Pontos cantados para família da Maria

A Quimbanda acredita que a fala também possui magia, cantar traz vibrações para os rituais, sendo muito importante aprendê-las. Nesta matéria traremos alguns pontos ligados a Maria Padilha e sua falange de companheiras.

1) SAUDAÇÕES IMPERIAIS

A porta do castelo estremeceu

O povo corre para ver quem era 🎶

A porta do castelo estremeceu

O povo corre para ver quem era 🎶

 

Era Maria Padilha, Maria Mulambo, Mulher de Lúcifer

Era Maria Padilha, Maria Mulambo, Mulher de Lúcifer 🎶

2) CASA DE POMBO

Era uma casa de pombo, é de Bombojira

Era uma casa de pombo, é de Bombojira 🎶

 

Auerá uê auerá uê

Auerá uá

Auerá uê auerá uê

Auerá uá aurá uá hoje é de Bombojira 🎶

 

Era uma casa de pombo, é de Bombojira

Era uma casa de pombo, é de Bombojira

 

Auerá uê auerá uê

Auerá uá 🎶

Auerá uê auerá uê

Auerá uá aurá uá hoje é de Bombojira 🎶

 

3) FAMÍLIA DA MARIA

Na família da Maria, só não entra quem não quer 🎶
Na família da Maria, só não entra quem não quer 🎶

Ela é, Maria Padilha, Maria Mulambo, Maria Mulher 🎶
Ela é, Maria Padilha, Maria Mulambo, Maria Mulher 🎶

Ela é, Maria Padilha, Maria Mulambo, Maria Mulher 🎶
Ela é, Maria Padilha, Maria Mulambo, Maria Mulher 🎶

Na família da Maria, só não entra quem não quer 🎶
Na família da Maria, só não entra quem não quer 🎶

Ela é, Maria Farrapo, Maria Quitéria, Maria Mulher 🎶
Ela é, Maria Farrapo, Maria Quitéria, Maria Mulher 🎶

4) SETE MARIDOS

Maria Padilha é, Mulher de sete maridos 🎶
Maria Padilha é, Mulher de sete maridos 🎶

Toma cuidado gente que ela é um perigo 🎶
Toma cuidado gente que ela é um perigo 🎶

Maria Mulambo é, Mulher de sete maridos 🎶
Maria Mulambo é, Mulher de sete maridos 🎶

Toma cuidado gente que ela é um perigo 🎶
Toma cuidado gente que ela é um perigo 🎶

Maria (dizer nome) é, Mulher de sete maridos 🎶
Maria (dizer nome) é, Mulher de sete maridos 🎶

Toma cuidado gente que ela é um perigo 🎶
Toma cuidado gente que ela é um perigo 🎶

5) ELA MATA E NÃO VAI

Maria Padilha por que mataste um rapaz?
Maria Padilha por que mataste um rapaz? 🎶

A gente mata vai preso, você mata e não vai
A gente mata vai preso, você mata e não vai 🎶

Maria Quitéria por que mataste um rapaz?
Maria Quitéria por que mataste um rapaz? 🎶

A gente mata vai preso, você mata e não vai
A gente mata vai preso, você mata e não vai 🎶

Maria (dizer nome) por que mataste um rapaz?
Maria (dizer nome) por que mataste um rapaz? 🎶

A gente mata vai preso, você mata e não vai
A gente mata vai preso, você mata e não vai 🎶

6) AMEAÇA NO CABARÉ

Tentaram me matar na porta do cabaré

Tentaram me matar na porta do cabaré 🎶

 

Ando de noite ando de dia, só não mata quem não quer

Ando de noite ando de dia, só não mata quem não quer 🎶

7) ABRE A RODA

Abre a roda, deixa Pomba Gira trabalhar

Abre a roda, deixa Pomba Gira passear 🎶

 

Mas ela tem, ela tem peito de aço

Ela tem peito de aço e coração de sabiá 🎶

Mas ela tem, ela tem peito de aço

Ela tem peito de aço e coração de sabiá 🎶

8) COPO DE VENENO

Tentaram me matar com o copo de veneno

Tentaram me matar com o copo de veneno 🎶

Se quiser matar me mata, que beber eu bebo mesmo

Se quiser matar me mata, que beber eu bebo mesmo🎶

 

9 ) MENTIRA

Mentira, mentira sim!

