OS 12 MELHORES PONTOS DE ABERTURA DE GIRA NA KIMBANDA

Seja Umbanda ou Kimbanda, tudo tem começo, meio e fim numa gira. Assim como existe os pontos que são cantados para guerrear, existe aqueles que cantamos para limpeza e proteção. E nesta matéria iremos aprender alguns pontos que você pode usar no início de seus toques.

1 • Exu Maioral

Mas olha a catira de Umbanda espia espia olha quem vem lá

Mas olha a catira de Umbanda espia espia olha quem vem lá

É o chefe é o Rei da Quimbanda é chefe dos chefes é o maioral

Todo o povo está me saravando papai da Quimbanda mandou lhe chamar

Todo o povo está me saravando papai da Quimbanda mandou lhe chamar

 

2 • Cidade de Satanás

A estrela vai, o sol clareia, a lua volta e o Exú já está na aldeia.

A estrela vai, o sol clareia, a lua volta e o Exú já está na aldeia.

Ilumima o mundo,
ilumina o mar,
ilumina a terra cidade de Satanás…

Ilumima o mundo,
ilumina o mar,
ilumina a terra cidade de Satanás…

 

3 • Exú Lúcifer

Ô mas eu venho saravá a Banda, saravá a Quimbanda e babalaô

Ô mas eu venho saravá a Banda, saravá a Quimbanda e babalaô

Saudei Seu Lúcifer, saudei
Eu saudei Seu Tata e Senhor

Saudei Seu Lúcifer, saudei
Eu saudei Seu Tata e Senhor

Ô mas eu venho saravá a Banda, saravá a Quimbanda e babalaô

 

4 • Exu Belzebu

Olha Belzebu
Olha Belzebu

Olha Belzebu
Olha Belzebu

Tão te chamando na Quimbanda
Olha Belzebu!

Tão te chamando na Quimbanda
Olha Belzebu!

 

5 • Concentração pra Belzebu

Seu Belzebu ele vem beirando a terra
Leviatã ele vem beirando o mar

Seu Belzebu ele vem beirando a terra
Leviatã ele vem beirando o mar

Auê Auê Auê Auá
Concentração pra Belzebu te ajudar!

Auê Auê Auê Auá
Concentração pra Belzebu te ajudar!

6 • Abrindo a Gira na Força do Tranca Rua

Ô Seu Tranca Rua, Ô Seu Tranca Rua
Me abre a Gira e me fecha a rua

Ô Seu Tranca Rua, Ô Seu Tranca Rua
Me abre a Gira e me fecha a rua

Seu Tranca Rua é homem bom, toma conta da porta e do portão

Seu Tranca Rua é homem bom, toma conta da porta e do portão

Faca de ponta é instrumento de guerra, Exú firma ponto e seu ponto não erra

Faca de ponta é instrumento de guerra, Exú firma ponto e seu ponto não erra

 

7 • O sino da igrejinha

O sino da igrejinha faz belém-blém-blom
O sino da igrejinha faz belém-blém-blom

Deu meia-noite, o galo já cantou
Seu Tranca-Rua que é dono da gira
Oi, corre, gira, que Ogum mandou
Seu Tranca-Rua que é dono da gira
Oi, corre, gira, que Ogum mandou

O sino da igrejinha faz belém-blém-blom
O sino da igrejinha faz belém-blém-blom
Deu meia-noite, o galo já cantou
Seu Tranca-Rua que é dono da gira
Oi, corre, gira, que Ogum mandou
Seu Tranca-Rua que é dono da gira
Oi, corre, gira, que Ogum mandou

O sino da igrejinha faz belém-blém-blom
O sino da igrejinha faz belém-blém-blom
Deu meia-noite, o galo já cantou
Seu Tranca-Rua que é dono da gira
Oi, corre, gira, que Ogum mandou
Seu Tranca-Rua que é dono da gira
Oi, corre, gira, que Ogum mandou

O sino da igrejinha faz belém-blém-blom
O sino da igrejinha faz belém-blém-blom
Deu meia-noite, o galo já cantou
Seu Tranca-Rua que é dono da gira
Oi, corre, gira, que Ogum mandou
Seu Tranca-Rua que é dono da gira
Oi, corre, gira, que Ogum mandou

 

8 • Licença de Ogum

Ogum, Exú pede licença pra seu povo ele arriar Ogúm!

Ogum, Exú pede licença pra seu povo ele arriar Ogúm!

Mas ele é um Exu guerreiro, vem trazendo forças para este terreiro

Mas ele é um Exu guerreiro, vem trazendo forças para este terreiro.

 

9 • Tem morador

Tem morador no Sertão tem morador
Tem morador no Sertão tem morador

É na casa que o galo canta no Sertão tem morador
É na casa que o galo canta no Sertão tem morador

 

10 • Lá vem Exú

As catacumbas tremeu
O inferno pegou fogo

As catacumbas tremeu
O inferno pegou fogo

Lá vem Exú, Lá vem Exú pra trabalhar pro povo

Lá vem Exú, Lá vem Exú pra trabalhar pro povo

11 • Olha quem tá lá

Olha que vem lá no portão
De capa e cartola, de pé no chão

Olha que vem lá no portão
De capa e cartola, de pé no chão

Será Seu Lúcifer? Será Será!
Será Seu Belzebu? Será Será!
Será o Exu Rei? Será Será!

Ou será Seu Tranca Rua? Será Será!

Mas olha que vem lá no portão
De capa e cartola, de pé no chão

Olha que vem lá no portão
De capa e cartola, de pé no chão

Será Exu Porteira? Será Será!
Será (dizer nome do Exu)? Será Será!
Será (dizer nome do Exu)? Será Será!
Ou será (dizer nome do Exu)? Será Será?

