Trabalho com fundanga para atingir alguém

Caros feiticeiros e aprendizes;
Dentro da Kimbanda lidamos sempre com a magia e ela pode ser usado para fins maléficos e benéficos dependendo de como o kimbandeiro deseja direcioná-la.

Nesta matéria iremos aprender a trabalhar com a fundanga (pólvora) no intuito de atingir uma pessoa. Ser atacado por um ponto de pólvora poderá abalar os campos de proteção e queimando até mesmo a áurea da pessoa, além de alguns casos adoecer a infeliz vítima, por isso seja consciente na maneira que deseja utilizá-la para que não se arrependa amargamente.

VAMOS A PRÁTICA!
Em um local apropriado, de preferência em um terreiro ou templo de magia, traça-se no chão com pemba vermelha e, por cima dela, com pemba preta, um ponto de qualquer EXU que deseja trabalhar no intuito de atacar alguém, recomendamos que utilize uma entidade que você possua maior ligação ou que tenha conhecimento sobre a mesma.

A seguir, por cima do ponto riscado, coloca-se um pedaço de papel branco, liso, com o nome ou nomes da pessoa ou pessoas que deseja atingir.
Deve ser feito com todo o cuidado e muita concentração, cobre-se com fundanga todo o ponto riscado e coloca-se uma boa porção da fundanga, por cima do papel, onde estejam escrito os nomes.
Feito isso, acende-se outro pedaço de papel e taca-se fogo na fundanga, tendo-se o cuidado para não se queimar.

Quando terminar, recomendamos que passe por algum descarrego, de preferência um bom banho de limpeza para evitar que fique fluídos em você.

Lembre-se: ao explodir a fundanga (pólvora), devemos saudar o EXU cujo o ponto riscado pertence e pede-se a ele que tome conta pessoa ou pessoas que queremos atingir,  podendo cantar algum ponto de demanda. Alguns kimbandeiros têm o costume de fazer acordo e quando o pedido é realizado, deixam um agrado pra aquela entidade como forma de agradecimento.




RITUAL PODEROSO DOS PADÊS

Os padês foram introduzidos na Kimbanda através do conhecimento africano e há muitos rituais que envolve este tipo de oferenda. A utilização do padê feito de farinha de mandioca simboliza o elemento terra e dependendo dos outros elementos que são acrescentados eles podem esfriar, esquentar ou equilibrar a energia de um ancestral, pessoa ou lugar.

Nesta receita, usaremos sete tipos de padês para a firmeza e harmonia do Exu e da Pombagira, trazendo uma irradiação positiva, muito indicado para terreiros de Umbanda e Kimbanda.

Você pode cantar sete pontos para Exú e sete pontos para Pombagira, podendo ser os seus ou aqueles que tem devoção, é uma forma de prestar homenagens ou trazer a egregora mais para perto.

VAMOS A PRÁTICA!

Pegue uma pemba vermelha e faça um círculo grande e logo após pegue uma pemba preta e faça um outro círculo grande por dentro do vermelho, deixando a linha vermelha por fora, vejamos o exemplo.

O próximo passo é buscar sete pratos de barro, podendo ser alguidares pequenos e coloque farinha de mandioca branca em cada um, você deverá misturar bem a farinha em cada prato ou alguidares com componentes diferentes.

 

No primeiro padê, coloque um pouco de azeite de dendê preparando uma farofa um pouco úmida;

 

No segundo, ponha cachaça de líquido claro (aguardente) e faça uma farofa um pouco úmida;

 

No terceiro, ponha um pouco de vinho tinto podendo ser suave ou seco e faça uma farofa um pouco úmida. (Se você deseja atrair o lado feminino utilize vinho tinto suave, mas se o seu objetivo é com o masculino, utilize o seco).

 

No quarto, ponha mel-de-abelhas e misture com a farinha fazendo uma farofa um pouco úmida.

 

No quinto, ponha melado de cana-de-açúcar e misture com farinha fazendo uma farofa um pouco úmida.

 

No sexto, ponha um pouco de água e misture bem fazendo uma farofa um pouco úmida.

 

No sétimo, ponha uma rapadura e quebre ela toda fazendo uma farofa misturando com as mãos, caso não encontre rapadura, poderá ser feita com doces antigos (Pé-de-moleque, doce de leite, paçoca).

 

Coloque todos os pratos na linha do círculo. Acenda sete velas vermelhas e pretas nas linhas circulares entre o espaço de um prato para o outro.

 

Desenhe um tridente arredondado de vermelho do lado esquerdo e um preto do lado direito quadrado. Caso tenha dúvidas visualize a imagem ilustrativa que fizemos.