Mentira, mentira sim! 🎶

Tu engana as mulheres, não tente mentir pra mim

Tu engana as mulheres, não tente mentir pra mim 🎶

 

Eu sou Maria Padilha, senhora da noite

Rainha da Encruzilhada, mentira, mentiste sim! (Ou me disse sim) 🎶

Eu sou Maria Padilha, senhora da noite

Rainha da Encruzilhada, mentira, mentiste sim! (Ou me disse sim) 🎶

10) ROSA SEM ESPINHOS

Maria Padilha você é a flor perfeita, que vem dentro dessa seita para aqueles que tem fé.

Tú és a Rosa que perfuma a Umbanda, vencedora de demandas, com Amor e muito Axé. 🎶

Maria Padilha, não me deixe andar sozinho, ponha rosas sem espinhos nos caminhos onde eu passar.

Maria Padilha, não me deixe andar sozinho, ponha rosas sem espinhos nos caminhos onde eu passar. 🎶

Oh, Pombo – Girê,
Oh, Pombo – Girá, faça um tapete de rosas pra que eu possa caminhar.

Oh, Pombo – Girê,
Oh, Pombo – Girá, faça um tapete de rosas pra que eu possa caminhar. 🎶

11) CIGARRO PRA FUMAR

Moça me dá um cigarro pra eu fumar
Pois nem dinheiro eu tenho pra comprar 🎶

Vivo sozinho, vivo na solidão
Maria Padilha me dá sua proteção

Vivo sozinho, vivo na solidão
Maria Padilha me dá sua proteção

Moça me dá um cigarro pra eu fumar
Pois nem dinheiro eu tenho pra comprar 🎶

Vivo sozinho, vivo na solidão
Maria Padilha me dá sua proteção

Vivo sozinho, vivo na solidão
Maria Padilha me dá sua proteção 🎶

Oi moça, oi moça, me tira dessa forca
Oi moça, oi moça, me tira dessa forca 🎶

 12) Maria Padilha da Calunga

Maria Padilha feiticeira, feiticeira

Maria Padilha feiticeira, feiticeira

 

Maria Padilha da Calunga,

O seu feitiço não é de brincadeira

 

Maria Padilha da Calunga,

O seu feitiço não é de brincadeira 🎶

 

É de qua qua qua

É de qua qua qua

É de qua qua qua

Maria Padilha da Calunga

Ela trabalha sem parar 🎶

 

É de qua qua qua

É de qua qua qua

É de qua qua qua

Maria Padilha da Calunga

Ela trabalha sem parar 🎶

 

13) DA SUA FEITIÇARIA

Exú Maria Padilha, trabalha na Encruzilhada

Exú Maria Padilha, trabalha na Encruzilhada

 

Toma conta, presta conta

Ao romper da madrugada

Toma conta, presta conta

Ao romper da madrugada 🎶

 

Pomba Gira é minha comadre, me protege noite e dia

Por isso que eu sou, da sua feitiçaria

Pomba Gira é minha comadre, me protege noite e dia

Por isso que eu sou, da sua feitiçaria 🎶

14) FESTA NA RUA

Dona Padilha girou, girou e mandou avisar
Que hoje tem festa na rua
Tem clarão da lua, pra quem chegar

Dona Padilha girou, girou e mandou avisar
Que hoje tem festa na rua
Tem clarão da lua, pra quem chegar 🎶

Que hoje tem festa na rua
Tem clarão da lua, pra quem chegar 🎶

15) SENHORA DA MAGIA

Padilha na mesa de um bar
Pra beber e cantar, e viver de alegria

Padilha é mulher encantada
Rainha da Encruzilhada, Senhora da Magia

Padilha na mesa de um bar
Pra beber e cantar, e viver de alegria

Padilha é mulher encantada
Rainha da Encruzilhada, Senhora da Magia

16) CANTANDO EM SEU LOUVOR

Maria Padilha estou cantando em seu louvor
Maria Padilha estou cantando em seu louvor 🎶

Na barra da sua saia, corre água e nasce flor
Na barra da sua saia, corre água e nasce flor 🎶

17) ESTRADA SEM FIM

Vinha caminhando pela rua,
Quando uma moça bonita eu vi.
(eu disse que vinha!)
Vinha caminhando pela rua,
Quando uma moça bonita eu vi 🎶