Mas olha… Olha quem vem lá no portão de saia vermelha e de pé no chão

Olha quem vem lá no portão de saia vermelha e de pé no chão

Será Maria Padilha? Será Será Será!
Será Maria Mulambo? Será Será!
Será Maria Quitéria? Será Será?

Ou será (dizer o nome da Pomba Gira)? Será Será!

Mas olha… Olha quem vem lá no portão de saia vermelha e de pé no chão

Olha quem vem lá no portão de saia vermelha e de pé no chão

Será Pomba Gira Cigana? Será Será!
Será Dona Figueira? Será Será?
Será Maria Farrapo? Será Será?

Ou (dizer o nome da Pomba Gira)? Será Será!

Mas Olhaaaaa! Laroiê!!!

 

12 • Dança Exú

É na Gira de Quimbanda
É na Gira de Maioral
Todo Exú que é guerreiro na Porteira vence o mal

É na Gira de Quimbanda
É na Gira de Maioral
Todo Exú que é guerreiro na Porteira vence o mal

Ô Seu Tranca Rua dança guerre guerreiro
Ô Maria Padilha dança guerre guerrá

Ô Seu Marabô dança guerre guerreiro
Ô Dona sete dança guerre guerrá

Ô Exu Caveira dança guerre guerreiro
Ô Rosa Cabeira dança guerre guerrá

Ô (dizer Exu) dança guerre guerreiro
Ô (dizer Pomba Gira) dança guerre guerrá.




Ponto do Exu Tranca Ruas (Meu Advogado)

Quanto mais antigo for o ponto, mais encanto de magia costuma ter. Os pontos antigos surgiram através das próprias entidades que vinham através de incorporações e cantavam durante a gira e vejamos um deles, bastante lindo.

Um vídeo do nosso perfil privado no Instagram de estudos

 

👉🏼 Letra do ponto:

Lá na encruza, na encruza;

Existe um homem valente;

Lá na encruza, na encruza;

Existe um homem valente; 🎶

Com sua capa e cartola, e seu punhal e tridente;

É madrugada, é madrugada, é madrugada;

Ele está do meu lado… 🎶

 

É madrugada, é madrugada, é madrugada;

Ele está do meu lado… 🎶

Por isso eu te digo Tranca Rua, você é meu advogado;

Por isso eu te digo Tranca Rua, você é meu advogado… 🎶




Pomba Gira Rainha das Matas

A Pombagira Rainha das Matas é o espírito de um dos primeiros ancestrais femininos do Reino das Matas que comanda ao lado da Vossa Alteza todos os espíritos deste local.
Em suas manifestações costuma ser bastante observadora e silenciosa. Rainha das Matas é um espírito muito sábio, conhecedora de diversas magias e mistérios ocultos encontrados neste reino.

Assim como alguns de seus subordinados, possui poder de cura e domina as forças contidas nas folhas, madeiras, raízes, além de outras diversas propriedades que podem ter grandes valores medicinais e se encontram na natureza.

Conhecida como senhora das trilhas e dos bosques, é capaz de abrir vias obstruídas, mas também é capaz de fazê-los acabar perdendo a concentração e se perdendo nas florestas, alguns conhecem esta prática como “Labirintos Verdes”, o indivíduo acaba ficando num estado imaginativo que faz não perceber muito bem a realidade de como chegou até o local.

Por ser um espírito altamente conhecedora de raízes, animais, insetos, entre outros elementos da natureza, além de curar, é capaz de confeccionar venenos, e outras feitiçarias ligadas às Matas.

Em suas aparições, apresenta-se como uma anciã. Possui ligação com serpentes, corujas, além de bichos noturnos que vigia lugares, gosta de conhecer primeiramente a fraqueza de seus inimigos antes de destruí-los, fazendo sentir raízes venenosas penetrando dentro de sua alma.

Suas bebidas costumam ser vinho tinto doce suave, vinho de ervas (aromáticas), espumantes, vermute ou licores.

Fuma cigarrilhas, cigarros finos e cachimbos.

Oferenda:

Prepare uma farofa com farinha de mandioca misturado com bebida alcoólicas (tornando uma farofa úmida), ponha sete corações de frango assados e temperados com ervas aromáticas que dê um bom gosto, acrescente uma mandioca cozida e besuntada com um pouco de óleo de dendê, poderá colocar a gosto enfeitando com diversas flores silvestres e frutas.

Por ser um espírito do Reino das Matas, é natural que muitos terreiros de Kimbanda usa folhas de bananeira ou de mamona ao invés de alguidares (o que também é possível).

Redutos: todas as matas por ser sua jurisdição, além da boca da mata.

 

Ponto riscado

CANTIGA PARA RAINHA DAS MATAS
🎶 Deu meia-noite no meio da mata
É hora sagrada pra saudar a rainha
Ô Pomba Gira Rainha das Matas
Senhora da madrugada, feiticeira da floresta
Eu vim para lhe saudar

Gira gira Kimbanda é a Rainha que vem lá 🎶

Gira gira Kimbanda é a Rainha que vem lá

A Rainha é a senhora das Matas,
Feiticeira dos bosques escuros que seu encanto irradia, e deixa o povo prosperar 🎶




Exu Tiriri é Rei!

A palavra “Tiriri” é um nome de origem Yorùbá cujas origens apontam para as terras de Oyó na Nigéria. É um dos nomes usados como forma de elogio a divindade Èṣù (Deus mensageiro, senhor dos caminhos), no Brasil ficou estabelecido pelo Candomblé como uma das qualidades (atribuições) ao Èṣù que é ligado ao Òrìṣà Ògún que é uma energia também ligado a guerra e os caminhos. Através da miscigenação e corrupção cultural e religiosa, o nome “Tiriri” foi agregado ao culto de Quimbanda (conhecido pelo Candomblé como catiços) e tornou-se popular entre os seguidores das religiões afro-brasileiras.