Oferte ao povo da Kimbanda e faça seus pedidos durante o rito.

 

E uma informação importante é que o ritual dos sete padês pode ser feito com outros, colocamos o que sugerimos, mas existe os de azeite doce, groselha, bombons, pimentas e etc.

 

Salve os Kimbandeiros! Salve as Kimbandas!




Exu Sete Cruzes

Conhecido em algumas regiões como “Exu das Sete Cruzes” e nas Kimbandas que possuem egregoras cabalísticas esta entidade recebe o nome de “Merifild“.

 

Em nossa tradição não é o espírito mais indicado para ser invocado ou ser pronunciado o seu nome por pessoas que não sejam altamente preparadas, pois ele é o responsável por buscar as almas após a morte, principalmente daqueles que cometeram suicídios. O autor Aluízio Fontenelle, (já desencarnado), também desaconselha a invocação deste Exu, por ele ser ligado às torturas das almas, inclusive o mesmo afirma que foi este espírito o responsável pelos sofrimentos dos últimos momentos de Jesus Cristo na cruz.

 

Nos templos de magia, costumam recorrer a este Exu nos pedidos que sejam para que alguma pessoa tenha uma morte violenta ou para causar torturas em psicopatas, estupradores e etc. Na Kimbanda existe uma lei férrea que “quem deve paga” e aqueles que ferem também serão feridos, ou seja, quando queremos atacar quem não nos atacou, não há justiça e estamos sujeitos a receber pelo mal praticado. Reitero mais uma vez, alertando que pessoas de mente fracas não trabalhe com este Exu para justamente evitar enlouquecerem.

 

Exu Sete Cruzes é ligado ao Reino dos Cemitérios, responsável por zelar nas entradas dos cemitérios e por receber todos os espíritos de assassinos, cometedores de suicídios ou das maiores atrocidades, por isso este Exu sempre traz na sua presença as almas perturbadoras e em sofrimentos, embora não seja um dos integrantes da Linha de Omolu.

 

Por ser um Exu ligado às mortes, tem o poder de transportar espíritos ou pessoas onde quiser, podendo levá-los a lugares torturadores e fazendo lembrarem de todo mal praticado no passado.

Ponto riscado criado pelo professor Eduardo Henrique Costa.

 

Cantiga para aplicar punições

A cruz do inferno queima 🎶
E meu Exú aparece

A cruz do inferno queima
E meu Exú aparece 🎶

Laroiê Laroiê Laroiê minha Kimbanda 🎶
Exu Sete Cruzes aplica o mal a quem merece

Laroiê Laroiê Laroiê minha Kimbanda
Exu Sete Cruzes aplica o mal a quem merece 🎶

 

Cantiga para chamada

Seu Sete Cruzes é homem forte 🎶
Homem forte ele é

Seu Sete Cruzes é homem forte
Homem forte ele é 🎶

Na força do Maioral ele vem surgindo
O meu saravá pro torturador do Lúcifer 🎶

Na força do Maioral ele vem surgindo
O meu saravá pro torturador do Lúcifer 🎶

 

Cantiga pro Sete Cruzes

Exu das Sete Cruzes
Das Sete Cruzes ele é! 🎶

Carrega as Sete Cruzes,
Auê Auê para o compadre Lúcifer. 🎶




Círculo de proteção para lares

Há muitos espíritos vagantes que tentam se aproveitar para vampirizar pessoas ou atormentar lares, porém existe formas de mantê-los afastados e até mesmo neutralizar as suas visitas, segue abaixo uma receita simples.

 

Pegue um ovo cru de galinha (sem ser quebrado) e um pouco de pó de café.

 

Faça um círculo de pó de café atrás das portas de entrada na sua casa e coloque um ovo cru no meio.

 

Na Kimbanda muitas pessoas renovam a cada sete ou quatorze dias repondo outro pó de café e ovo, despachando o anterior numa boca de mata ou no lixo longe da sua casa. No Candomblé há bruxos que deixam por vinte e um dias os itens para depois despachá-los.

 

É importante a seguinte observação: caso o ovo quebre antes do período em que você realiza a troca, é sinal que alguma energia muito negativa se encontra na casa ou tentou passar pelo seu rito de proteção, nestes casos é aconselhável lavar portas e janelas com ervas preparadas e defumar o local, além de alimentar a energia do guardião do local.




Exu Tiriri é Rei!

