiçú tinha o hábito de engolir todos os homens que encontrava, mas a Índia era tão bela que ele se apaixonou. Boiçú usou seus poderes para se transformar em um homem e a beleza de sua forma humana era tão diferenciada devido ao encanto que a índia quando o viu também se apaixonou. Ela tanto falava com o homem, mas ele não falava nada. Apenas a olhava com uma expressão de desejo no olhar. Boiçú e ela se amaram naquele local, mesmo estando nas águas do rio. Após terem se envolvido sexualmente, o feitiço se desfez e o homem voltou a sua forma de serpente. A índia quando percebeu que estava abraçada a uma serpente, ficou assustada e desnorteada, desesperada correu para longe, voltando para sua aldeia.
Dias depois ela descobriu que estava grávida e como ela era jovem, não teve coragem de contar para os seus familiares sobre o que havia ocorrido. Com o passar dos meses a barriga cresceu e a aldeia inteira quis saber quem era o pai da criança. Mas ela se negava a falar. Foi então, que chamaram o Pajé para falar com ela. Como ele era um homem iniciado numa magia muito antiga, usou de seus meios para fazer ela dizer a verdade. O Pajé ficou muito preocupado quando soube que ela estava grávida da serpente Boiçú. Ele acompanhou toda a gestação usando de sua pajelança para apaziguar os espíritos que estavam crescendo dentro do útero da jovem. No dia do parto houve uma surpresa, não haviam crianças, o que saiu de dentro dela foram duas cobras: uma branca (macho) e uma preta (fêmea). O Pajé quando viu a índia na esteira e as cobras no chão diante das pernas que estavam abertas da mãe, reparou que elas rastejavam sem enconstar com as cabeças no solo, e por isso as chamou de “Boi-Caninana”, que significa “serpente que tem a cabeça erguida”. A índia então as batizou de Caninana. Ela manifestou o desejo de ficar com as duas Caninanas, mas o Pajé a alertou que elas teriam o caráter de Boiçú e que era muito perigoso ficar com elas na aldeia.
A índia muito triste, foi até um rio e deixou as duas na margem. O Pajé realizou feitiços para fazer as serpentes se afastarem e elas foram embora. O tempo passou e elas cresceram, ficaram gigantescas do tamanho do pai Boiçú. E assim como ele, as duas cobras tinham o poder de se transformar em gente. Eles então se transformavam e iam para as festas nas aldeias, além de visitar os povoados dos homens brancos.
Por viverem muito entre esses homens brancos, a cobra macho recebeu deles um nome português de ‘Norato’ e a fêmea de ‘Maria’. Maria Caninana e Norato Caninana.
Eles dois eram como unha e carne, viviam juntos. Norato era um galante, ele amava se transformar em gente para seduzir as moças. Diferente da Maria que era perversa, em forma de cobra ou de mulher, ela só fazia maldades. Quando ela estava em forma de cobra matava os bichos da floresta, os peixes do rio, virava as embarcações e engolia os pescadores. Quando estava em forma de mulher, seduzia os homens e os levava para o matagal, onde os matava ou ia para o rio onde os afogava.
Norato amava Maria, mas ele mesmo tinha medo dela. Ela fazia coisas monstruosas, maldades inimagináveis com todas as criaturas que cruzavam seu caminho, herdando o lado monstruoso de seu pai, diferente que Norato que ficou com lado mais sedutivo e de desejos.
Um dia Norato tomou coragem e quando Maria Caninana estava dormindo em forma de cobra, ele a matou. Foi o único jeito que ele achou para parar os terríveis massacres. Maria Caninana deixou sua forma física e se transformou em um espírito encantado. Norato seguiu sozinho com uma meta na cabeça de querer deixar de se cobrar para virar homem para sempre. Toda vez que ele se transformava em homem, ele deixava o seu corpo de serpente dormindo na margem do rio e seguia em forma humana para os festejos, porém ele só podia ser homem durante a noite.
Norato tomou coragem e voltou a aldeia de sua mãe, durante uma madrugada, ele procurou o Pajé e perguntou a ele como fazer para abandonar a sua forma de Cobra Caninana.
