Exu Cainana

Esta entidade possui origem na cultura indígena brasileira, sendo aquele que é meio serpente e meio homem. O culto a este espírito se deu dentro da Kimbanda com o surgimento da Linha dos Caboclos Kimbandeiros, suas origens está ligada a lenda dos filhos gêmeos da serpente boiçú, que nos aponta um certo direcionamento do porquê na cantiga das mais conhecidas deste Exú, cita “Exu Cainana, que te matou Cainana?”, é um conto muito antigo da região Amazonas no território brasileiro, vejamos:

“Há muito tempo atrás quando os deuses indígenas ainda reinavam nesta terra, o maior entre eles criou três espiritos que tinham a forma de serpentes. Esse deus se chamava Yamandú.
E era ele que governava sobre todas as divindades. As três serpentes sagradas eram Boiçú (a cobra grande), Boiúna (a cobra negra) e Boitatá (a cobra de fogo).
 As três eram muito temidas pelos índios, pois eram terríveis.
Um dia a serpente Boiçú estava nadando nas águas de um rio quando viu próximo a margem uma belíssima índia que se banhava. Boiçú tinha o hábito de engolir todos os homens que encontrava, mas a Índia era tão bela que ele se apaixonou.
Boiçú usou seus poderes para se transformar em um homem e a beleza de sua forma humana era tão diferenciada devido ao encanto que a índia quando o viu também se apaixonou.
Ela tanto falava com o homem, mas ele não falava nada. Apenas a olhava com uma expressão de desejo no olhar.
 Boiçú e ela se amaram naquele local, mesmo estando nas águas do rio. Após terem se envolvido sexualmente, o feitiço se desfez e o homem voltou a sua forma de serpente.
A índia quando percebeu que estava abraçada a uma serpente, ficou assustada e desnorteada, desesperada correu para longe, voltando para sua aldeia.

 Dias depois ela descobriu que estava grávida e como ela era jovem, não teve coragem de contar para os seus familiares sobre o que havia ocorrido.
Com o passar dos meses a barriga cresceu e a aldeia inteira quis saber quem era o pai da criança. Mas ela se negava a falar.
 Foi então, que chamaram o Pajé para falar com ela. Como ele era um homem iniciado numa magia muito antiga, usou de seus meios para fazer ela dizer a verdade.
O Pajé ficou muito preocupado quando soube que ela estava grávida da serpente Boiçú. Ele acompanhou toda a gestação usando de sua pajelança para apaziguar os espíritos que estavam crescendo dentro do útero da jovem.
 No dia do parto houve uma surpresa, não haviam crianças, o que saiu de dentro dela foram duas cobras: uma branca (macho) e uma preta (fêmea).
O Pajé quando viu a índia na esteira e as cobras no chão diante das pernas que estavam abertas da mãe, reparou que elas rastejavam sem enconstar com as cabeças no solo, e por isso as chamou de “Boi-Caninana”, que significa “serpente que tem a cabeça erguida”.
A índia então as batizou de Caninana. Ela manifestou o desejo de ficar com as duas Caninanas, mas o Pajé a alertou que elas teriam o caráter de Boiçú e que era muito perigoso ficar com elas na aldeia.

A índia muito triste, foi até um rio e deixou as duas na margem.
O Pajé realizou feitiços para fazer as serpentes se afastarem e elas foram embora. O tempo passou e elas cresceram, ficaram gigantescas do tamanho do pai Boiçú. E assim como ele, as duas cobras tinham o poder de se transformar em gente.
Eles então se transformavam e iam para as festas nas aldeias, além de visitar os povoados dos homens brancos.

Por viverem muito entre esses homens brancos, a cobra macho recebeu deles um nome português de ‘Norato’ e a fêmea de ‘Maria’. Maria Caninana e Norato Caninana.

Eles dois eram como unha e carne, viviam juntos. Norato era um galante, ele amava se transformar em gente para seduzir as moças. Diferente da Maria que era perversa, em forma de cobra ou de mulher, ela só fazia maldades.
Quando ela estava em forma de cobra matava os bichos da floresta, os peixes do rio, virava as embarcações e engolia os pescadores.
Quando estava em forma de mulher, seduzia os homens e os levava para o matagal, onde os matava ou ia para o rio onde os afogava.

Norato amava Maria, mas ele mesmo tinha medo dela. Ela fazia coisas monstruosas, maldades inimagináveis com todas as criaturas que cruzavam seu caminho, herdando o lado monstruoso de seu pai, diferente que Norato que ficou com lado mais sedutivo e de desejos.

Um dia Norato tomou coragem e quando Maria Caninana estava dormindo em forma de cobra, ele a matou.
Foi o único jeito que ele achou para parar os terríveis massacres.
Maria Caninana deixou sua forma física e se transformou em um espírito encantado.
 Norato seguiu sozinho com uma meta na cabeça de querer deixar de se cobrar para virar homem para sempre. Toda vez que ele se transformava em homem, ele deixava o seu corpo de serpente dormindo na margem do rio e seguia em forma humana para os festejos, porém ele só podia ser homem durante a noite.