O significado da palavra Tiriri está intimamente ligado aquilo que é forte, podendo levar a entender que se refere à um homem forte no caminho. Não é atoa que o Exu Tiriri conhecido nos terreiros de Kimbanda por exercer seu poder de domínio nos caminhos, sendo cultuado principalmente com o objetivo de saber “caminhar” fazendo escolhas ou recebendo melhores direcionamentos para evitar tantos sofrimentos ou desencontros com o sucesso é um dos mais populares.

Esta entidade é um dos “senhores das armas”, pois é aquele que ajuda administrar uma armada do Maioral (Vossa Majestade), embora um de seus Reinos principais seja a Encruzilhada, este Exú pode responder e vir por outros caminhos, possuindo títulos correspondentes em seu nome, vejamos:

Exu Tiriri das Encruzilhadas;
Exu Tiriri das Almas;
Exu Tiriri das Matas;
Exu Tiriri do Cruzeiro;
Exu Tiriri da Praia…

Redutos: Encruzilhadas abertas e estradas de movimento, entretanto, recebe nas encruzilhadas de todos os Reinos.

Por ser um espírito que possui um completo domínio sob as linhas do tempo/espaço, permite em suas consultas fazer as pessoas refletirem sobre seus erros e poder consertá-los.
Como o Exu Tiriri é muito voltado a defesa espiritual e o contra-ataque, acaba sendo um enorme aliado em afastar todos os tipos de vícios, pois muitos deles estão na maioria das vezes ligados às obsessões.

As qualidades deste ancestral é de “um lobo em pele de cordeiro”, pois não costuma revelar tudo que sabe, é extremamente voraz e vingativo no momento de revidar feitiçaria e, quando costuma ser chamado para trabalhos de destruição sua falange fulmina com extrema rapidez. Mas deve-se ter cuidado ao pedir, porque é um espírito que só intervém se for realmente para a busca da justiça, é capaz de mostrar essa face de terrível quando constata que houve alguma injustiça. Na Umbanda alguns acreditam que Exu Tiriri pode reger os filhos de Ogum ou de Xangô, devido ser voltado a justiça e o cumprimento das leis astrais.
Embora poucos sabem desta informação, por ser um dos senhores ligado às armas, defesas e guerras, possui domínios nas artes marciais e nas forças armadas, podendo ser procurado para pedir forças durante lutas difíceis.

Segundo algumas antigas lendas, tanto o seu rosto quanto seu corpo foram mutilados devido o cumprimento de pena por crime passional.

Exu Tiriri é o protetor dos amantes e namorados, sua energia é totalmente de um conquistador, rebelde e sedutor, pode ser invocado nos trabalhos de magia que envolva ajuda em sedução e libido incluindo os casos extraconjugais.

 

 

OFERENDAS:

Esta entidade aceita como bebidas o marafo (aguardente), gin e uísque, além de conhaque (principalmente em caso de demandas). E fuma charutos e cigarros.
Existe diversas comidas que podem ser colocadas como oferendas e que já foram postadas neste mesmo site, porém vejamos mais uma diferente:

Pegue o alguidar e lave com aguardente. Ponha farinha de mandioca e misture com a sua mão esquerda tornando uma farofa um pouco úmida, em seguida adicione sete rodelas de cebola roxa em volta, ponha um pouco de pimenta de cheiro, pimenta quente (ardida) e pedaços de bacon (ou barriga de porco) fritos. Por cima, alguns terreiros costumam acrescentar sete bolinhos de carne moída mista (bovina e suína) fritos no azeite de dendê ou, um bife de fígado frito no dendê com cebolas.

É possível acrescentar na oferenda moedas douradas, chave e uma pequena corrente. E por ser um Exu extremamente namorador, algumas tradições entregam rosas vermelhas e cravos.

Embora seja mais comum por diversas entidades entre o Reino das Matas o uso de frutas para oferendas, mas pelo fato do Exu Tiriri responder também nas Matas, pode ser ofertado gomos de jaca e figos regados com licor de anis.

Objetos usados dentro das tradições para esta entidade: espadas, correntes, munições, trilho de trem, punhais, tridentes, moedas antigas, chaves usadas, cadeados, bengalas e chapéus.




Influências literárias na Kimbanda

A Kimbanda é uma tradição que no Brasil vira alvo frequentemente de polêmicas entre sacerdotes de matrizes afro-brasileiras sobre as suas práticas e surgimentos, porém não podemos deixar de evidenciar que muitas influências surgiram da literatura brasileira e nesta matéria terei o intuito de esclarecer alguns pontos importantes e se realmente a Kimbanda é o que os sites famosos de pesquisas afirmam.

Texto • Prof. Eduardo Henrique Costa

COMEÇANDO PELO NOME

Kimbanda e Umbanda são separadas apenas por palavras, o objetivo de ambas é voltado para cura. A própria palavra “Kimbanda” é associada diretamente a cura e o sacerdote ou mestre desta tradição é definido como um curandeiro espiritual de um terreiro, sendo esta a prática ancestral, principal de seus praticantes.
Na Umbanda percebemos este mesmo objetivo quando visitamos um terreiro e podemos visualizar ritos como defumações para o bem-estar “pro mal sair e a saúde entrar”, passes espirituais feitos pelas entidades espirituais que possuem a mesma finalidade que o Reiki (envios de energias), benzeções e entre outras práticas que nos leva a refletir que a cura é o princípio da harmonia.

Infelizmente mesmo com tamanhas riquezas a Kimbanda não manteve este significado, ficou conhecida a nível global de forma errônea como “Culto de Magia Negra”, a definição traz uma afirmativa de que as práticas têm caráter maléfico e destrutivo, mas na prática não faz o menor sentido se a Kimbanda é como as pessoas dizem, por que teria caboclos e pretos velhos nesta tradição? E por quê na prática um Exu pode curar de uma doença desconhecida e trazer harmonia em meio aos conflitos? Afinal por quê tamanha separação entre Umbanda e Kimbanda? Cada dia que se passa as pessoas criam mil barreiras para afirmar de quê um umbandista não pode ser um kimbandeiro, pois não daria para ser bom e mal ao mesmo tempo… O pensamento de que Kimbanda é maléfica posso afirmar ser totalmente uma loucura, pois o fato de existir alguém ruim não é culpa da tradição, assim como não é culpa da religião existir pessoas de mau caráter mesmo com códigos morais e tamanhas filosofias.