O Pajé consultou os espíritos e revelou que havia um rito bem simples, Norato devia pedir para alguém ir até seu corpo de serpente e colocar leite dentro da boca, depois cortar a pele da cobra, o suficiente para fazê-la sangrar. Norato foi até sua mãe e implorou a ela para ir no rio fazer o rito, ela aceitou ajudar e foi, mas quando viu a cobra gigantesca, não teve coragem de se aproximar e desistiu. Ele passou então a ir todas as noites nas aldeias e nos vilarejos para pedir ajuda para suas muitas namoradas, mas nenhuma delas teve coragem. Para sua sorte, ele conheceu um homem muito valente. Norato era tão belo que até os homens o olhavam de um modo diferente.
Esse homem disse a ele que teria a coragem para fazer o rito, e ele fez! Ele jogou leite na boca da cobra e a cortou com um facão. O corpo da cobra pegou fogo e desapareceu, Norato se tornou humano. Ele viveu a sua vida cheia de amores e de festas, até que morreu na sua fase de idade avançada.
Quando morreu se tornou um espírito encantado e voltou para junto de Maria. São uma dupla encantada, Maria Caninana e Norato Caninana.”
Nas regiões sudeste do Brasil, o nome Caninana virou “Kainana”, Maria, a Pombagira Kainana e Norato, o Exú Kainana. Esta entidade é um Exu dos tempos antigos, possuindo grandes poderes espirituais. Protetor dos caminhantes, dos viajantes, daqueles que trabalham nas estradas, e inimigo das desigualdades sociais. Grande amigo dos que procuram nas necessidades, a maioria dos Exus das florestas, são espíritos muito antigos, que não gostam muito de barulhos e a maioria é de pouca conversa, não gostando de ser chamado por diversas vezes a virem em terra (incorporar). Segundo o Mestre de Kimbanda Alberto Júnior, Exu Kainana ou Cainana, teria uma total ligação com o Exu Cobra que é um dos comandantes das falanges dos espíritos que se encantam em cobras.
PONTOS PARA EXU CAINANA EM DIFERENTES VERSÕES
VERSÃO 1
Exu Cainana, quem te matou Cainana? (2×)
Foi seu Tranca-Ruas, foi seu Marabô, foi Exu do Lodo
Cainana, mas quem te matou?
Exu Cainana, quem te matou Cainana? (2×)
OBS: Nesta primeira versão costuma ser citado diversos Exus pertencentes ao terreiro.
VERSÃO 2
Exu Cainana, quem te matou, Cainana? (×2)
Na beira do rio, Cainana
Alma já minou, Cainana
Exu Pantera, Cainana, ele não bambeia!
Exu Cainana, quem te matou, Cainana? (×2)…
VERSÃO 3
Exu Cainana, quem te matou Cainana? (×2)
Eu tava na beira do rio, Cainana
Uma cobra me mordeu, Cainana
Eu chamei Seu Exu Cobra, Cainana
Ele é grande amigo meu…
Exu Cainana, quem te matou Cainana? (×2)
Eu tava na beira do rio, Cainana
Uma cobra me mordeu, Cainana
Eu chamei Seu Exu das Matas, Cainana
Ele é grande amigo meu…
Essa cobra é Cainana (×2)
Porque teus pés não me engana
Eu fui no alto da serra, na serra do Amazonas,
Lá no alto eu encontrei, eu avistei Cainana
Essa cobra é Cainana (×2)
Porque teus pés não me engana.
Estatueta minoica da “Deusa das Serpentes”, 1600 a.C., Museu Arqueológico de Heraclião.
CRÉDITOS:
Artistas da imagem destaque: Marcio Takara e Marcelo Maiolo.
Oferenda para Exu Pantera Negra
Esta oferenda é muito boa para ser entregue em frente ao assentamento ou na natureza.
Elementos necessários:
✓ Um alguidar grande
✓ Sete bananas
✓ Frutas cristalizados
✓Um bife bovino
✓ Um bife de fígado
✓ Vinho tanto suave
✓ Pipocas
✓ Sete batatas
✓ Milho vermelho
✓ Sete velas brancas
✓ Folhas de arruda
✓ Um charuto
✓ Batata inglesa modelada cachimbo, moelas cruas
✓ Farinha de mandioca branca.