Com a sua sandália de prata,
A sua saia dourada
Ela sorriu para mim

Com a sua sandália de prata,
A sua saia dourada
Ela sorriu para mim 🎶

E eu perguntei a ela:
“aonde fica a tua morada?”
E ela respondeu prá mim, assim:
“moro numa estrada sem fim!”
“moro numa estrada sem fim!” 🎶

Eu vinha! Vinha caminhando pela rua,
Quando uma moça bonita eu vi.
(eu disse que vinha!)
Vinha caminhando pela rua,
Quando uma moça bonita eu vi 🎶

Com a sua sandália de prata,
A sua saia dourada
Ela sorriu para mim

Com a sua sandália de prata,
A sua saia dourada
Ela sorriu para mim 🎶

E eu perguntei a ela:
“aonde fica a tua morada?”
E ela respondeu prá mim, assim:
“moro numa estrada sem fim!”
“moro numa estrada sem fim!” 🎶

18) DESPEDIDA

Maria Padilha se despede e vai embora
Maria Padilha se despede e vai embora 🎶

É na boca da Mata, é na Encruzilhada que ela mora
É na boca da Mata, é na Encruzilhada que ela mora 🎶

Maria Mulambo se despede e vai embora
Maria Mulambo se despede e vai embora 🎶

É no Reino do Lixo, é na Encruzilhada que ela mora
É no Reino do Lixo, é na Encruzilhada que ela mora 🎶

Maria Farrapo se despede e vai embora
Maria Farrapo se despede e vai embora 🎶

É no Reino do Lixo, é no Reino das Almas que ela mora
É no Reino do Lixo, é no Reino das Almas que ela mora 🎶

Maria Quitéria se despede e vai embora
Maria Quitéria se despede e vai embora 🎶

É no Reino das Almas, é na Encruzilhada que ela mora
É no Reino das Almas, é na Encruzilhada que ela mora 🎶

As Pombas Giras se despedem e vão embora
As Pombas Giras se despedem e vão embora

É em todas as linhas, é em todos os reinos que elas moram

É em todas as linhas, é em todos os reinos que elas moram 🎶




Ponto de Tranca Rua – Tava Dormindo (Defesa)

Aprenda um ponto bastante antigo usado para o Exu Tranca Rua, é excelente para ser usado nos trabalhos que envolve devolução de energias enviadas ou quebra de demandas.

VAMOS CANTAR!

Tava dormindo na beira do mar
Tava dormindo na beira do mar

Quando as almas me chamou
Pra trabalhar

Quando as almas me chamou
Pra trabalhar

Acorda Tranca Rua vai vigiar
Acorda Tranca Rua vai trabalhar

O inimigo está invadindo
A porteira do Congá

O inimigo está invadindo
A porteira do Congá

Ponha a mão nas suas armas
Vai guerrear

Ponha a mão nas suas armas
Vai guerrear

Bota o inimigo pra fora
Para nunca mais voltar

Bota o inimigo pra fora
Para nunca mais voltar

Tava dormindo na beira do mar
Tava dormindo na beira do mar

Quando as almas me chamou
Pra trabalhar

Quando as almas me chamou
Pra trabalhar

Acorda Tranca Rua vai vigiar
Acorda Tranca Rua vai trabalhar

O inimigo está invadindo
A porteira do Congá

O inimigo está invadindo
A porteira do Congá

Ponha a mão nas suas armas
Vai guerrear

Ponha a mão nas suas armas
Vai guerrear

Bota o inimigo pra fora
Para nunca mais voltar

Bota o inimigo pra fora
Para nunca mais voltar.

 

Ouça este ponto cantando, clique aqui.




OS 12 MELHORES PONTOS DE ABERTURA DE GIRA NA KIMBANDA

Seja Umbanda ou Kimbanda, tudo tem começo, meio e fim numa gira. Assim como existe os pontos que são cantados para guerrear, existe aqueles que cantamos para limpeza e proteção. E nesta matéria iremos aprender alguns pontos que você pode usar no início de seus toques.

1 • Exu Maioral

Mas olha a catira de Umbanda espia espia olha quem vem lá

Mas olha a catira de Umbanda espia espia olha quem vem lá

É o chefe é o Rei da Quimbanda é chefe dos chefes é o maioral

Todo o povo está me saravando papai da Quimbanda mandou lhe chamar

Todo o povo está me saravando papai da Quimbanda mandou lhe chamar

 

2 • Cidade de Satanás

A estrela vai, o sol clareia, a lua volta e o Exú já está na aldeia.