Esta guerrinha de bem e do mal, é coisa material e do próprio ego e da arrogância. Achar que as entidades de Umbanda luta contra as de Kimbanda é uma tamanha ignorância. Em toda tradição que tenha como finalidade a cura da alma e de locais, pode-se existir a prática da caridade ou do bem, são questões que depende mais do praticante do que da linha, pois não há impedimento.

OLHA A MACUMBA AÍ!

Arthur Ramos (1903 à 1949).

Para entendermos os primeiros conceitos ligados a religiosidade afro-brasileira, podemos citar uma das figuras importantíssima neste processo: Arthur Ramos foi um grande autor, antropólogo brasileiro, médico psiquiatra, psicólogo social, um dos pioneiros que usou da psicanálise para investigar a mentalidade e cultura dos brasileiros, o mesmo apresentou explicações detalhadas sobre a macumba, onde ele foi capaz de observar através de estudos em diversos terreiros que ele pesquisou chegando a conclusão que não existia apenas um tipo de prática, ele definiu que existia diversas linhas, entre elas havia a Umbanda e a Kimbanda, nesta parte conseguimos entender que estas duas também são macumba. Mas a macumba não é uma definição de maldade, é um nome genérico usado para se referir a diversos ritos religiosos que eram praticados por africanos, seus descentes, ex escravizados e era comum ser uma reunião de pessoas pretas. Algo que sempre costuma ter em comum dentro da macumba é o catártico; praticantes que entram em transes, há danças, cantigas, sons de instrumentos, bater palmas… e procuram buscar através destes rituais a cura para os males, seja físicos, psicológicos e espirituais. Posteriormente houve a entrada dos brancos dentro das práticas e quando a Umbanda já estava começando a se formar como religião, esta teve uma enorme participação da classe média, de grupos egocêntricos, puramente racistas para sermos mais exatos, precisavam eliminar estes elementos catárticos e toda prática densa, se aproximando mais do Cristianismo, surgindo aquelas emblemáticas frases “a Umbanda pratica o bem e a Kimbanda pratica o mal”, criando um enorme muro que separava a Umbanda da Kimbanda, porque os umbandistas da época estavam preocupados em ser mais aceitos pelos europeus e queriam eliminar tudo que fosse provocar afrontas ao Cristianismo e podemos perceber que a entrada do Espiritismo Kadercista dentro da Umbanda, também foi algo que era muito mais aceito pelas pessoas, não chegando a tais níveis de exclusões da sociedade como era com a macumba no geral. A Umbanda limitou seu culto aos Exús e Pombas Giras, ficando a Kimbanda responsável por mais expressiva profundidade no culto destes seres. Mas isto não significa que toda Kimbanda não teve influência da cultura européia, e logo seremos capazes de perceber um exemplo emblemático praticado por algumas.
A ideia do bem não estava apenas associada às condutas, mas a qual cor fisicamente se tinha, não é atoa que o negro era sempre visto como um ser de maldades e o branco como “detentor da paz”, caso ache isto um exagero, visite algumas lojas de artigos religiosos de Umbanda e pasme ao reparar imagens de deuses negros com cor branca, diga-se de passagem eu costumo até mesmo dizer que se o Cristo não tivesse suas imagens como um europeu, quase ruivo, dificilmente seria visto como algo santo… Retornando ao assunto: diferente da Umbanda, a Kimbanda não aceitou ceder as pressões do Cristianismo e até hoje é vista como algo afrontoso, maléfico, ou como muitos chamam depois da separação com a Umbanda e Kimbanda como “linha de esquerda”. Para os caros leitores e alunos possam entender da melhor forma, um Preto Velho pode se manifestar pela direita ou pela esquerda, porque isto não é uma lei espiritual, é algo criado pelos humanos para definir o que era do bem, mas as entidades mostrava cada vez mais que isto não fazia sentido. Não podemos dizer que foi apenas um único tipo de macumba influenciada por este conceito, percebemos que houve várias, como por exemplo, Culto da Jurema Sagrada e o Catimbó, até mesmo nas religiões com influências xamânicas vemos algumas consideradas de direita por terem santos católicos, rezas do Pai Nosso e as práticas que não tem, como linha de esquerda ou “fundo”.

Para visualizar em um melhor tamanho, clique em cima da imagem.

Disponível em: Google. Acesso: 7/10/2023.

Você já andou pela rua e viu pessoas afirmando de quê “se a macumba fosse bom, seu nome não seria má – cumba”… Toda vez que alguém diz isto eu vejo que falta estudar história, português entre outras matérias que faria não cometer tamanha babaquice.

Imagem: Extraida da internet. Conteúdo do ano de 1941.

E você já se perguntou quem é que foi o autor que trouxe este argumento da Kimbanda como maldade e Umbanda como bondade? Porque tudo costuma ter uma origem ou influência de alguém e de acordo com os meus estudos: foi Lourenço Braga em 1941, na sétima sessão do primeiro Congresso Espírita de Umbanda.
Braga apresentou conceitos de que os trabalhos para fins benéficos estavam contidos na Umbanda e na Kimbanda seria os que fossem para fins maléficos, posteriormente esta representação feita foi o motivo de surgimento de seu livro “Umbanda (Magia Branca) e Quimbanda (Magia Negra)“, publicado no ano de 1942, podemos defini-lo como um dos primeiros autores a impregnar estes conceitos de linhas do bem e do mal.
Antes da publicação do livro de Lourenço Braga, já existia afirmações sobre magia branca para o bem e magia negra ser para o mal, através do autor Noel de Souza sobre as sete linhas de Umbanda (por volta do ano de 1938), trazendo relatos em seus jornais.