MODO DE PREPARO – Em um alguidar misture vinho tinto com farinha de mandioca, deixando bem soltinho a farinha e bem úmida. Coloque sete bananas em volta das bordas, um bife de gado e fígado ao meio, coloquem as frutas cristalizadas em volta junto com as bananas, prepare um pouquinho de pipoca e coloque enfeitando uns punhadinhos em cada parte, torre o milho (não queimado) e coloque junto também em um cantinho do alguidar, acrescente folhas de arrudas enfeitando. Coloque batata inglesa preparada, moelas cruas levemente no dendê. Após estar preparada acenda o charuto e as velas e ofereça ao Exu Pantera Negra.
Locais de entrega: Grutas de florestas, morros altos, bocas de mata ou em brejos.
Exu Pantera Negra e seus valores culturais
O Exu Pantera Negra é um grande chefe que comanda a linha dos Caboclos Quimbandeiros, mas as suas raízes estão ligadas fortemente a cultura indígena e a fatores culturais que foram agregados pela mistura de troca de conhecimentos e elementos por diversos povos. Há no processo histórico povos indígenas que acreditavam que quando um de seus guerreiros morressem, reencarnaria em um animal que tivesse maior ligação e continuaria protegendo as aldeias e a conexão com a natureza iria se manter, por isto que em muitos ensinamentos xamânicos é dito que ‘há um animal em nossa jornada que é um reflexo do nosso ser’. Acreditamos que o Exu Pantera Negra teria sido um guerreiro que ao morrer, sua energia se interligou ao animal Pantera Negra. Os Exús são espíritos mensageiros que se podem apresentar de diferentes formas, sendo ela na forma humana ou animal, e muitos dos que são ligados ao Reino das Matas costumam poder ver aparições ou sonhar com a sua entidade numa forma animal.
Sem sombras de dúvidas, temos Exús e Pombas Giras que possui seus animais de ligação, onde são formas encantadas de manifestações, um exemplo emblemático é o Exu Morcego, pode se apresentar através de sinais, com um morcego e há magias feitas com morcegos voltado a esta entidade. Exú Pantera Negra não é tão diferente, é um guerreiro indígena que pode aparecer para seus cultuadores numa forma de Pantera Negra ou em suas possessões espirituais em seus médiuns, apresentar comportamentos que nos interliga à Pantera.
Existe muitos autores que citam o Exu Pantera Negra, devido ser muito conhecido nos livros de Quimbanda pelo mundo, mas não é tão comum na prática presenciarmos filhos desta entidade, o autor Danilo Coppini em suas pesquisas, trouxe alguns elementos histórico em seu livro (página 374/376) que nos ajuda a aprofundar sobre as origens do Exu Pantera Negra, vejamos:
Historicamente, a “Pantera” foi objeto de veneração por diversos povos antigos. Conhecido também como Jaguar, esse felino de grande porte foi símbolo de força e guerra para algumas culturas pré-colombianas. Os povos Olmecas (1500 e 400 a.C.), civilização-mãe de todas as civilizações mesoamericanas cultuava o “Deus Jaguar” como Senhor da Guerra, Dono da Terra e das Florestas; tido como uma das principais deidades desse panteão. Existem relatos de que alguns adeptos multila-vam suas faces para de alguma forma se conectar ao Sagrado Deus. Na América do Sul, destacamos a cultura Andina como a “nascente” do culto à Pantera Negra. Ao contrário do que a grande maioria pensa, antes da formação tirânica do Império Inca, os povos da Floresta Amazônica e os povos andinos tiveram intensa troca mercantil e cultural. Esse intercâmbio ocorreu durante milênios e apenas com o estabelecimento do Império Inca (Estado) foi que houve uma diminuição significativa, haja vista que os povos amazônicos resistiram à conquista e expansão Inca.