A estrela vai, o sol clareia, a lua volta e o Exú já está na aldeia.

Ilumima o mundo,
ilumina o mar,
ilumina a terra cidade de Satanás…

Ilumima o mundo,
ilumina o mar,
ilumina a terra cidade de Satanás…

 

3 • Exú Lúcifer

Ô mas eu venho saravá a Banda, saravá a Quimbanda e babalaô

Ô mas eu venho saravá a Banda, saravá a Quimbanda e babalaô

Saudei Seu Lúcifer, saudei
Eu saudei Seu Tata e Senhor

Saudei Seu Lúcifer, saudei
Eu saudei Seu Tata e Senhor

Ô mas eu venho saravá a Banda, saravá a Quimbanda e babalaô

 

4 • Exu Belzebu

Olha Belzebu
Olha Belzebu

Olha Belzebu
Olha Belzebu

Tão te chamando na Quimbanda
Olha Belzebu!

Tão te chamando na Quimbanda
Olha Belzebu!

 

5 • Concentração pra Belzebu

Seu Belzebu ele vem beirando a terra
Leviatã ele vem beirando o mar

Seu Belzebu ele vem beirando a terra
Leviatã ele vem beirando o mar

Auê Auê Auê Auá
Concentração pra Belzebu te ajudar!

Auê Auê Auê Auá
Concentração pra Belzebu te ajudar!

6 • Abrindo a Gira na Força do Tranca Rua

Ô Seu Tranca Rua, Ô Seu Tranca Rua
Me abre a Gira e me fecha a rua

Ô Seu Tranca Rua, Ô Seu Tranca Rua
Me abre a Gira e me fecha a rua

Seu Tranca Rua é homem bom, toma conta da porta e do portão

Seu Tranca Rua é homem bom, toma conta da porta e do portão

Faca de ponta é instrumento de guerra, Exú firma ponto e seu ponto não erra

Faca de ponta é instrumento de guerra, Exú firma ponto e seu ponto não erra

 

7 • O sino da igrejinha

O sino da igrejinha faz belém-blém-blom
O sino da igrejinha faz belém-blém-blom

Deu meia-noite, o galo já cantou
Seu Tranca-Rua que é dono da gira
Oi, corre, gira, que Ogum mandou
Seu Tranca-Rua que é dono da gira
Oi, corre, gira, que Ogum mandou

O sino da igrejinha faz belém-blém-blom
O sino da igrejinha faz belém-blém-blom
Deu meia-noite, o galo já cantou
Seu Tranca-Rua que é dono da gira
Oi, corre, gira, que Ogum mandou
Seu Tranca-Rua que é dono da gira
Oi, corre, gira, que Ogum mandou

O sino da igrejinha faz belém-blém-blom
O sino da igrejinha faz belém-blém-blom
Deu meia-noite, o galo já cantou
Seu Tranca-Rua que é dono da gira
Oi, corre, gira, que Ogum mandou
Seu Tranca-Rua que é dono da gira
Oi, corre, gira, que Ogum mandou

O sino da igrejinha faz belém-blém-blom
O sino da igrejinha faz belém-blém-blom
Deu meia-noite, o galo já cantou
Seu Tranca-Rua que é dono da gira
Oi, corre, gira, que Ogum mandou
Seu Tranca-Rua que é dono da gira
Oi, corre, gira, que Ogum mandou

 

8 • Licença de Ogum

Ogum, Exú pede licença pra seu povo ele arriar Ogúm!

Ogum, Exú pede licença pra seu povo ele arriar Ogúm!

Mas ele é um Exu guerreiro, vem trazendo forças para este terreiro

Mas ele é um Exu guerreiro, vem trazendo forças para este terreiro.

 

9 • Tem morador

Tem morador no Sertão tem morador
Tem morador no Sertão tem morador

É na casa que o galo canta no Sertão tem morador
É na casa que o galo canta no Sertão tem morador

 

10 • Lá vem Exú

As catacumbas tremeu
O inferno pegou fogo

As catacumbas tremeu
O inferno pegou fogo

Lá vem Exú, Lá vem Exú pra trabalhar pro povo

Lá vem Exú, Lá vem Exú pra trabalhar pro povo

11 • Olha quem tá lá

Olha que vem lá no portão
De capa e cartola, de pé no chão

Olha que vem lá no portão
De capa e cartola, de pé no chão

Será Seu Lúcifer? Será Será!
Será Seu Belzebu? Será Será!
Será o Exu Rei? Será Será!