Livro de Lourenço Braga.

Quando paro para refletir sobre o que Braga viu de tão mal na Kimbanda, na verdade não se tratava da tradição, era as pessoas que buscavam os terreiros para pedir coisas materiais… E com os sucessos de vendas de seu livro, o Cristianismo ganhou tantas forças que houve o lançamento de um livro no ano de 1952 de um famigerado Aluizio Fontenelle , onde o título de seu livro foi “Exu”. Vejamos;

Livro lançado pela editora Espiritualista no ano de 1975.

Em seu livro ele comparou as entidades que vinha na Kimbanda com os seres da Goetia, além de colocar tacitamente Exú como o próprio Diabo, aquele que se encontra contido no imaginário popular: que usa chifres, rabos, espeta pessoas e foi condenado a vagar pelo mundo. Fontenelle usou de diversas páginas para dizer sobre si mesmo no que ele se autoavaliou como alguém muito sábio capaz de julgar as entidades e defini-las, Fontenelle de forma absurda nega a própria origem da palavra Exú e afirma que não tinha vindo da África, desta maluquice nasceu os pensamentos de que Exú era o nome que estava na Bíblia dos cristãos. Como se não bastasse, o mesmo afirmou que este nome tinha sido dito por Deus numa língua (não conhecida pelos humanos) e estas babaquices de teorias sem nenhuma fundamentação básica, infelizmente é copiada até os dias atuais. Uma certa vez no ano de 2018, conversei com um rapaz que se dizia mestre em Kimbanda, o mesmo me disse que Exú estava nas escrituras em hebraico, me causou estranheza pois eu sou um pesquisador e especialista no idioma hebraico, e disse que encontraria com o nome de “Yesú”, talvez ele tenha desenvolvido este pensamento ilusório graças a Fontenelle. O que muito podemos perceber na Macumba é que muitas definições vinham do misticismo popular, e trouxeram de tal forma o Diabo para dentro da Macumba, que em pleno século vinte e um, há macumbeiros que até acham que estão cultuando o Diabo, infelizmente.

Oras, não estou aqui para condenar aqueles que cultuam o Diabo, apenas estou trazendo fontes de pesquisas que explicam de onde veio certos textos muitos idênticos no qual conhecemos nos dias atuais: Quimbanda, o lado negativo da Umbanda. Reitero que boa parte dos preconceitos com a macumba é ligado a cor sim! Tanto que no próprio folclore brasileiro, há pessoas que acreditam que o Saci Pererê é o próprio Diabo, mas afinal por quê isto? Tem personagens muito mais levados do que ele, mas veja, o Saci é…? Preto!…

Aluizio Fontenelle fez diversas comparações e colocou Exú como o próprio pecado original e que teria tentado Eva e Adão no Paraíso, o autor ainda relata sobre uma rebelião causada por Lúcifer e que o povo expulso era “Exud” uma língua que apenas ele sabia (risos), concluindo em suas teorias de que estes seres foram condenados a viver nas profundezas da Terra, levando a entender que existe Exús na Terra por conta de uma maldição lançada pelo próprio Deus. É bem provável que ele tenha sido um cristão, pois fez muitas referências a Trindade, saudando em seu livro, esta ideia foi copiada por diversos autores posteriormente e que fez muitos sincretizarem os Exús com os Daimons da Goetia.

Afirmar que Exú é um demônio, é a mesma coisa que dizer que Ogum é São Jorge, são apenas comparações, mas não significa que é tudo igual. Expresso meu pensamento de que o sincretismo ele não é ruim exatamente, mas quando ele se junta e acha que tudo é uma coisa só, acabamos perdendo a essência, as raízes de nossa cultura. Mas e a Kimbanda que muitos chamam de Luciferiana? Seria coisa do capeta? Sem muitos rodeios, se fomos analisar a palavra “Lúcifer” de forma básica significa o portador da luz, em algumas culturas citam este nome como de um deus Vênus, também houve muitas pessoas em épocas antigas com o nome de Lúcifer, assim como existiu diversos com o nome de São Cipriano. Há certas coisas que são simples de entender, mas as pessoas gostem de complicar.




Linha dos Caboclos Quimbandeiros

A Linha dos Caboclos Quimbandeiros é uma das linhas de profunda ligação com o Catimbó e não é atoa que muitas cantigas, lendas e fundamentos demonstram esta forte aproximação. Nesta linha temos a formação de diversos índios americanos que foram grandes feiticeiros e temidos, são grandes conhecedores da medicina da floresta e de todos os mistérios que envolva ervas, pedras, entre outros elementos encontrados nas matas.

 

Imagem: Lokis Gezüch – Emil Doepler.

Eu lembro que no ano de 2017 por enquanto que estava criando conteúdos na madrugada sobre os Exús que compõem esta linha, acabei indo dormir e tive um sonho e nele, eu passava por um povoado de guerreiros indígenas, onde descia de uma grande árvore uma serpente idêntica a da imagem do site. Quando ela desceu, eu não tive medo e nem aquele povo todo que aparecia em meu sonho, todos saudavam e reverenciavam aquela linda serpente como um deus, eu lembro que quando eu fui pegar imagens da cobra cainana e tinha ficado impressionado, que era idêntica a do meu sonho, ao qual tive certeza que ele realmente era um indígena encantado das florestas. E nesta linha de fato, encontramos o Exu Cainana, Exu Cobra, entre outras entidades com nomes de elementos das florestas.

Nesta linha muitos destes espíritos apresentam nas manifestações uma voz gutural, muita das vezes quando estão incorporados em adeptos, mesclam a língua nativa com a língua regional. Não gostam de serem muito observados e nem que fiquem olhando em suas faces, não possui como costume o uso de palavras de “baixo calão”, por justamente serem espíritos das florestas.