Norato tomou coragem e voltou a aldeia de sua mãe, durante uma madrugada, ele procurou o Pajé e perguntou a ele como fazer para abandonar a sua forma de Cobra Caninana.

O Pajé consultou os espíritos e revelou que havia um rito bem simples, Norato devia pedir para alguém ir até seu corpo de serpente e colocar leite dentro da boca, depois cortar a pele da cobra, o suficiente para fazê-la sangrar.
Norato foi até sua mãe e implorou a ela para ir no rio fazer o rito, ela aceitou ajudar e foi, mas quando viu a cobra gigantesca, não teve coragem de se aproximar e desistiu.
Ele passou então a ir todas as noites nas aldeias e nos vilarejos para pedir ajuda para suas muitas namoradas, mas nenhuma delas teve coragem.
Para sua sorte, ele conheceu um homem muito valente.
Norato era tão belo que até os homens o olhavam de um modo diferente.

Esse homem disse a ele que teria a coragem para fazer o rito, e ele fez!
Ele jogou leite na boca da cobra e a cortou com um facão.
O corpo da cobra pegou fogo e desapareceu, Norato se tornou humano.
Ele viveu a sua vida cheia de amores e de festas, até que morreu na sua fase de idade avançada.

Quando morreu se tornou um espírito encantado e voltou para junto de Maria.
São uma dupla encantada, Maria Caninana e Norato Caninana.”

Nas regiões sudeste do Brasil, o nome Caninana virou “Kainana”, Maria, a Pombagira Kainana e Norato, o Exú Kainana. Esta entidade é um Exu dos tempos antigos, possuindo grandes poderes espirituais. Protetor dos caminhantes, dos viajantes, daqueles que trabalham nas estradas, e inimigo das desigualdades sociais. Grande amigo dos que procuram nas necessidades, a maioria dos Exus das florestas, são espíritos muito antigos, que não gostam muito de barulhos e a maioria é de pouca conversa, não gostando de ser chamado por diversas vezes a virem em terra (incorporar). Segundo o Mestre de Kimbanda Alberto Júnior, Exu Kainana ou Cainana, teria uma total ligação com o Exu Cobra que é um dos comandantes das falanges dos espíritos que se encantam em cobras.

 

🎵 PONTOS PARA EXU CAINANA EM DIFERENTES VERSÕES

👉 VERSÃO 1

Exu Cainana, quem te matou Cainana? (2×)
Foi seu Tranca-Ruas, foi seu Marabô, foi Exu do Lodo
Cainana, mas quem te matou?
Exu Cainana, quem te matou Cainana? (2×)

OBS: Nesta primeira versão costuma ser citado diversos Exus pertencentes ao terreiro.

 

 

👉 VERSÃO 2

Exu Cainana, quem te matou, Cainana? (×2)
Na beira do rio, Cainana
Alma já minou, Cainana
Exu Pantera, Cainana, ele não bambeia!
Exu Cainana, quem te matou, Cainana? (×2)…

👉 VERSÃO 3

Exu Cainana, quem te matou Cainana? (×2)
Eu tava na beira do rio, Cainana
Uma cobra me mordeu, Cainana
Eu chamei Seu Exu Cobra, Cainana
Ele é grande amigo meu…

Exu Cainana, quem te matou Cainana? (×2)
Eu tava na beira do rio, Cainana
Uma cobra me mordeu, Cainana
Eu chamei Seu Exu das Matas, Cainana
Ele é grande amigo meu…

Essa cobra é Cainana (×2)
Porque teus pés não me engana
Eu fui no alto da serra, na serra do Amazonas,
Lá no alto eu encontrei, eu avistei Cainana
Essa cobra é Cainana (×2)
Porque teus pés não me engana.

Estatueta minoica da “Deusa das Serpentes”, 1600 a.C., Museu Arqueológico de Heraclião.

CRÉDITOS:

Artistas da imagem destaque: Marcio Takara e Marcelo Maiolo.




Exu Pantera Negra

Quando qualquer kimbandeiro pensa na Linha dos Caboclos Kimbandeiros, é quase impossível não pensar no Senhor Pantera Negra, pois ele é o chefe desta linha. Ouvir o nome “Pantera Negra”, faz com que o cérebro humano possa associar com um felino de grande porte e pele escura, cuja presença causa enorme impacto e temor por muitos. O Exu Pantera Negra é um espírito com alto envolvimento com a cultura indígena, um guerreiro da tribo, caçador e feiticeiro. Há muitos pensamentos a respeito do motivo do nome de batismo ser “Pantera Negra”, mas ao analisar tribos indígenas, encontramos povos que dão nomes de animais aos bravos guerreiros da tribo, principalmente num aspecto mais xamânico, onde o animal do poder em que a pessoa tem ligação pode passar a ter o nome daquele mesmo animal. O nome Pantera Negra nos traz o sentido do que possui enorme coragem, agilidade e também costuma ser terrível.