Ou será Seu Tranca Rua? Será Será!

Mas olha que vem lá no portão
De capa e cartola, de pé no chão

Olha que vem lá no portão
De capa e cartola, de pé no chão

Será Exu Porteira? Será Será!
Será (dizer nome do Exu)? Será Será!
Será (dizer nome do Exu)? Será Será!
Ou será (dizer nome do Exu)? Será Será?

Mas olha… Olha quem vem lá no portão de saia vermelha e de pé no chão

Olha quem vem lá no portão de saia vermelha e de pé no chão

Será Maria Padilha? Será Será Será!
Será Maria Mulambo? Será Será!
Será Maria Quitéria? Será Será?

Ou será (dizer o nome da Pomba Gira)? Será Será!

Mas olha… Olha quem vem lá no portão de saia vermelha e de pé no chão

Olha quem vem lá no portão de saia vermelha e de pé no chão

Será Pomba Gira Cigana? Será Será!
Será Dona Figueira? Será Será?
Será Maria Farrapo? Será Será?

Ou (dizer o nome da Pomba Gira)? Será Será!

Mas Olhaaaaa! Laroiê!!!

 

12 • Dança Exú

É na Gira de Quimbanda
É na Gira de Maioral
Todo Exú que é guerreiro na Porteira vence o mal

É na Gira de Quimbanda
É na Gira de Maioral
Todo Exú que é guerreiro na Porteira vence o mal

Ô Seu Tranca Rua dança guerre guerreiro
Ô Maria Padilha dança guerre guerrá

Ô Seu Marabô dança guerre guerreiro
Ô Dona sete dança guerre guerrá

Ô Exu Caveira dança guerre guerreiro
Ô Rosa Cabeira dança guerre guerrá

Ô (dizer Exu) dança guerre guerreiro
Ô (dizer Pomba Gira) dança guerre guerrá.




Ponto do Exu Tranca Ruas (Meu Advogado)

Quanto mais antigo for o ponto, mais encanto de magia costuma ter. Os pontos antigos surgiram através das próprias entidades que vinham através de incorporações e cantavam durante a gira e vejamos um deles, bastante lindo.

Um vídeo do nosso perfil privado no Instagram de estudos

 

👉🏼 Letra do ponto:

Lá na encruza, na encruza;

Existe um homem valente;

Lá na encruza, na encruza;

Existe um homem valente; 🎶

Com sua capa e cartola, e seu punhal e tridente;

É madrugada, é madrugada, é madrugada;

Ele está do meu lado… 🎶

 

É madrugada, é madrugada, é madrugada;

Ele está do meu lado… 🎶

Por isso eu te digo Tranca Rua, você é meu advogado;

Por isso eu te digo Tranca Rua, você é meu advogado… 🎶




Pomba Gira Rainha das Matas

A Pombagira Rainha das Matas é o espírito de um dos primeiros ancestrais femininos do Reino das Matas que comanda ao lado da Vossa Alteza todos os espíritos deste local.
Em suas manifestações costuma ser bastante observadora e silenciosa. Rainha das Matas é um espírito muito sábio, conhecedora de diversas magias e mistérios ocultos encontrados neste reino.

Assim como alguns de seus subordinados, possui poder de cura e domina as forças contidas nas folhas, madeiras, raízes, além de outras diversas propriedades que podem ter grandes valores medicinais e se encontram na natureza.

Conhecida como senhora das trilhas e dos bosques, é capaz de abrir vias obstruídas, mas também é capaz de fazê-los acabar perdendo a concentração e se perdendo nas florestas, alguns conhecem esta prática como “Labirintos Verdes”, o indivíduo acaba ficando num estado imaginativo que faz não perceber muito bem a realidade de como chegou até o local.

Por ser um espírito altamente conhecedora de raízes, animais, insetos, entre outros elementos da natureza, além de curar, é capaz de confeccionar venenos, e outras feitiçarias ligadas às Matas.

Em suas aparições, apresenta-se como uma anciã. Possui ligação com serpentes, corujas, além de bichos noturnos que vigia lugares, gosta de conhecer primeiramente a fraqueza de seus inimigos antes de destruí-los, fazendo sentir raízes venenosas penetrando dentro de sua alma.