A palavra “Tiriri” é um nome de origem Yorùbá cujas origens apontam para as terras de Oyó na Nigéria. É um dos nomes usados como forma de elogio a divindade Èṣù (Deus mensageiro, senhor dos caminhos), no Brasil ficou estabelecido pelo Candomblé como uma das qualidades (atribuições) ao Èṣù que é ligado ao Òrìṣà Ògún que é uma energia também ligado a guerra e os caminhos. Através da miscigenação e corrupção cultural e religiosa, o nome “Tiriri” foi agregado ao culto de Quimbanda (conhecido pelo Candomblé como catiços) e tornou-se popular entre os seguidores das religiões afro-brasileiras.

O significado da palavra Tiriri está intimamente ligado aquilo que é forte, podendo levar a entender que se refere à um homem forte no caminho. Não é atoa que o Exu Tiriri conhecido nos terreiros de Kimbanda por exercer seu poder de domínio nos caminhos, sendo cultuado principalmente com o objetivo de saber “caminhar” fazendo escolhas ou recebendo melhores direcionamentos para evitar tantos sofrimentos ou desencontros com o sucesso é um dos mais populares.

Esta entidade é um dos “senhores das armas”, pois é aquele que ajuda administrar uma armada do Maioral (Vossa Majestade), embora um de seus Reinos principais seja a Encruzilhada, este Exú pode responder e vir por outros caminhos, possuindo títulos correspondentes em seu nome, vejamos:

Exu Tiriri das Encruzilhadas;
Exu Tiriri das Almas;
Exu Tiriri das Matas;
Exu Tiriri do Cruzeiro;
Exu Tiriri da Praia…

Redutos: Encruzilhadas abertas e estradas de movimento, entretanto, recebe nas encruzilhadas de todos os Reinos.

Por ser um espírito que possui um completo domínio sob as linhas do tempo/espaço, permite em suas consultas fazer as pessoas refletirem sobre seus erros e poder consertá-los.
Como o Exu Tiriri é muito voltado a defesa espiritual e o contra-ataque, acaba sendo um enorme aliado em afastar todos os tipos de vícios, pois muitos deles estão na maioria das vezes ligados às obsessões.

As qualidades deste ancestral é de “um lobo em pele de cordeiro”, pois não costuma revelar tudo que sabe, é extremamente voraz e vingativo no momento de revidar feitiçaria e, quando costuma ser chamado para trabalhos de destruição sua falange fulmina com extrema rapidez. Mas deve-se ter cuidado ao pedir, porque é um espírito que só intervém se for realmente para a busca da justiça, é capaz de mostrar essa face de terrível quando constata que houve alguma injustiça. Na Umbanda alguns acreditam que Exu Tiriri pode reger os filhos de Ogum ou de Xangô, devido ser voltado a justiça e o cumprimento das leis astrais.
Embora poucos sabem desta informação, por ser um dos senhores ligado às armas, defesas e guerras, possui domínios nas artes marciais e nas forças armadas, podendo ser procurado para pedir forças durante lutas difíceis.

Segundo algumas antigas lendas, tanto o seu rosto quanto seu corpo foram mutilados devido o cumprimento de pena por crime passional.

Exu Tiriri é o protetor dos amantes e namorados, sua energia é totalmente de um conquistador, rebelde e sedutor, pode ser invocado nos trabalhos de magia que envolva ajuda em sedução e libido incluindo os casos extraconjugais.

 

 

OFERENDAS:

Esta entidade aceita como bebidas o marafo (aguardente), gin e uísque, além de conhaque (principalmente em caso de demandas). E fuma charutos e cigarros.
Existe diversas comidas que podem ser colocadas como oferendas e que já foram postadas neste mesmo site, porém vejamos mais uma diferente:

Pegue o alguidar e lave com aguardente. Ponha farinha de mandioca e misture com a sua mão esquerda tornando uma farofa um pouco úmida, em seguida adicione sete rodelas de cebola roxa em volta, ponha um pouco de pimenta de cheiro, pimenta quente (ardida) e pedaços de bacon (ou barriga de porco) fritos. Por cima, alguns terreiros costumam acrescentar sete bolinhos de carne moída mista (bovina e suína) fritos no azeite de dendê ou, um bife de fígado frito no dendê com cebolas.

É possível acrescentar na oferenda moedas douradas, chave e uma pequena corrente. E por ser um Exu extremamente namorador, algumas tradições entregam rosas vermelhas e cravos.

Embora seja mais comum por diversas entidades entre o Reino das Matas o uso de frutas para oferendas, mas pelo fato do Exu Tiriri responder também nas Matas, pode ser ofertado gomos de jaca e figos regados com licor de anis.

Objetos usados dentro das tradições para esta entidade: espadas, correntes, munições, trilho de trem, punhais, tridentes, moedas antigas, chaves usadas, cadeados, bengalas e chapéus.