Este Exú tem enormes forças para vencer demandas, pode realizar trabalhos de ataques, tendo estilo de comportamento ligado a Pantera. Esta entidade tem o poder de curar doenças consideradas incuráveis, além de possuir um poder de enriquecer quem a ele recorrer. O fato dele participar da Linha dos Caboclos Kimbandeiros não é atoa, pois é uma das linhas de espíritos que se apresentam como índios, possuindo especialidades nos trabalhos de cura, desobstrução, favorecimento de riquezas materiais e tesouros, são exímios guerreiros.

Pantera Negra não é o nome de uma espécie de animais. É um termo abrangente que se refere a qualquer felino grande e com pelo preto. Esta condição de cor é causada pelo gene agouti, que regula a distribuição do pigmento preto dentro da haste do pelo, de acordo com a Universidade da Califórnia em Davis. É mais conhecido nos leopardos, que vivem na Ásia e na África, e nas onças-pintadas, habitantes da América do Sul.
De acordo com o Big Cat Rescue, a coloração é ocasionada por uma melanina excedente, um animal que acaba adquirindo esta condição é conhecido como “melânico”. Na Kimbanda à legião “Pantera Negra” são idênticos ao animal, agem de forma veloz, agressivos, preferem ficar isolados, costumam se movimentar silenciosamente. O animal Pantera Negra possui uma das mordidas fortes e letais no reino animal e ostenta unhas afiadas como sua forma de arma natural.

A linha dos Caboclos Kimbandeiros é comandada pelo seu chefe Exu Pantera Negra e são componentes desta falange espiritual:
1. Exu 7 Cachoeiras
2. Exu Tronqueira
3. Exu 7 Poeiras
4. Exu das Matas
5. Exu 7 Pedras
6. Exu do Cheiro
7. Exu Pedra Negra
》Pomba Gira – Da Figueira.

Cada uma destas entidades citadas, possui diversos espíritos subordinados a eles. São os principais seres que administram e estão mais próximo do trono do Reino das Matas.

PONTO CANTADO DE CHAMADA

Vermelho é a cor do sangue do meu pai 🎶
E verde é a cor das matas 🎶

Vermelho é a cor do sangue do meu pai 🎶
E verde é a cor das matas 🎶

O Saravá o Exu Pantera Negra
O Saravá as matas que ele mora 🎶

PONTO CANTADO PARA PROTEÇÃO

Eu vou fazer magia negra e um pacto com cão 🎶
Eu vou fazer magia negra e um pacto com cão 🎶
Eu vou chamar Pantera Negra que é pra minha proteção 🎶
Eu vou chamar Pantera Negra que é pra minha proteção 🎶

OFERENDA

Elementos necessários:
✓ Um alguidar grande
✓ Milho vermelho
✓ Um pimentão verde
✓ Uma cebola
✓ Azeite de dendê
✓ Sete charutos
✓ Uma vela branca
✓Cachaça

MODO DE PREPARO – lave o alguidar com um pouco de cachaça e espere secar. Corte bem picadinho a cebola e o pimentão, misture com o milho vermelho em uma panela, torre no azeite de dendê (não deixe ficar preto) e depois ponha no alguidar. Caso não tenha assentamento leve para uma boca de mata ou subida de uma serra que tenha trilhas, ponha o alguidar no chão (ou use folha de bananeira), acenda sete charutos em volta fazendo seus pedidos e arrumando eles na borda do alguidar. Despeje cachaça em volta do alguidar e acenda uma vela branca ao lado, fazendo seus pedidos ao Exu Pantera Negra.

Ponto riscado




Exu Ganga

A palavra ‘Ganga‘ é uma corruptela da uma palavra africana de origem bantu ‘Nganga‘ que significa feiticeiro. O grupo de seres comandos pelo Exu Ganga são antigos feiticeiros africanos que lutaram contra as imposições do Cristianismo, alguns acreditsm que ao longo desta luta estes espíritos de obscureceram.

A forma de aparição desta entidade é com uma roupagem cinza e preta, a sua presença costuma ser notada pelo forte cheiro de carne podre. Os trabalhos para este Exú são feitos exclusivamente nos cemitério, seja para o bem ou para o mal, podendo o mesmo curar ou matar, conforme a solicitação.
Cabalisticamente é conhecido pelo nome de Damoston, ocupando a posição de quinto comandado do Exu da Meia-Noite, possui alto poder maléfico e não permite traições.

Exu Ganga consegue curar pessoas de doenças desconhecidas, além de ter um alto conhecimento sobre plantas, pós e encantamentos.

PONTO CANTADO

🎶 Se você ver um vulto na mata, bebendo sangue no pé do maricá (bis)
A cobra piando, a coruja vigia, a mata se estraga quando o homem caminha 🎶
🎶 Guia encarnado se apresenta na gira
Seus olhos cor de sangue Exu da cura vem trabalhar 🎶
🎶 Ooo pegou fogo, fogo pegou, Ganga lá no mato eu vou chamar seu Marabô (bis).