Suas bebidas costumam ser vinho tinto doce suave, vinho de ervas (aromáticas), espumantes, vermute ou licores.

Fuma cigarrilhas, cigarros finos e cachimbos.

Oferenda:

Prepare uma farofa com farinha de mandioca misturado com bebida alcoólicas (tornando uma farofa úmida), ponha sete corações de frango assados e temperados com ervas aromáticas que dê um bom gosto, acrescente uma mandioca cozida e besuntada com um pouco de óleo de dendê, poderá colocar a gosto enfeitando com diversas flores silvestres e frutas.

Por ser um espírito do Reino das Matas, é natural que muitos terreiros de Kimbanda usa folhas de bananeira ou de mamona ao invés de alguidares (o que também é possível).

Redutos: todas as matas por ser sua jurisdição, além da boca da mata.

 

Ponto riscado

CANTIGA PARA RAINHA DAS MATAS
🎶 Deu meia-noite no meio da mata
É hora sagrada pra saudar a rainha
Ô Pomba Gira Rainha das Matas
Senhora da madrugada, feiticeira da floresta
Eu vim para lhe saudar

Gira gira Kimbanda é a Rainha que vem lá 🎶

Gira gira Kimbanda é a Rainha que vem lá

A Rainha é a senhora das Matas,
Feiticeira dos bosques escuros que seu encanto irradia, e deixa o povo prosperar 🎶




Exu Tiriri é Rei!

A palavra “Tiriri” é um nome de origem Yorùbá cujas origens apontam para as terras de Oyó na Nigéria. É um dos nomes usados como forma de elogio a divindade Èṣù (Deus mensageiro, senhor dos caminhos), no Brasil ficou estabelecido pelo Candomblé como uma das qualidades (atribuições) ao Èṣù que é ligado ao Òrìṣà Ògún que é uma energia também ligado a guerra e os caminhos. Através da miscigenação e corrupção cultural e religiosa, o nome “Tiriri” foi agregado ao culto de Quimbanda (conhecido pelo Candomblé como catiços) e tornou-se popular entre os seguidores das religiões afro-brasileiras.

O significado da palavra Tiriri está intimamente ligado aquilo que é forte, podendo levar a entender que se refere à um homem forte no caminho. Não é atoa que o Exu Tiriri conhecido nos terreiros de Kimbanda por exercer seu poder de domínio nos caminhos, sendo cultuado principalmente com o objetivo de saber “caminhar” fazendo escolhas ou recebendo melhores direcionamentos para evitar tantos sofrimentos ou desencontros com o sucesso é um dos mais populares.

Esta entidade é um dos “senhores das armas”, pois é aquele que ajuda administrar uma armada do Maioral (Vossa Majestade), embora um de seus Reinos principais seja a Encruzilhada, este Exú pode responder e vir por outros caminhos, possuindo títulos correspondentes em seu nome, vejamos:

Exu Tiriri das Encruzilhadas;
Exu Tiriri das Almas;
Exu Tiriri das Matas;
Exu Tiriri do Cruzeiro;
Exu Tiriri da Praia…

Redutos: Encruzilhadas abertas e estradas de movimento, entretanto, recebe nas encruzilhadas de todos os Reinos.

Por ser um espírito que possui um completo domínio sob as linhas do tempo/espaço, permite em suas consultas fazer as pessoas refletirem sobre seus erros e poder consertá-los.
Como o Exu Tiriri é muito voltado a defesa espiritual e o contra-ataque, acaba sendo um enorme aliado em afastar todos os tipos de vícios, pois muitos deles estão na maioria das vezes ligados às obsessões.

As qualidades deste ancestral é de “um lobo em pele de cordeiro”, pois não costuma revelar tudo que sabe, é extremamente voraz e vingativo no momento de revidar feitiçaria e, quando costuma ser chamado para trabalhos de destruição sua falange fulmina com extrema rapidez. Mas deve-se ter cuidado ao pedir, porque é um espírito que só intervém se for realmente para a busca da justiça, é capaz de mostrar essa face de terrível quando constata que houve alguma injustiça. Na Umbanda alguns acreditam que Exu Tiriri pode reger os filhos de Ogum ou de Xangô, devido ser voltado a justiça e o cumprimento das leis astrais.
Embora poucos sabem desta informação, por ser um dos senhores ligado às armas, defesas e guerras, possui domínios nas artes marciais e nas forças armadas, podendo ser procurado para pedir forças durante lutas difíceis.