Feitiço para atrair riquezas (Ideal para o final de ano)

Este é um feitiço muito prático com o Exu do Ouro para sua vida prosperar e abrir as portas da abundância.

Ingredientes:

7 pedras pequenas de pirita
7 padês de mel enrolados cada um em um morim amarelo
7 moedas douradas
7 velas amarelas
30g de erva abre-caminho (frescos)
7 folhas da fortuna
Essência de alfazema.

Modo de preparo:
Pegue 2 litros de água e coloque dentro as ervas e folhas macerando bem com a mão direita, deixe as sete pedras de pirita na água (elas devem estar lavadas com água e sal grosso antes), ponha no sol ou ar livre pelo mínimo de 3 horas. Logo após, coe o banho, coloque sete gotas de essência de alfazema, e retire as pedras, ponha o líquido dentro de uma garrafa e reserve-a.

Vá para uma local bem próspero pela madrugada, a cada esquina que passar pegue uma vela e passe em seus pés e mãos e acenda oferecendo ao Exu do Ouro, dizendo:
“Exu Koba Koba, companheiro e amigo fiél, que está aqui e esta lá em todo, venha ao meu chamado Exu do Ouro, traga riquezas e prosperidade para minha vida”. Abra um dos morins que esteja com padê de mel e deixe ao lado da vela (um pouco afastada para não pegar fogo no pano), passe a pedra pirita pelos seus pés e mãos e coloque em cima do padê, junto com uma moeda.
Percorra sete encruzilhadas fazendo o mesmo ato e na última ao terminar, pegue uma garrafa com o banho e vire ela da cabeça para baixo pedindo sorte, abertura de caminhos e muita prosperidade.

 

Cantiga

Eu vou chamar um Exú que vai me ajudar
Exu do Ouro vem pra trabalhar
Eu vou chamar um Exú que vai me ajudar
Exu do Ouro vem pra trabalhar

Exu do Ouro corre corre encruzilhadas
Traga agora agora agora a prosperidade que faltou
Exu do Ouro corre corre encruzilhadas
Traga agora agora agora a prosperidade que faltou

 




Banho para despertar romantismo

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Este banho é bastante relaxante e ao mesmo tempo é ideal para as mulheres que desejam ativar energias que lhe ajudam a proporcionar romances.

Ingredientes:
1 litro de vinho tinto suave
500ml de vodka
1 essência aromática de cerejas
7 gotas de mel-de-abelhas
7 folhas de canela (caso não tenha pode ser em pau).

Modo de preparo:
Ponha tudo dentro de uma garrafa grande, de preferência que seja de vidro (podendo pintá-la ou cobrir com um pano vermelho, podendo ser até algum que tenha sido ofertado a Pomba Gira). Adicione entre 14 a 21 gotas de essência de cereja, mantenha todos os itens dentro da garrafa por 7 dias, depois poderá utilizar este banho do pescoço para baixo.

Recomendamos que antes de utilizá-lo, é viável arriar um uma oferenda para Pomba Gira, exemplo:

Caso seja uma mulher de vinte e dois anos de idade e tenha mais afinidade com a Pomba Gira Menina, poderá preparar um padê de bombom e por uma rosa vermelha por cima, borrifando o aroma de uma perfume doce. Prepare o banho e deixe ao lado da sua oferenda que poderá está de frente pro assentamento da Pomba Gira ou próximo ao altar, pois isto ajuda a encantar e fazer com que o próprio ancestral direcione energias e impulsione o efeito.




Prática para impedir maus espíritos na casa ou nos quartos

Primeiramente é necessário que todos os integrantes tomem banhos de descarrego, pois possa ser que a energia individual esteja atraindo más companhias e, aquele que for fazer todo o ritual deve tomar banho de descarrego novamente ao terminar.

Faça um chá de folhas de bambuzais e quando estiver morno, use para lavar o chão da casa, portas e janelas e todas formas de entradas, para não ficar um mal odor no local, ao terminar poderá borrifar essência de alfazema ou flores de laranjeira.

Pegue galhos de arruda e varetinhas de bambuzais ponha em formato de cruz amarradas por palha da costa e deixe do lado de fora de cada porta e janela, caso seja apartamento, pode ser pelo lado de dentro, depois de três dias despache na boca de mata, levando sete moedas e oferecendo pro Exu das Matas pedindo que leve todos os males embora, e evite o mesmo local por 21 dias.