 

PONTO RISCADO




Exu Brasa

Exu Brasa é um ser espiritual conhecido nas Kimbandas que possuem egrégoras cabalísticas ligadas à Goetia, pelo nome de Haristum. O apelido “Brasa” deve-se ao fato de este Exu possuir domínio sobre o fogo e a pólvora, sendo muito invocado por conhecedores em rituais de defumação ou em práticas que envolvem purificação pelo fogo.

Esta entidade costuma apresentar-se trajando um manto vermelho, forrado de preto. Seu curiador é o marafo (cachaça), que pode ser misturado com sumo de pimenta. É uma entidade que domina os incêndios e o fogo; nos trabalhos, costuma pedir “Fundanga” ou “Fundunga” (pólvora), acendendo-a com seu próprio charuto. Com a explosão, ocorre o deslocamento e a liberação dos “miasmas” (cargas de más influências), promovendo a purificação do ambiente.

Caso haja o assentamento desse Exu em um local de culto, recomenda-se, ao presenteá-lo, colocar ao lado uma panela de barro ou de ferro contendo um braseiro feito com pequenas pedras de carvão. Em alguns casos, o presente pode ser levado até as ruas, sendo retirado após as brasas se apagarem.

Este Exu é o segundo comandante subordinado a Exu Caveira em grande parte das cabalas quimbandeiras. Como é possível observar, possui domínio total e absoluto sobre o fogo e a pólvora. Vale salientar que, na Quimbanda, é comum relatos de praticantes que ingerem gasolina, caminham sobre brasas ou consomem grandes quantidades de marafo sem se embriagar. Tais atos são compreendidos como demonstrações de coragem e provas de que o espírito está presente.

Possui grande influência nos processos de defumação, pois as ervas são queimadas em turíbulos com pedaços de carvão em brasa. Dessa forma, entende-se que, ao ativar dois elementos positivos e dinâmicos — fogo e ar —, ocorre uma forte descarga energética (ar quente somado às propriedades das ervas), capaz de queimar e dissipar energias nocivas.

Caso se deseje realizar uma oferenda adequada a este Exu, deve-se dar preferência a bebidas de alto teor alcoólico ou fortes, como gim seco e absinto. Quanto aos fumos, aprecia charutos ou cigarros.  

 

Oferenda de comida:

Farofa de farinha de mandioca misturada com cachaça e molho de pimenta-malagueta (alguns acrescentam epô, azeite de dendê). A farofa deve ser colocada em um prato, com sete pedaços de carvão dispostos ao redor. Ao centro, coloca-se carne suína, podendo ser costela de porco crua ou bife de porco, temperada com bastante cebola, pimenta e uma pitada de limão.  

Ponto riscado do Exu Brasa

 

PONTO CANTADO

🎶 Eu vi um caldeirão ferver, é o Exu Brasa que acabou de chegar

Girando e dominando o fogo, da sua morada ele acaba de chegar 🎶 🎶

Exu Brasa é um Exu do Fogo, tudo transforma também pode aniquilar

No calor das chamas saúdo suas forças 🎶 🎶

Laroyê Iná Iná Mojubá Eu vi um caldeirão ferver, é o Exu Brasa que acaba de chegar 🎶 🎶

Girando e dominando o fogo, da sua morada ele acaba de chegar

Exu Brasa é um Exu do Fogo, tudo transforma também pode aniquilar 🎶 🎶

No calor das chamas saúdo suas forças Laroyê Iná Iná Mojubá 🎶 🎶

Eu vi um caldeirão ferver, é o Exu Brasa que acaba de chegar

Girando e dominando o fogo, da sua morada ele acaba de chegar 🎶 🎶

Exu Brasa é um Exu do Fogo, tudo transforma também pode aniquilar 🎶

No calor das chamas saúdo suas forças Laroyê Iná Iná Mojubá 🎶

Esta cantiga usamos depois de saudar o Maioral, para que o Exu Brasa traga força nas chamas de nosso caldeirão.




Exu Pimenta

Conhecido nas Kimbandas de egrégora cabalística pelo nome de Trimasael, Exu Pimenta ocupa a posição de segundo comando sob a regência de Exu Meia-Noite.

Seu nome está intimamente ligado ao efeito de calor, excitação e euforia provocado por sua manifestação — como se o espírito e o corpo fossem atravessados por um banho ardente de pimentas. Detentor dos segredos da confecção dos filtros do amor e dos fundamentos afrodisíacos, Exu Pimenta atua auxiliando na superação das dificuldades cotidianas, na defesa espiritual e no afastamento dos inimigos. As energias que emana são intensas e transformadoras, capazes tanto de queimar demandas quanto de fortalecer aquele que caminha sob sua proteção. Grande conhecedor da alquimia, da liga dos metais e da química espiritual, suas manifestações são frequentemente percebidas pelo forte aroma de pimenta que toma o ambiente. Apresenta-se como um verdadeiro Mago, envolto por vapores densos e sutis. Seu curiador tradicional é o marafo, embora também aprecie bebidas mais finas, conforme o fundamento do trabalho. É um dos guardiões da ancestralidade presente na Kalunga das Matas, mantendo ligação direta com Exu Sete Montanhas e Exu Pantera Negra. Exu Pimenta orienta que suas oferendas sejam depositadas em estradas próximas às matas, em colinas, morros elevados ou grutas, locais onde sua força se manifesta com maior intensidade.