Nesse mesmo período, índios Chiriguanos (Guaranis) provenientes do Paraguai e Bolívia também fizeram suas incursões dentro dos mesmos territórios fronteiriços. Novamente ocorreram trocas culturais. Posteriormente, seja através de guerras tribais ou de contato ameno, existiram trocas entre os Guaranis e os Tupis e até mesmo dos Tupis com os próprios Incas. O mito de “Titi” (dialeto Aymara), o Puma/Jaguar sagrado, o animal totêmico do poderoso deus Tezcatlipoca, cuja força e poder mataram os antigos gigantes, foi assimilado pelos povos nativos da bacia amazônica e posteriormente pelas demais tribos que tiveram contato com a religiosidade Inca. O poderoso felino, símbolo de poder e guerra, tornou-se um expoente do próprio fogo e muitos mitos e lendas foram criados a partir de então. O guerreiro que carregava a pele ou dentes de Pantera era considerado poderoso e inatingível.
Na região da Bacia Amazônica até os dias atuais, existem tribos “Matsés” conhecidas como “povo onça”, que pintam suas peles ou mesmo as tatuam como a pele do felino. No Continente Africano, segundo a mitologia Bantu, a Pantera (Leopardo) aparece como um dos nove primeiros animais vomitados por “Bumba” no processo formador do mundo. Outras lendas descrevem o felino com o nome de “Osebo”, o leopardo de dentes terríveis. Porém, a mais interessante delas no contexto do processo formador da legião de Exu é a lenda de “Agassou” (o bastardo). Reza a lenda que há muito tempo atrás, uma jovem princesa africana “Alìgbonon” apaixonou-se por uma grande Pantera. Os dois copularam e tiveram um filho chamado “Agassou”. Esse personagem, em noites de “lua cheia” transforma-se em leopardo. Toda linhagem de “Agassou” (denominada kpòvĭ – filhos do leopardo) carregava o mesmo poder e foram trazidos para as Terras Americanas através do processo escravista. Um desses homens-leopardos fugiu de seu cativeiro e foi se esconder numa remota tribo indígena, dando origem a uma nova linhagem de homens-leopardos. Agassou é cultuado até os dias atuais, como grande Loa e, em algumas regiões da África, como um poderoso Rei de uma linhagem sagrada. A influência europeia sob as culturas africanas, fez com que alguns acreditassem que Agassou fosse a personificação do próprio arcanjo Cassiel “O Espelho de Deus”, que veio a Terra na forma de um leopardo. O mito de mulheres que copulavam com Panteras também ocorreu na América pré-colombiana dando origem à lenda dos “homens-jaguares”. Esses cruzamentos são muito similares a lenda dos Nephilins, outra antiga história que retrata seres “semidivinos”.
No território brasileiro, os índios e os negros acabaram fundindo muitos aspectos culturais que, posteriormente foram sincretizados com a cultura europeia. A “Pantera Negra” tornou-se o expoente da força, guerra, proteção e divindade. Por ser negra, os antigos acreditavam que era a poderosa sombra dos antigos Reis que outrora governavam a Terra. Os mitos dos povos pré-colombianos, amazônicos, africanos e europeus formaram a energia necessária para que o nome, bem como, as qualidades desse felino fossem perfeitas para retratar uma das mais poderosas linhagens de Exu: Os “Exus Pantera Negra”.
PONTO PARA GUERREAR
Ninguém pode com o bicho
Ninguém pode com a fera
Eu quero ver quem é que pode
Com a falange do Pantera
Ninguém pode com o bicho
Ninguém pode com a fera
Eu quero ver quem é que pode
Com a falange do Pantera
PONTO DE CHAMADA
Ele vem vindo por trás da bananeira (X2)
Saravá seu Belzebu, Exu Pantera Negra (X2)
• REFERÊNCIA:
COPPINI, Danilo, Quimbanda – O Culto da Chama Vermelha e Preta. 4.ed. São Paulo: Via Sestra, 2023.