Erroneamente muitos acabam achando que os que possui nomes de animais são literalmente animais, quando na verdade, estes nomes mostram a ligação com o animal do poder que aquele espírito tem e os seus comportamentos e que se espelham naquele animal, são exemplos: Exu Pantera Negra, Exu Cobra, Exu Cainana e etc.

As entidades contidas nesta linha são especialistas em trabalhos de cura e desobsessão, são componentes desta linha:

• Exu Pantera Negra (chefe da linha)
Este nome é expressão de força. Ligado as guerras, possui amplo senso de justiça, na linha dos Caboclos, é extremamente respeitado e muitos de seus subordinados aceitam algumas oferendas similares a de seu chefe.

• Exu 7 Cachoeiras
Conhecido cabalisticamente pelo nome de Khil, é o quarto comandado do Exu Calunga. O nome de Exu 7 Cachoeiras, é devido esta entidade ser muito conhecido nos trabalhos de Kimbanda nas cachoeiras e é responsável pelos grandes abalos sísmicos.
Em suas oferendas, é um grande apreciador de charutos pretos, sendo sua comida preferida uma galinha d’ angola, recheada com farofa no azeite-de-dendê.

• Exu Tronqueira
Clistheret é o seu nome cabalístico, esta entidade é o sexto comandado do Exu Calunga.
Tem o poder de fazer as pessoas trocarem o dia pela noite, principalmente os jogadores e as “mariposas”.
É o encarregado da guarda das estradas e dos caminhos. Dentro da Kimbanda pode ajudar na proteção dos terreiros.

• Exu das 7 Poeiras
Cabalisticamente recebe o nome de Silcharde, é o sétimo comandado do Exu Calunga. Seu principal poder desperta alta imaginação, fazendo com que as pessoas vejam todas as espécies de animais. É o guardião das estradas, caminhos nas matas e becos.
Em suas manifestações se apresenta em forma de “Duende”, com roupagem na cor cinza escuro.

• Exu das Matas
Possui o nome cabalístico de Hicpacth, ocupando a posição de nono lugar na ordem dos comandados pelo Exu Calunga. Na Kimbanda é solicitado a ajuda, quando uma pessoa amada foi embora e desejamos trazê-la de volta.
O nome “Exu das Matas” não é atoa! Para esta entidade é designado os trabalhos dentro das matas, sendo comum dentro dos diversos cultos da Magia Negra.

• Exu das 7 Pedras
Conhecido cabalisticamente pelo nome de Humots, na hierarquia cabalistica é o décimo comandado do Exu Calunga. É um grande mago da magia umiversal, ou seja, de toda magia existente no astral. Na Kimbanda a sua presença pode ser solicitada em toda a espécie de ajuda sobre Alta Magia, encarregado pelos “Taros Adivinhatórios”, dos “Signos Zodicais” e “Calendários Esotéricos”, além de diversos tipos de numerologias, mapas astrais, simbologias mágicas e etc.
Este Exu possui grande poder de transmissão, quando solicitado e qualquer assunto referente à sua especialidade.

• Exu do Cheiro ou Cheiroso
Possui o nome cabalístico de Aglasis. Comanda uma poderosa falange de mais de 49 Exus. O nome de “Exu do Cheiro” não é atoa, pois em suas manifestações, conforme os trabalhos que estão sendo feitos, exala um bom ou mal cheiro. Em suas aparições costuma ser na forma de uma criatura humana, coberta por uma camada fluídica.
Esta entidade também é pertencente à Linha de Omolu, mas, é supervisionado pelo Exu Caveira.
O local que costuma dar preferência para suas entregas de trabalhos, é os jardins, ou lugares que existam flores campestres.

• Exu Pedra Negra
Claunech é o seu nome cabalístico, é o sexto comandado do Exu Calunga (Sirach).
Suas aparições é na forma de um cavalheiro elegante. Sua principal atuação quando é invocado, é nos casos financeiros, pois tem o poder sobre a riqueza, protege as pessoas em dificuldades financeiras. Este Exú pode ajudar na descoberta de tesouros escondidos.
Em suas oferendas, costuma apreciar vinhos tintos, no qual é misturado com mel-de-abelhas. Assim como o Exu Pantera Negra, gosta de frutas, principalmente de jamelão (escuro).

• Pomba Gira da Figueira
Esta entidade possui legiões de espíritos femininos que são bem antigas, viveram há milênios em passagens sobre a Terra e alcançaram um enorme grau de discernimento, desempenhando uma função de “protetoras das raízes do culto”.

 

• FONTE CONSULTADA: MARIA, José. No Reino Dos Exus. 6.ed. Curitiba: Pallas, 2006.

 




O significado de “Catiço”

Normalmente é comum ouvir dentro do Candomblé a palavra “catiço”, sendo usada para se referir aos Exús e Pombas Giras, diferenciando do Òrìṣà Èṣù ou Elégbará. Erroneamente muitas pessoas associam que os compadres e comadres são escravos dos Òrìṣà, o que não é! Pois pertencem a culturas e tradições diferentes, e há pensamentos de que “catiço” se refere a escravo, pois existe uma certa teoria que teria ligação com a palavra “cativeiro”, o que é uma idéia aceita por alguns dentro do caminho religioso de matrizes afro-brasileira. Certo ou não, se tratando deste assunto não há uma origem histórica ou cultural, apenas teorias.