OFERENDA

Elementos necessários:

1 alguidar médio

1 pano vermelho

1 molho de pimenta-malagueta

Azeite de dendê

7 pimentas vermelhas grandes inteiras

7 doses de cachaça (ou vinho tinto suave)

7 velas

7 charutos.

Modo de preparo: Lave o alguidar com um pouco de cachaça e, após secar, forre-o com o pano vermelho. Prepare uma farofa com o molho de pimenta, acrescentando sete gotas de azeite de dendê, deixando-a levemente úmida. Coloque essa mistura no alguidar e, por cima, disponha as sete pimentas inteiras, ornamentando-as com cuidado. Leve a oferenda a um morro alto e coloque-a aos pés de uma árvore. Acenda os charutos, faça seus pedidos e coloque-os acesos dentro do alguidar. Em seguida, acenda as sete velas e derrame cachaça ao redor, firmando suas palavras e intenções a Exu Pimenta. Ao finalizar, retire-se sem olhar para trás.

 

O mistério do nome Pimenta reside no calor e na euforia que sua presença desperta, bem como nas energias emanadas por sua legião, que podem tanto consumir os inimigos quanto estimular forças afrodisíacas. Alguns adeptos relatam sentir o aroma dessa fruta durante a incorporação desse Exu, sinal inequívoco de sua atuação. O poder afrodisíaco da pimenta é capaz de despertar paixões, reacender vínculos e revitalizar relações, e Exu Pimenta realiza esse trabalho por meio de seus pós mágicos, amplamente procurados e respeitados.

 

Quando atua em sua face mais severa, suas energias podem enfraquecer defesas espirituais, causar confusão, cegueira e paralisia temporária àqueles que se colocam em seu caminho. Contudo, quando invocado para a cura, manifesta-se como força vital, promovendo energia, fortalecimento espiritual e longevidade aos seus devotos.  

 

1° PONTO CANTADO

🎶 Passei pelos Sete Reinos, lá no inferno Exu me respondeu (2X)

Salve o povo de Meia-Noite e Cheiroso, foi Exu Pimenta que apareceu (2X) 🎶

🎶 Apareceu apareceu apareceu Exu Pimenta me respondeu (2X)  

 

2° PONTO CANTADO

🎶 Todo mundo quer, mais ninguém aguenta (2X)

E vem chegando a falange do Pimenta (2X) 🎶  

 

3° PONTO CANTADO

🎶 Macumba sem Exu não existe, macumba sem Exú não há (2x) 🎶

🎶 Procura com uma vela acessa igual Exu Pimenta ninguém vai encontrar (2x)🎶  



Ponto riscado




Exu Mirim

Esta entidade manifesta-se na forma de uma criança travessa, que adora brincar e pregar peças. Apesar de sua natureza brincalhona, gosta de ajudar as pessoas e possui grande influência sobre crianças e mulheres. É muito poderoso em trabalhos amorosos e sentimentais, especialmente nas chamadas “amarrações”. Exu Mirim aprecia doces, sendo essa uma das melhores formas de agradá-lo. Nas linhas de Quimbanda com influência cabalística, é conhecido como Serguth, primeiro comandado de Exu Meia-Noite. Costuma se misturar em trabalhos e festas de outras entidades infantis — como os Ibejis, na Umbanda, e os Erês, no Candomblé —, independentemente da religião. É um grande brincalhão, capaz de confundir até mesmo os mais experientes. Quando invocado, costuma aprontar algo, inclusive no plano astral. Há relatos de pessoas que, após cultuá-lo, vestiram as roupas ao contrário sem perceber ou perderam objetos de forma misteriosa. Por sua natureza infantil, exerce forte domínio sobre crianças e pré-adolescentes, auxiliando no desenvolvimento mediúnico, na cura de doenças e na desarticulação de trabalhos espirituais voltados contra os pequenos. Um zelador relatou que, ao realizar um ritual de forma incorreta, acordou com barulhos de marimbas no telhado e crianças jogando pedras em sua janela. Mais tarde, descobriu que Exu Mirim estava irritado e usava as crianças para repreendê-lo. Na feitiçaria, pode produzir efeitos intensos que nenhum outro Exu é capaz de desfazer, pois, segundo a lei da Quimbanda, suas travessuras são consideradas naturais e invulneráveis. Para apaziguar sua energia, desfazer trabalhos ou pedir auxílio, oferece-se doces, brinquedos, guaraná ou licores, evitando assim situações desagradáveis.  