Exu do Lodo

Para compreendermos melhor sobre esta entidade, é necessário refletir sobre o lodo… é uma das formas populares de designar todos os sedimentos rochosos cobertos pelas águas dos rios, lagos, pântanos e mar. É comum a associação do lodo com a lama que é uma mistura pastosa da terra com água, porém, por ser rico em alguns tipos de minerais e outros componentes naturais, pode servir de habitat para várias espécies, como por exemplo, o saltador-do-lodo. No Brasil é comum encontrar o lodo nas redes de esgotos.

Imagem: Freepik.

O lodo é formado em ambientes úmidos que representam as impurezas, ou seja numa cachoeira onde a água corre livremente não há lodo, só há lodo onde à infiltração e umidade constante que não é limpo (tais lugares com energias negativas, essas energias se assemelhariam ao lodo). O Exu do lodo entraria nesses lugares “carregados” e faz a limpeza dessas energias, tirando o lodo ruim (energia ruim) e restaurando o lodo bom e limpo (energia positiva). Costuma ser invocado nas correntes espirituais para carregar consigo os entraves materiais que poluem seus adeptos.

Esta entidade pertence ao Reino das Águas. E quando paramos para pensar em água dentro da Kimbanda, precisamos refletir que é um elemento receptivo e negativo, associada ao magnetismo e à atração. As águas são conhecidas a nível universal na magia como “unificadora dos mundos”, pois é encontrada em diversas dimensões e em muitos rituais é usada para abrir a face para o oculto, alguns ocultistas fazem ritos para lavar as vistas proporcionando adivinhações e visões. Por ser unificadora, tem fortes associações com o Reino dos Mortos e com o subconsciente. A terra também possui polaridade negativa e densidade superior aos demais elementos, o que lhe garante o poder das formas. É um elemento limitador e aprisionador.

De forma esotérica os aspectos dos dois elementos, entendemos, que o lodo nada mais é do que a “terra destruída” (materialidade) coberta de água onde o ventre das formas é esterializado. Os dois elementos unidos são parte da alquimia da natureza. Espiritualmente é o local para onde os espíritos chafurdados na materialidade são atraídos.

Ponto riscado usado para socorro, resgatar ou retirar as pessoas das situações difíceis, tanto no âmbito material, como, emocional e espiritual.

Exu do Lodo costuma trabalhar para as energias paradas e ajuda em processos sem andamentos. Sua grande força está ligada a união das águas com a terra e no limo das pedras, onde é formado o lodo. Pode ajudar em limpezas de descarregos e principalmente em doenças de pele. Também vibra na falange de Exus ligados as Almas. Na Quimbanda ele pode proporcionar a compreensão sobre o desapego material e a necessidade de um constante embate contra o sentimentalismo e o medo do invisível. Por ser um espírito muito antigo e ligado à um lado da natureza mais silencioso, em suas manifestações se apresenta como um grande sábio, porém, de poucas palavras.

Os espíritos da linha das almas, costumam se apresentar curvos e com dificuldades, pois tem uma energia pesada e a maioria usam aparências de velhos feiticeiros. Praticamente todos os espíritos desta linha foram, padres, bispos, bruxos, magos ou feiticeiros em suas vidas na terra. Quando o Exu do Lodo se manifesta (por intermédio de um médium), ele está agachado como se tivesse dificuldade para se levantar, mas na realidade se locomove com rapidez.

Esta entidade trabalha na transmutação de energias, transformando o lado negativo em positivo. Motivo de usar muito a cor preta que representa a transformação. Em sua manifestação, pode trazer chuvas consigo. É a resposta que ele está atento e presente. Ele se chama lodo pois representa a força da vida mesmo em meio as dificuldades, ou seja, que mesmo em meio a podridão do mundo esse Exu tem boa energia e também tem, outro significado, que quando o consulente estiver no “lodo” esta entidade vai tira-lo de lá, representa tanto a força do Exu quanto o estado de espirito em que se encontram as pessoas que pedem auxilio a ele.

Foto: Imagens Bahia.

Nas imagens usadas para Exu do Lodo é de um homem, agachado como se tivesse dificuldades em se locomover. Traz a representação de um campo extremamente negativo em que exerce suas funções onde os homens não poderão contar mais com a locomoção, o equilíbrio e a sensação de materialidade.

Dentro da feitiçaria há um ditado que costumam dizer que Exu do Lodo, nas magias para fins destrutivos, afunda a vida de suas vítimas, carregando-as para o lodo/lama. Esse Exu usa correntes negativas e destrói a vida material, arrancando das suas vítimas a estabilidade financeira. Em contrapartida, pode atuar retirando uma pessoa desse mau estágio e fornecer um caminho, tirando da lama e dando a oportunidade de ser acompanhada possivelmente por uma outra entidade.