Analisando o termo “Catiço” dentro do português brasileiro, pode ser compreendido como um sinônimo de esperteza e agilidade. Pois é muito comum de uma forma popular usarem esta palavra para se referir a uma criança hiperativa “Nossa! Seu filho é o catiço!”, quanto uma pessoa de má índole “Aquele homem é o catiço atirando”, o que também pode ser usado para ser referir a uma pessoa endiabrada, encapetada ou travessa. E no Candomblé é muito comum a narrativa de que Exú e Pomba Gira são espíritos muito espertos e por isso devem ter muito cuidado com acordos feitos, e que são espíritos que podem pregar travessuras, serem brincalhões ou aplicar certas punições corretivas em seus médiuns, o que reforça a teoria que possa ser este o motivo do uso desta palavra. O Professor Eduardo Henrique Costa (fundador do Universo e Cultura) ensina que os Exús e Pombas Giras são seres totalmente ligados ao movimento e os caminhos, além de ser ancestrais que podem aprender com qualquer um que observa, para ele as duas teorias de significado da palavra são aceitas, porque para cada família ou região pode ter variações nos significados do uso da mesma palavra.

No Candomblé dizer “Catiço” não é única forma adotada por alguns religiosos, há cultuadores que os chamam de “Exús-Egúns”, por ser justamente espíritos desencarnados e que atuam pelo plano astral podendo ajudar a manipular energias, trazer boa sorte ou má sorte, bênçãos ou punições.




A diferença entre Kiumbas e Exus Kiumbas

Há muitas pessoas que confunde e acredita que são iguais, isto infelizmente acontece devido os auto-intitulados “Mestres de Kiumbanda” que possuem experiências apenas em ter muitas curtidas, mas poucas experiências reais com o ocultismo e a tradição, mas de forma prática entenda o assunto.

Kiumbas são espíritos de baixa iluminação, sem muito desenvolvimento espiritual. Eles costumam viver em zonas inferiores do astral (onde as literaturas espíritas conhecem como ‘Umbral’). Por conta de muitos deles serem tão materialistas, estão sempre em busca da volta pela vida terrena, muitos vivem em busca de vinganças e de enganações, acontecendo muita das vezes com terreiros que não tem uma devida defesa espiritual ou com médiuns não desenvolvidos, receberem a presença de um Kiumba e ele acaba fingindo ser uma entidade evoluída.

São espíritos esquecidos, que tentam se fortalecerem de alguma maneira. Nas literaturas umbandistas ficaram conhecidos pela definição de “marginais do astral“. Segundo o professor Eduardo Henrique, definirem como marginais é devido 5 fatores principais:

  1. Não seguem leis ou ordens
  2. Não possuem propósitos
  3. Precisam se manter em cima de “furtos” de energias (vampirismo)
  4. Facilmente podem ser manipulados devido a ignorância, arrogância e falta de conhecimento
  5. São aproveitadores.

Os Kiumbas depois de um certo tempo, não lembram nem se quer de seus nomes, história de vidas terrenas, pelo fato de muito deles se obscurecerem e por isto, feiticeiros costumam invocá-los para práticas destrutivas, pois eles estão sempre em busca de algum ganho, recompensa ou domínio. Estes mestres que utilizam destes espíritos costumam dar nomes como “Chico dos Infernos, Matador Diabólico”, o que trazem para eles um novo sentido, apenas se alimentarem e ferrar com qualquer um, oras para eles não há o que perder.

Há um ditado que diz “nunca esqueça de quem você é e suas origens, para que as pessoas não te transformem no que elas querem que você seja”.

 

– Pinterest.

Os Exús e Pombas-Giras costumam recrutar muitos Kiumbas para trabalharem dentro de suas falanges (grupos espirituais) e com isto evoluírem, se tornando posteriormente um Exú ou uma Pomba-Gira após aprenderem tudo que é necessário com seus mestres. Estes espíritos de baixa evolução que começam a trabalhar sob ordens dos Exus, são conhecidos como Exus Kiumbas. Que podemos compará-los com a idéia de um “estagiário”, adquirindo experiências para assumirem um possível cargo.

Concluindo:
Um espírito que entra recentemente para corrente dos Exús é chamado de Exu Kiumba, por hierarquicamente ser de baixa evolução.
Aquele que não pertence a nenhuma corrente e não segue nada, é um Kiumba.




Kalunga – A Morada dos Ancestrais

Você certamente já deve ter ouvido falar sobre ‘Kalunga’ ou em algum momento presenciará dentro da Kimbanda ou Umbanda, o uso frequente desta palavra. Mas o que muitos não sabem, é sobre sua origem e profundo significado, nesta matéria buscarei demonstrar um lado que possa ser que não conheça, confira.

Etimologicamente este termo se originou a partir do idioma quimbundo (ka’lunga), que significa literalmente “mar“, mas pode ser usado para transmitir a idéia de “grandeza” e “imensidão“. Alguns estudiosos relatam que os negros utilizavam este nome para se referir ao deus dos missionários católicos, pois consideravam-no vago como a imensidão do mar.
Para os congos e angolenses, por exemplo, os primeiros a serem trazidos para o Brasil como escravos, kalunga era uma palavra usada dentro de suas crenças para se referir o mundo dos ancestrais, pois era deste lugar que vinha a força para suportar os períodos tão trágicos e desumanos.

Fotografia realizada em Copacabana, Rio de Janeiro no Brasil.

Ponto antigo cantado por um Preto Velho
Os quindins, os quindins,
Os quindins, ô mujongo
Olha lá no mar
Olha lá no mar, ô mujongo
Olha mujongo no mar
Sua terra é muito longe, ô mujongo
Ninguém pode ir lá
Ninguém pode ir lá, ô mujongo
Olha mujongo no mar…

NOTA: Alguns costumam cantar outra versão, ao invés de dizer ‘olha mujongo no mar’, dizem ‘bota mujongo no mar’, pelo motivo da Terra Ancestral ser tão longe, que a única forma pelos vivos seria cultuando suas entidades na beira do mar, por não conseguirem cruzar o portal para outra dimensão.

Imagem produzida pela nossa equipe para que de uma forma didática, possamos compreender a história que será contada.