 

Oferenda

Materiais: 1 alguidar médio 1 pano preto 1 pano vermelho 1 garrafa de guaraná 1 vela vermelha e preta 7 doces (preferencialmente escuros: bananada, maria-mole, pé de moleque, cocada, doces de amendoim etc.) Farinha de mandioca Mel de abelhas   Modo de preparo Lave o alguidar com um pouco de guaraná e espere secar. Forre metade com o pano vermelho e a outra metade com o preto. Prepare uma farofa de farinha de mandioca com mel (pode acrescentar farelo de paçoca como enfeite). Coloque os doces por cima, em múltiplos de sete. Caso seja um despacho, leve a oferenda a uma pracinha onde crianças costumam brincar. Cante para Exu Mirim, despeje guaraná no chão formando um círculo, coloque o alguidar no centro e acenda a vela à esquerda. Faça seus pedidos com fé — se houver merecimento, ele responderá com excelentes resultados.  

 

Cantigas

🎶 Exu Mirim criança levada Venha, venha brincar no congá 🎶 🎶 Venha sorrir e da gargalhadas Venha cuidar desta casa e brincar. 🎶

🎶 Exu Mirim criança levada Venha, venha brincar no congá 🎶 🎶 Venha sorrir e da gargalhadas Venha cuidar desta casa e brincar. 🎶

Quando sair Exu Mirim 🎶 🎶Leve tudo que não é daqui Volte sempre e cuide de mim🎶 🎶Pra que eu também possa sorrir  

 

2° PONTO CANTADO

🎶 Mas na lua cheia o malvadinho chegou, que garoto dos infernus, Exu Mirim é quem chegou..  

Ponto riscado

 




Exu Pedra Negra

Cabalisticamente, nas linhas de Kimbanda que possuem agregações com a Goetia, ele é conhecido pelo nome de Claunech.

Esta entidade se apresenta na forma de um cavaleiro elegante e é o décimo sexto comandado do Exu Calunga.
É um grandioso solucionador de questões financeiras, quando invocado, pois possui grande poder sobre a riqueza, protegendo aqueles que enfrentam dificuldades econômicas.

Auxilia também na descoberta de tesouros escondidos. Gosta de frutas, especialmente jamelão, além de vinho tinto, que costuma misturar com mel de abelhas.

Oferenda

Elementos necessários:

Um alguidar grande

Sete bananas

Frutas cristalizadas

Bife bovino

Fígado

Vinho tinto

Farinha de mandioca branca

Sete velas brancas

Sete batatas

Milho torrado

Azeite de dendê

Pipoca

 

Modo de preparo:

Lave o alguidar com água e, após secar, coloque farinha de mandioca branca misturada com vinho tinto, formando uma farofa úmida.

Acrescente por cima um punhado de milho torrado (não queimado), preparado com algumas gotas de azeite de dendê.
Refogue o fígado, o bife e as batatinhas, e coloque sobre a farofa.
Decore com as frutas cristalizadas e finalize com um pouco de pipoca, também usada para enfeitar o prato.

Leve a oferenda ao assentamento ou, caso não o possua, às matas ou serras, oferecendo-a ao Exu Pedra Negra.
Despeje um pouco de vinho tinto ao redor do alguidar, acenda as velas brancas com cuidado e respeito à natureza.
Após concluir, saia sem olhar para trás.

 

Ponto Cantado para Pedidos

🎶
Não sei o que faço,
Não sei o que resolver,
Estou desesperado,
Estou para morrer.

Exu da Pedra Negra,
Vem me ajudar,
Faz entrar dinheiro,
Para me salvar.
🎶

 

Ponto Cantado de Chamada

🎶
Tem pedra na pedreira,
Exu da pedra no terreiro (2x)

Tem Exu, Pedra Negra Quimbandeiro (2x)
🎶




Exu Capa Preta

Esta entidade é o décimo sétimo comandado por Exu Calunga. As atribuições deste Exu consistem em fiscalizar todos os caminhos, podendo provocar desarmonia entre os membros de um terreiro e até derrubar o seu chefe. Sua aparição é descrita como uma capa preta, na qual não é possível ver corretamente sua identidade, daí o nome Capa Preta. Na Quimbanda, ele possui um grande poder maléfico, do estilo faca de dois gumes; isto é, trabalha tanto para o bem quanto para o mal, conforme lhe for solicitado. Cabalisticamente, é conhecido pelo nome de Musifin. Seu “amalá” preferido é carne crua, de preferência carne suína; além disso, seu curiador é o marafo. É um verdadeiro mestre da magia. Deve-se evitar pronunciar até mesmo o pseudônimo dessa entidade.

 

OFERENDA

👉 Elementos necessários: Farinha de mandioca Azeite de dendê Duas cebolas Um coração de boi Sete velas vermelhas e pretas Cachaça Sete charutos Um prato de barro 👉 Modo de preparo: Lave o prato com um pouco de cachaça. Faça uma farofa úmida com a farinha de mandioca e o azeite de dendê. Refogue rapidamente o coração de boi com uma das cebolas picadas em cubinhos e coloque-o sobre a farofa. Em seguida, disponha rodelas de cebola ao redor. Leve ao seu assentamento, a uma encruzilhada ou ao cemitério. Coloque o prato no chão, despeje cachaça ao redor e acenda os sete charutos, fazendo seus pedidos ao Exu Capa Preta. Ao terminar, saia sem olhar para trás.