Devido aos conceitos magnéticos, a relação desta entidade com os mortos está vinculada aos presídios astrais onde os devedores e escravos são esgotados e escravizados. Uma de suas importantes funções é na captura das almas que são atraídas para esses campos astrais.

Há alguns mestres de Kimbanda que afirmam que esta entidade tem afinidade com os Exus, Maré, Sete Infernos, Exu Rei da Praia, Exu Sete Correntes, Capa Preta, Sete Infernos e até Tata Caveira.

Ponto riscado usado em trabalhos de limpeza energética. Traz um enorme significado esta simbologia, pois demonstra a plenitude de seus poderes. Usado nos trabalhos de feitiçaria que visam erguer ou afundar as pessoas, bem como, atraí-las para o reino do Lodo.

Nas praias, rios, ou cachoeiras – devemos pedir licença ao Exu do Lodo, pois sempre há lama nos arredores.

PONTO CANTADO PARA EXU DO LODO

QUANDO CHEGA MEIA-NOITE 🎶
EXÚ DO LODO NA UMBANDA CHEGA
ELE VEM DO CEMITÉRIO
VAI SAIR NA LUA CHEIA 🎶

QUANDO CHEGA MEIA-NOITE 🎶
EXÚ DO LODO NA UMBANDA CHEGA
ELE VEM DO CEMITÉRIO
VAI SAIR NA LUA CHEIA 🎶

EXÚ DO LODO É 🎶
MEU COMPADRE NA UMBANDA
EXÚ DO LODO VEM
VEM ALEGRAR A NOSSA BANDA 🎶

EXÚ DO LODO É 🎶
MEU COMPADRE NA UMBANDA
EXÚ DO LODO VEM
VEM ALEGRAR A NOSSA BANDA 🎶

 

REFERÊNCIA:
COPPINI, Danilo, Quimbanda – O Culto da Chama Vermelha e Preta. 4.ed. São Paulo: Via Sestra, 2023.




Influências literárias na Kimbanda

A Kimbanda é uma tradição que no Brasil vira alvo frequentemente de polêmicas entre sacerdotes de matrizes afro-brasileiras sobre as suas práticas e surgimentos, porém não podemos deixar de evidenciar que muitas influências surgiram da literatura brasileira e nesta matéria terei o intuito de esclarecer alguns pontos importantes e se realmente a Kimbanda é o que os sites famosos de pesquisas afirmam.

Texto • Prof. Eduardo Henrique Costa

COMEÇANDO PELO NOME

Kimbanda e Umbanda são separadas apenas por palavras, o objetivo de ambas é voltado para cura. A própria palavra “Kimbanda” é associada diretamente a cura e o sacerdote ou mestre desta tradição é definido como um curandeiro espiritual de um terreiro, sendo esta a prática ancestral, principal de seus praticantes.
Na Umbanda percebemos este mesmo objetivo quando visitamos um terreiro e podemos visualizar ritos como defumações para o bem-estar “pro mal sair e a saúde entrar”, passes espirituais feitos pelas entidades espirituais que possuem a mesma finalidade que o Reiki (envios de energias), benzeções e entre outras práticas que nos leva a refletir que a cura é o princípio da harmonia.

Infelizmente mesmo com tamanhas riquezas a Kimbanda não manteve este significado, ficou conhecida a nível global de forma errônea como “Culto de Magia Negra”, a definição traz uma afirmativa de que as práticas têm caráter maléfico e destrutivo, mas na prática não faz o menor sentido se a Kimbanda é como as pessoas dizem, por que teria caboclos e pretos velhos nesta tradição? E por quê na prática um Exu pode curar de uma doença desconhecida e trazer harmonia em meio aos conflitos? Afinal por quê tamanha separação entre Umbanda e Kimbanda? Cada dia que se passa as pessoas criam mil barreiras para afirmar de quê um umbandista não pode ser um kimbandeiro, pois não daria para ser bom e mal ao mesmo tempo… O pensamento de que Kimbanda é maléfica posso afirmar ser totalmente uma loucura, pois o fato de existir alguém ruim não é culpa da tradição, assim como não é culpa da religião existir pessoas de mau caráter mesmo com códigos morais e tamanhas filosofias.

Esta guerrinha de bem e do mal, é coisa material e do próprio ego e da arrogância. Achar que as entidades de Umbanda luta contra as de Kimbanda é uma tamanha ignorância. Em toda tradição que tenha como finalidade a cura da alma e de locais, pode-se existir a prática da caridade ou do bem, são questões que depende mais do praticante do que da linha, pois não há impedimento.

OLHA A MACUMBA AÍ!

Arthur Ramos (1903 à 1949).