Segundo uma história do povo kalunga – o mundo era representado como uma grande roda cortada ao meio, e em cada metade havia uma grande montanha. Numa metade da roda, se encontrava o pico da montanha que ficava virado para cima, mas na outra metade a montanha estava invertida de cabeça para baixo. De um lado da roda, a montanha de cima representava o mundo dos vivos. Do outro, a montanha de ponta-cabeça representava o mundo dos mortos, a Terra de seus ancestrais.

Quando reparamos na cantiga de Preto-Velho exposta anteriormente “sua terra é muito longe… Ninguém pode ir lá…”, justamente pela Kalunga ser as águas que separa as dimensões, um portal de trajeto para o mundo espiritual ou pelo outro lado, uma volta para o mundo dos vivos. Dentro das Umbandas e Kimbandas, existe a Kalunga que se refere aos cemitérios, os antigos costumavam chamar de “Kalunga-Pequena”, devido os corpos serem depositados naquele local. Mas o maior portal está na imensidão, tão vasta de trajeto dos espíritos que é nas águas, conhecida como “Kalunga-Grande”, onde norteia grandes mistérios que ainda não existe tantos conhecimentos voltados sobre este lugar.

Os africanos, principalmente os povos iorubás, levam muito a sério a ideia de respeito com o mar, pois existem até provérbios que dizem “ninguém sabe o que se encontra debaixo do mar verdadeiramente”, um lugar pouco explorado e incapaz do ser humano cavar as areias do mar.

Imagem africana do deus Kalunga Ngombe.

Kalungangombe na África, é considerado um deus angolense das profundezas do globo terrestre, conforme afirma Olga Gudolle Cacciatore (Dicionário de cultos afro-brasileiros, 1977), para ela, Kalunga-Grande passando pelo kimbundo (quimbundo) e sua origem africana, é o mar, o oceano. E Kalunga-Pequena, também possui formação histórica no kimbundo, que se refere ao cemitério, a morte; enquanto kalungas no plural – se refere a falange de seres espirituais ou dos povos kalunga.
Observação: O uso da palavra “Calunga”, também é correto, se refere a adaptação no português-brasileiro.

Imagem: Sergio Amaral/MDS.

É necessário que possamos refletir sobre a visão de mundo que os africanos tinham, pois associavam a palavra Kalunga à morte e o mundo dos mortos, de um jeito muito diferente que os brasileiros, vale ressaltar que na cultura ocidental o cemitério é visto como a morada dos mortos – um lugar tristre e muita das vezes assustador, enquanto para os povos kalunga, era o que tornava uma pessoa renascida, podendo se tornar ilustre e importante, porque mostrava que aquela pessoa tinha incorporado em sua vida espiritual a força de seus antepassados, sendo assim, os reis acreditavam que só governariam enquanto fossem capazes de se manterem um povo unido em torno dessa força.

Interior de um navio negreiro, pintura do artista alemão Johann Moritz Rugendas. (Aprox. 1830).

Os kalungas também são conhecidos como os descendentes de escravos fugitivos e libertos que formaram uma comunidade autossuficiente na região atualmente conhecida como o estado de Goiás, no centro do Brasil.
Dentro da crença afro-brasileira existe entidades chamadas de Kalunga (Calunga), como por exemplo, Calunguinha, Exu Calunga, entre outros, que recebem este nome porque justamente são ligados ao oceano e outros ao cemitério. Na Umbanda existe um seguimento em que as entidades pertencentes a Kalunga-Grande são espíritos ligados a Iemanjá, e os espíritos ligados à Kalunga-Pequena são espíritos que trabalham na linha de vibração do Senhor Omolu.

Imagem: Sereia, óleo sobre tela – Jean Errado.

Eu tô te chamando, ó Calunga!
Pra você vir trabalhar,
Quando eu te vejo, ó Calunga!
Vejo também a sereia do mar.

Eu tô te chamando, ó Calunga!
Pra você vir trabalhar,
Quando eu te vejo, ó Calunga!
Vejo também a sereia do mar.

Eu tô te chamando, ó Calunga!
Pra você vir trabalhar,
Chega também a sereia do mar.




O Crânio na Kimbanda

Muitas pessoas não entendem o significado do crânio para Kimbanda, mas podemos afirmar que práticas e simbologias envolvendo crânios não é um costume apenas da Kimbanda, confira.

O crânio é o símbolo da sabedoria e do conhecimento guardado.

Nos mistérios internos o crânio é o símbolo da natureza interna despojada de sua origem através do processo de iniciação nos grandes mistérios do ocultismo. Ele também é um símbolo de morte, seja a morte da carne ou a morte do ego de si mesmo. Esta é uma razão na qual o crânio parece nas cerimônias de iniciações nas antigas religiões.

Em nossa dimensão ele é um lembrete de que uma antiga personalidade estava morrendo para uma nova consciência. O crânio particularmente com os ossos cruzados, também é um símbolo do Deus em antigas religiões pagãs.

Ponto riscado do Exu Caveira.

Os ossos cruzados a baixo do crânio são símbolos para algumas culturas, do Deus Sacrificado, é um sinal da ressurreição e da morte. Na Bruxaria, o crânio algumas vezes é mostrado colocado na frente de um caldeirão. Nesta posição ele simboliza o renascimento através dos poderes da transformação associada com o caldeirão. Na Bruxaria Italiana o crânio também representa a culminação do conhecimento ancestral, na Kimbanda o crânio com os ossos cruzados representa a falange dos caveiras, os Exus que habitam nos cemitérios.

O significado de conhecimento interno envolvendo o crânio é tão forte que em muitas histórias de culturas dos povos antigos, quando acontecia a vitória sobre os inimigos, eles arrancavam suas cabeças e separavam do corpo para impedir o acesso daquele indíviduo ao seu conhecimento adquirido para o pós-vida.

Créditos finais

Imagem utilizada na matéria: SANTOS, Gilton. Exu Senhores da Magia. Tríade, 1996.