 

PONTOS RISCADOS

 

 

PONTO CANTADO PARA DEMANDAR

🎶 Quem nunca viu venha ver, caldeirão sem fundo ferver (2x)

Seu Capa Preta das Encruzilhadas (2x) 🎶 🎶

Lá no Cemitério desmancha tudo ainda dá risadas (2x)

Quem nunca viu venha ver, caldeirão sem fundo ferver (2x) 🎶

 

PONTO CANTADO DE CHAMADA

🎶 Não era meia noite quando o malvado chegou (2x)

Com a Sua Capa Preta dizendo que era doutor (2x)🎶

🎶 Mas ele é Exú dizendo que era doutor (2x)

 

PONTO CANTADO PARA CELEBRAÇÃO

🎶 Houve uma festa no inferno Seu Lúcifer convidou todos os capetas 🎶

🎶 Houve uma festa no inferno Seu Lúcifer convidou todos os capetas 🎶

🎶 Seu Capa Preta apareceu de terno Seu Capa Preta de gravata borboleta 🎶

🎶 Seu Capa Preta apareceu de terno Seu Capa Preta de gravata borboleta 🎶




Exu Caveira: O Zelador dos Cemitérios e Guardião das Almas

Nos terreiros de Kimbanda que possuem egrégoras cabalísticas relacionadas à Goétia, Exu Caveira é conhecido pelo nome de Sergulath.
É uma entidade poderosa e respeitada, responsável por zelar pelos cemitérios, sendo reconhecido como o chefe dos campos-santos.

Toda oferenda realizada dentro de um cemitério deve ser dedicada primeiramente a Exu Caveira — e, somente depois, às demais entidades desejadas. Caso não se preste as devidas reverências, o trabalho pode não surtir o efeito esperado.
Por isso, é essencial iniciar qualquer oferenda com o devido cumprimento:

 “Saravá ao Omolu Rei!” (O dono dos cemitérios)
“Saravá ao Exu Caveira!” (O zelador dos cemitérios)

Quando se leva ao cemitério uma oferenda destinada a outra entidade, é necessário pedir licença ao Exu Caveira ao adentrar sua morada, demonstrando respeito sempre que forem entregues “presentes” às demais entidades.

A Manifestação e o Culto a Exu Caveira

Exu Caveira distingue-se das demais falanges de Exus por não possuir hora específica para se manifestar. Ele pode vir tanto à noite quanto durante o dia, embora o momento mais propício para a entrega de oferendas seja a “hora grande”, quando deixa seu trono para realizar suas rondas costumeiras — um instante de grande movimentação espiritual dentro das calungas.

As oferendas destinadas a Exu Caveira devem ser colocadas dentro do cemitério, próximas ao Cruzeiro, à esquerda, sobre uma sepultura preta.
Sua manifestação espiritual costuma ocorrer na forma de uma caveira, símbolo de seu poder sobre o domínio dos mortos e das transformações do espírito.
É uma entidade de força imponente, conhecida por ensinar as artimanhas da guerra espiritual, auxiliando seus devotos a vencer inimigos, superar obstáculos e fortalecer o espírito diante das batalhas da vida.

Durante o transe de incorporação, muitos médiuns relatam sensações físicas marcantes, como dores semelhantes às que ocorrem “nos ossos”, estalos pelo corpo e peso nas pernas, indicando a densidade vibracional de sua energia.
Essas manifestações, contudo, variam conforme a mediunidade e a sintonia de cada médium, sendo reflexos do intenso magnetismo que acompanha a presença dessa poderosa entidade.

 

Campos de Atuação

Apesar de ser frequentemente associado ao portão dos cemitérios — inclusive nas cantigas e pontos cantados —, Exu Caveira não se limita a esse local. Ele pode atuar em qualquer ponto onde haja trânsito de almas, como:

Kalungas de praias e matas;

Cruzeiros e encruzilhadas;

Altos de campinas;

Locais de forte energia espiritual.

Sua presença é imponente e sua força, ampla, sendo capaz de agir tanto nas esferas densas quanto nas mais sutis do plano espiritual.

 

A Relação com Exu Omolu

Exu Caveira é considerado auxiliar direto de Exu Omolu (ou Omulum), também conhecido como Omolu Rei.
Ele comanda sete Exus e supervisiona os trabalhos do Exu do Cheiro, que lidera quarenta e nove espíritos.

“Exu Caveira ajuda a descobrir coisas ocultas, ou coisas impossíveis e desconhecidas aos olhos dos homens terrenos.”