Para entendermos os primeiros conceitos ligados a religiosidade afro-brasileira, podemos citar uma das figuras importantíssima neste processo: Arthur Ramos foi um grande autor, antropólogo brasileiro, médico psiquiatra, psicólogo social, um dos pioneiros que usou da psicanálise para investigar a mentalidade e cultura dos brasileiros, o mesmo apresentou explicações detalhadas sobre a macumba, onde ele foi capaz de observar através de estudos em diversos terreiros que ele pesquisou chegando a conclusão que não existia apenas um tipo de prática, ele definiu que existia diversas linhas, entre elas havia a Umbanda e a Kimbanda, nesta parte conseguimos entender que estas duas também são macumba. Mas a macumba não é uma definição de maldade, é um nome genérico usado para se referir a diversos ritos religiosos que eram praticados por africanos, seus descentes, ex escravizados e era comum ser uma reunião de pessoas pretas. Algo que sempre costuma ter em comum dentro da macumba é o catártico; praticantes que entram em transes, há danças, cantigas, sons de instrumentos, bater palmas… e procuram buscar através destes rituais a cura para os males, seja físicos, psicológicos e espirituais. Posteriormente houve a entrada dos brancos dentro das práticas e quando a Umbanda já estava começando a se formar como religião, esta teve uma enorme participação da classe média, de grupos egocêntricos, puramente racistas para sermos mais exatos, precisavam eliminar estes elementos catárticos e toda prática densa, se aproximando mais do Cristianismo, surgindo aquelas emblemáticas frases “a Umbanda pratica o bem e a Kimbanda pratica o mal”, criando um enorme muro que separava a Umbanda da Kimbanda, porque os umbandistas da época estavam preocupados em ser mais aceitos pelos europeus e queriam eliminar tudo que fosse provocar afrontas ao Cristianismo e podemos perceber que a entrada do Espiritismo Kadercista dentro da Umbanda, também foi algo que era muito mais aceito pelas pessoas, não chegando a tais níveis de exclusões da sociedade como era com a macumba no geral. A Umbanda limitou seu culto aos Exús e Pombas Giras, ficando a Kimbanda responsável por mais expressiva profundidade no culto destes seres. Mas isto não significa que toda Kimbanda não teve influência da cultura européia, e logo seremos capazes de perceber um exemplo emblemático praticado por algumas.
A ideia do bem não estava apenas associada às condutas, mas a qual cor fisicamente se tinha, não é atoa que o negro era sempre visto como um ser de maldades e o branco como “detentor da paz”, caso ache isto um exagero, visite algumas lojas de artigos religiosos de Umbanda e pasme ao reparar imagens de deuses negros com cor branca, diga-se de passagem eu costumo até mesmo dizer que se o Cristo não tivesse suas imagens como um europeu, quase ruivo, dificilmente seria visto como algo santo… Retornando ao assunto: diferente da Umbanda, a Kimbanda não aceitou ceder as pressões do Cristianismo e até hoje é vista como algo afrontoso, maléfico, ou como muitos chamam depois da separação com a Umbanda e Kimbanda como “linha de esquerda”. Para os caros leitores e alunos possam entender da melhor forma, um Preto Velho pode se manifestar pela direita ou pela esquerda, porque isto não é uma lei espiritual, é algo criado pelos humanos para definir o que era do bem, mas as entidades mostrava cada vez mais que isto não fazia sentido. Não podemos dizer que foi apenas um único tipo de macumba influenciada por este conceito, percebemos que houve várias, como por exemplo, Culto da Jurema Sagrada e o Catimbó, até mesmo nas religiões com influências xamânicas vemos algumas consideradas de direita por terem santos católicos, rezas do Pai Nosso e as práticas que não tem, como linha de esquerda ou “fundo”.

Para visualizar em um melhor tamanho, clique em cima da imagem.

Disponível em: Google. Acesso: 7/10/2023.

Você já andou pela rua e viu pessoas afirmando de quê “se a macumba fosse bom, seu nome não seria má – cumba”… Toda vez que alguém diz isto eu vejo que falta estudar história, português entre outras matérias que faria não cometer tamanha babaquice.

Imagem: Extraida da internet. Conteúdo do ano de 1941.

