Exu Brasa
Exu Brasa é um ser espiritual conhecido nas Kimbandas que possuem egrégoras cabalísticas ligadas à Goetia, pelo nome de Haristum. O apelido “Brasa” deve-se ao fato de este Exu possuir domínio sobre o fogo e a pólvora, sendo muito invocado por conhecedores em rituais de defumação ou em práticas que envolvem purificação pelo fogo.
Esta entidade costuma apresentar-se trajando um manto vermelho, forrado de preto. Seu curiador é o marafo (cachaça), que pode ser misturado com sumo de pimenta. É uma entidade que domina os incêndios e o fogo; nos trabalhos, costuma pedir “Fundanga” ou “Fundunga” (pólvora), acendendo-a com seu próprio charuto. Com a explosão, ocorre o deslocamento e a liberação dos “miasmas” (cargas de más influências), promovendo a purificação do ambiente.
Caso haja o assentamento desse Exu em um local de culto, recomenda-se, ao presenteá-lo, colocar ao lado uma panela de barro ou de ferro contendo um braseiro feito com pequenas pedras de carvão. Em alguns casos, o presente pode ser levado até as ruas, sendo retirado após as brasas se apagarem.
Este Exu é o segundo comandante subordinado a Exu Caveira em grande parte das cabalas quimbandeiras. Como é possível observar, possui domínio total e absoluto sobre o fogo e a pólvora. Vale salientar que, na Quimbanda, é comum relatos de praticantes que ingerem gasolina, caminham sobre brasas ou consomem grandes quantidades de marafo sem se embriagar. Tais atos são compreendidos como demonstrações de coragem e provas de que o espírito está presente.
Possui grande influência nos processos de defumação, pois as ervas são queimadas em turíbulos com pedaços de carvão em brasa. Dessa forma, entende-se que, ao ativar dois elementos positivos e dinâmicos — fogo e ar —, ocorre uma forte descarga energética (ar quente somado às propriedades das ervas), capaz de queimar e dissipar energias nocivas.
Caso se deseje realizar uma oferenda adequada a este Exu, deve-se dar preferência a bebidas de alto teor alcoólico ou fortes, como gim seco e absinto. Quanto aos fumos, aprecia charutos ou cigarros.
Oferenda de comida:
Farofa de farinha de mandioca misturada com cachaça e molho de pimenta-malagueta (alguns acrescentam epô, azeite de dendê). A farofa deve ser colocada em um prato, com sete pedaços de carvão dispostos ao redor. Ao centro, coloca-se carne suína, podendo ser costela de porco crua ou bife de porco, temperada com bastante cebola, pimenta e uma pitada de limão.

PONTO CANTADO
🎶 Eu vi um caldeirão ferver, é o Exu Brasa que acabou de chegar
Girando e dominando o fogo, da sua morada ele acaba de chegar 🎶 🎶
Exu Brasa é um Exu do Fogo, tudo transforma também pode aniquilar
No calor das chamas saúdo suas forças 🎶 🎶
Laroyê Iná Iná Mojubá Eu vi um caldeirão ferver, é o Exu Brasa que acaba de chegar 🎶 🎶
Girando e dominando o fogo, da sua morada ele acaba de chegar
Exu Brasa é um Exu do Fogo, tudo transforma também pode aniquilar 🎶 🎶
No calor das chamas saúdo suas forças Laroyê Iná Iná Mojubá 🎶 🎶
Eu vi um caldeirão ferver, é o Exu Brasa que acaba de chegar
Girando e dominando o fogo, da sua morada ele acaba de chegar 🎶 🎶
Exu Brasa é um Exu do Fogo, tudo transforma também pode aniquilar 🎶
No calor das chamas saúdo suas forças Laroyê Iná Iná Mojubá 🎶
Esta cantiga usamos depois de saudar o Maioral, para que o Exu Brasa traga força nas chamas de nosso caldeirão.