 

Sua função principal é guardar as prisões do astral dentro da Kalunga, onde permanecem as almas em estado de tortura mental — as chamadas sombras da consciência.
Conhecedores de sua força afirmam que ele pode utilizar essas almas em trabalhos de natureza muito densa, capazes de gerar consequências espirituais profundas.
Em seu polo positivo, no entanto, Exu Caveira é um grande agente de cura mental e equilíbrio emocional, agindo sobre tormentos e desequilíbrios internos.

 

Oferenda a Exu Caveira

Essa oferenda também pode ser feita em homenagem a João Caveira.

Elementos necessários:

1 alguidar médio;

1 garrafa de marafo (cachaça);

Azeite doce;

Azeite de dendê;

Vinagre;

Farinha de mandioca;

Bife ou carne de porco crua;

7 velas vermelhas e pretas.

⚠️ Observação:
Qualquer tipo de carne de porco pode ser utilizada, mas evite colocar ossos. Retire-os sempre antes do preparo.

 

Modo de preparo:

1. Lave o alguidar com um pouco de marafo e deixe secar.

2. Coloque a farinha de mandioca e misture com azeite de oliva ou dendê usando a mão esquerda, formando uma farofa úmida.

3. Disponha as carnes sobre a farofa e pingue sete gotas de azeite doce e sete gotas de vinagre.

4. Leve o alguidar ao cemitério ou ao assentamento de Exu Caveira.

5. Despeje a cachaça no chão, formando um círculo ao redor do local.

6. Coloque o alguidar no centro, acenda as sete velas ao redor e faça seus pedidos ao grandioso chefe de falange.

 

O uso do vinagre e do pingos dd azeite de dendê é opcional, sendo recomendável confirmar previamente se Exu Caveira quer esses elementos.

CANTIGA PARA DEMANDAR

🎶Quem deve o Caveira na calunga vai pagar
Quem paga pro Caveira Exu vai te ajudar🎶

PONTO CANTADO DE FORÇA

🎶Quando o galo canta é madrugada
Pro Exu que é Caveira batizado com dendê 🎶
🎶Rezo uma oração de trás pra frente
Queimo fogo em chamas ardentes 🎶
🎶Que aquece Exu Laroyê
Eu ouço a gargalhada do diabo 🎶
🎶É o Caveira enviado do Príncipe Lúcifer
É ele quem comanda o cemitério, catacumba tem mistério. 🎶
🎶Seu feitiço tem axé ê Caveira.

Ponto riscado

 

Ponto riscado

 

Ponto riscado




Exu Veludo

Esta entidade representa a resistência, força, e que tem um comprometimento com a verdade. Em contraponto, trata a todos com doçura e delicadeza. É o assistente direto do Exu Rei das Sete Encruzilhadas, sendo a terceira manifestação de Sua Alteza, o Maioral. Exu Veludo possui uma estreita ligação com Lúcifer. Cabalisticamente é conhecido pelo nome de Sagathana.
Na antiguidade, o tecido de veludo, além do uso de cartolas era trajes destinados aos mais nobres. O veludo surgiu no Brasil através dos europeus colonizadores, mas o seu uso foi muito moderado por se tratar de um tecido muito quente e o país ser tropical. O Exu Veludo se veste com requinte, sua bebida preferida é o conhaque e adora charutos. É muito ligado e comportante na ajuda à riqueza material, na prosperidade. Geralmente exige a presença de uma Pomba-gira junto a ele nas festas. Sua evocação é muito apreciada, pois, tem suas forças sempre prontas para proteger à todos que recorrem à sua proteção.

No Reino dos Exus, o Senhor Veludo é visto como um grande político e orador, um homem que lida com os problemas com bastante diplomacia. Esta entidade pode desempenhar um trabalho importante, como um verdadeiro advogado, evitando a pesada inquisição (condenação) do Exu Marabô, no qual seria um Exu que lida com fiscalizações em todos os planos.

Sua apresentação costuma ser de um mais fino cavalheiro, ricamente vestido com um belo traje com gola de veludo, e um fino cachecol de mais pura seda de cor vermelha; também usa uma capa de veludo preta, forra de cetim vermelho, segundo minhas vivências. Os espíritos da falange do Veludo são mestres que se destacam pelo poder persuasivo hipnótico, pela educação e forma polida de agir. Gosta de examinar os charutos e bebidas, mesmo antes de se servir. Costuma preferir que seja servido
numa pequena bandeja. O seu porte, como puderam visualizar é de um fino cavalheiro, mas a sua dissonância é logo verificada, um Exu identificado também por seus “Pés de Cabra”.

Ponto Riscado de Exu Veludo – (Na irradiação de Ogum)

Ponto cantado

Ninguém pode ele, ele pode contudo 🎵
Lá na encruzilhada, ele é Exu Veludo🎵

Ninguém pode ele, ele pode contudo 🎵
Lá na encruzilhada, ele é Exu Veludo🎵

Ponto cantado II

Auê Exu Veludo seu cabrito deu um berro 🎵
Auê Exu Veludo seu cabrito deu um berro 🎵
Arrebentou cerca de arame estourou portão de ferro 🎵
Arrebentou cerca de arame estourou portão de ferro 🎵