E você já se perguntou quem é que foi o autor que trouxe este argumento da Kimbanda como maldade e Umbanda como bondade? Porque tudo costuma ter uma origem ou influência de alguém e de acordo com os meus estudos: foi Lourenço Braga em 1941, na sétima sessão do primeiro Congresso Espírita de Umbanda.
Braga apresentou conceitos de que os trabalhos para fins benéficos estavam contidos na Umbanda e na Kimbanda seria os que fossem para fins maléficos, posteriormente esta representação feita foi o motivo de surgimento de seu livro “Umbanda (Magia Branca) e Quimbanda (Magia Negra)“, publicado no ano de 1942, podemos defini-lo como um dos primeiros autores a impregnar estes conceitos de linhas do bem e do mal.
Antes da publicação do livro de Lourenço Braga, já existia afirmações sobre magia branca para o bem e magia negra ser para o mal, através do autor Noel de Souza sobre as sete linhas de Umbanda (por volta do ano de 1938), trazendo relatos em seus jornais.

Livro de Lourenço Braga.

Quando paro para refletir sobre o que Braga viu de tão mal na Kimbanda, na verdade não se tratava da tradição, era as pessoas que buscavam os terreiros para pedir coisas materiais… E com os sucessos de vendas de seu livro, o Cristianismo ganhou tantas forças que houve o lançamento de um livro no ano de 1952 de um famigerado Aluizio Fontenelle , onde o título de seu livro foi “Exu”. Vejamos;

Livro lançado pela editora Espiritualista no ano de 1975.

Em seu livro ele comparou as entidades que vinha na Kimbanda com os seres da Goetia, além de colocar tacitamente Exú como o próprio Diabo, aquele que se encontra contido no imaginário popular: que usa chifres, rabos, espeta pessoas e foi condenado a vagar pelo mundo. Fontenelle usou de diversas páginas para dizer sobre si mesmo no que ele se autoavaliou como alguém muito sábio capaz de julgar as entidades e defini-las, Fontenelle de forma absurda nega a própria origem da palavra Exú e afirma que não tinha vindo da África, desta maluquice nasceu os pensamentos de que Exú era o nome que estava na Bíblia dos cristãos. Como se não bastasse, o mesmo afirmou que este nome tinha sido dito por Deus numa língua (não conhecida pelos humanos) e estas babaquices de teorias sem nenhuma fundamentação básica, infelizmente é copiada até os dias atuais. Uma certa vez no ano de 2018, conversei com um rapaz que se dizia mestre em Kimbanda, o mesmo me disse que Exú estava nas escrituras em hebraico, me causou estranheza pois eu sou um pesquisador e especialista no idioma hebraico, e disse que encontraria com o nome de “Yesú”, talvez ele tenha desenvolvido este pensamento ilusório graças a Fontenelle. O que muito podemos perceber na Macumba é que muitas definições vinham do misticismo popular, e trouxeram de tal forma o Diabo para dentro da Macumba, que em pleno século vinte e um, há macumbeiros que até acham que estão cultuando o Diabo, infelizmente.

Oras, não estou aqui para condenar aqueles que cultuam o Diabo, apenas estou trazendo fontes de pesquisas que explicam de onde veio certos textos muitos idênticos no qual conhecemos nos dias atuais: Quimbanda, o lado negativo da Umbanda. Reitero que boa parte dos preconceitos com a macumba é ligado a cor sim! Tanto que no próprio folclore brasileiro, há pessoas que acreditam que o Saci Pererê é o próprio Diabo, mas afinal por quê isto? Tem personagens muito mais levados do que ele, mas veja, o Saci é…? Preto!…

Aluizio Fontenelle fez diversas comparações e colocou Exú como o próprio pecado original e que teria tentado Eva e Adão no Paraíso, o autor ainda relata sobre uma rebelião causada por Lúcifer e que o povo expulso era “Exud” uma língua que apenas ele sabia (risos), concluindo em suas teorias de que estes seres foram condenados a viver nas profundezas da Terra, levando a entender que existe Exús na Terra por conta de uma maldição lançada pelo próprio Deus. É bem provável que ele tenha sido um cristão, pois fez muitas referências a Trindade, saudando em seu livro, esta ideia foi copiada por diversos autores posteriormente e que fez muitos sincretizarem os Exús com os Daimons da Goetia.

Afirmar que Exú é um demônio, é a mesma coisa que dizer que Ogum é São Jorge, são apenas comparações, mas não significa que é tudo igual. Expresso meu pensamento de que o sincretismo ele não é ruim exatamente, mas quando ele se junta e acha que tudo é uma coisa só, acabamos perdendo a essência, as raízes de nossa cultura. Mas e a Kimbanda que muitos chamam de Luciferiana? Seria coisa do capeta? Sem muitos rodeios, se fomos analisar a palavra “Lúcifer” de forma básica significa o portador da luz, em algumas culturas citam este nome como de um deus Vênus, também houve muitas pessoas em épocas antigas com o nome de Lúcifer, assim como existiu diversos com o nome de São Cipriano. Há certas coisas que são simples de entender, mas as pessoas gostem de complicar.