Exu Pantera Negra
Quando qualquer kimbandeiro pensa na Linha dos Caboclos Kimbandeiros, é quase impossível não pensar no Senhor Pantera Negra, pois ele é o chefe desta linha. Ouvir o nome “Pantera Negra”, faz com que o cérebro humano possa associar com um felino de grande porte e pele escura, cuja presença causa enorme impacto e temor por muitos. O Exu Pantera Negra é um espírito com alto envolvimento com a cultura indígena, um guerreiro da tribo, caçador e feiticeiro. Há muitos pensamentos a respeito do motivo do nome de batismo ser “Pantera Negra”, mas ao analisar tribos indígenas, encontramos povos que dão nomes de animais aos bravos guerreiros da tribo, principalmente num aspecto mais xamânico, onde o animal do poder em que a pessoa tem ligação pode passar a ter o nome daquele mesmo animal. O nome Pantera Negra nos traz o sentido do que possui enorme coragem, agilidade e também costuma ser terrível.
Este Exú tem enormes forças para vencer demandas, pode realizar trabalhos de ataques, tendo estilo de comportamento ligado a Pantera. Esta entidade tem o poder de curar doenças consideradas incuráveis, além de possuir um poder de enriquecer quem a ele recorrer. O fato dele participar da Linha dos Caboclos Kimbandeiros não é atoa, pois é uma das linhas de espíritos que se apresentam como índios, possuindo especialidades nos trabalhos de cura, desobstrução, favorecimento de riquezas materiais e tesouros, são exímios guerreiros.
Pantera Negra não é o nome de uma espécie de animais. É um termo abrangente que se refere a qualquer felino grande e com pelo preto. Esta condição de cor é causada pelo gene agouti, que regula a distribuição do pigmento preto dentro da haste do pelo, de acordo com a Universidade da Califórnia em Davis. É mais conhecido nos leopardos, que vivem na Ásia e na África, e nas onças-pintadas, habitantes da América do Sul.
De acordo com o Big Cat Rescue, a coloração é ocasionada por uma melanina excedente, um animal que acaba adquirindo esta condição é conhecido como “melânico”. Na Kimbanda à legião “Pantera Negra” são idênticos ao animal, agem de forma veloz, agressivos, preferem ficar isolados, costumam se movimentar silenciosamente. O animal Pantera Negra possui uma das mordidas fortes e letais no reino animal e ostenta unhas afiadas como sua forma de arma natural.
A linha dos Caboclos Kimbandeiros é comandada pelo seu chefe Exu Pantera Negra e são componentes desta falange espiritual:
1. Exu 7 Cachoeiras
2. Exu Tronqueira
3. Exu 7 Poeiras
4. Exu das Matas
5. Exu 7 Pedras
6. Exu do Cheiro
7. Exu Pedra Negra
》Pomba Gira – Da Figueira.
Cada uma destas entidades citadas, possui diversos espíritos subordinados a eles. São os principais seres que administram e estão mais próximo do trono do Reino das Matas.
PONTO CANTADO DE CHAMADA
Vermelho é a cor do sangue do meu pai
E verde é a cor das matas
Vermelho é a cor do sangue do meu pai
E verde é a cor das matas
O Saravá o Exu Pantera Negra
O Saravá as matas que ele mora
PONTO CANTADO PARA PROTEÇÃO
Eu vou fazer magia negra e um pacto com cão
Eu vou fazer magia negra e um pacto com cão
Eu vou chamar Pantera Negra que é pra minha proteção
Eu vou chamar Pantera Negra que é pra minha proteção
OFERENDA
Elementos necessários:
✓ Um alguidar grande
✓ Milho vermelho
✓ Um pimentão verde
✓ Uma cebola
✓ Azeite de dendê
✓ Sete charutos
✓ Uma vela branca
✓Cachaça
MODO DE PREPARO – lave o alguidar com um pouco de cachaça e espere secar. Corte bem picadinho a cebola e o pimentão, misture com o milho vermelho em uma panela, torre no azeite de dendê (não deixe ficar preto) e depois ponha no alguidar. Caso não tenha assentamento leve para uma boca de mata ou subida de uma serra que tenha trilhas, ponha o alguidar no chão (ou use folha de bananeira), acenda sete charutos em volta fazendo seus pedidos e arrumando eles na borda do alguidar. Despeje cachaça em volta do alguidar e acenda uma vela branca ao lado, fazendo seus pedidos ao Exu Pantera Negra.