Segundo algumas antigas lendas, tanto o seu rosto quanto seu corpo foram mutilados devido o cumprimento de pena por crime passional.

Exu Tiriri é o protetor dos amantes e namorados, sua energia é totalmente de um conquistador, rebelde e sedutor, pode ser invocado nos trabalhos de magia que envolva ajuda em sedução e libido incluindo os casos extraconjugais.

 

 

OFERENDAS:

Esta entidade aceita como bebidas o marafo (aguardente), gin e uísque, além de conhaque (principalmente em caso de demandas). E fuma charutos e cigarros.
Existe diversas comidas que podem ser colocadas como oferendas e que já foram postadas neste mesmo site, porém vejamos mais uma diferente:

Pegue o alguidar e lave com aguardente. Ponha farinha de mandioca e misture com a sua mão esquerda tornando uma farofa um pouco úmida, em seguida adicione sete rodelas de cebola roxa em volta, ponha um pouco de pimenta de cheiro, pimenta quente (ardida) e pedaços de bacon (ou barriga de porco) fritos. Por cima, alguns terreiros costumam acrescentar sete bolinhos de carne moída mista (bovina e suína) fritos no azeite de dendê ou, um bife de fígado frito no dendê com cebolas.

É possível acrescentar na oferenda moedas douradas, chave e uma pequena corrente. E por ser um Exu extremamente namorador, algumas tradições entregam rosas vermelhas e cravos.

Embora seja mais comum por diversas entidades entre o Reino das Matas o uso de frutas para oferendas, mas pelo fato do Exu Tiriri responder também nas Matas, pode ser ofertado gomos de jaca e figos regados com licor de anis.

Objetos usados dentro das tradições para esta entidade: espadas, correntes, munições, trilho de trem, punhais, tridentes, moedas antigas, chaves usadas, cadeados, bengalas e chapéus.




Influências literárias na Kimbanda

A Kimbanda é uma tradição que frequentemente se torna alvo de polêmicas entre sacerdotes e praticantes das matrizes afro-brasileiras, sobretudo em relação às suas práticas e origens. No entanto, é impossível ignorar o quanto determinadas interpretações sobre ela foram moldadas pela literatura brasileira ao longo do século XX. Esta matéria busca esclarecer alguns pontos históricos e refletir sobre até que ponto a imagem popular da Kimbanda corresponde, de fato, à sua realidade.

Texto • Prof. Eduardo Henrique Costa

Começando pelo nome

Kimbanda e Umbanda possuem diferenças em suas práticas e estruturas religiosas, mas compartilham um princípio essencial: a busca pela cura e pelo equilíbrio espiritual. A própria palavra “Kimbanda” está historicamente associada à figura do curandeiro, do sacerdote que trabalha com práticas espirituais voltadas ao cuidado da comunidade.

Na Umbanda, esse mesmo princípio é facilmente observado dentro dos terreiros. Defumações, passes espirituais, benzimentos e trabalhos energéticos possuem como finalidade restaurar a harmonia física, emocional e espiritual. Em muitos aspectos, tais práticas se aproximam de conceitos presentes em terapias energéticas modernas, como o Reiki, por exemplo.

Apesar dessa riqueza simbólica e espiritual, a Kimbanda acabou sendo conhecida mundialmente, de maneira equivocada, como um “culto de magia negra”. A definição carrega uma ideia automática de maldade e destruição, algo que não se sustenta quando observamos a prática cotidiana dentro dos terreiros.

Se a Kimbanda fosse essencialmente maléfica, por que nela também existem caboclos, pretos-velhos e entidades voltadas à cura? Como explicar relatos de Exus auxiliando pessoas em enfermidades, conflitos familiares e desequilíbrios espirituais?

A separação radical entre Umbanda e Kimbanda nasceu muito mais de construções sociais e morais do que de fundamentos espirituais. Com o passar do tempo, consolidou-se a ideia de que um umbandista não poderia ser também um kimbandeiro, como se fosse impossível transitar entre diferentes formas de espiritualidade sem cair em uma divisão simplista entre “bem” e “mal”.

Esse pensamento, no entanto, ignora um ponto fundamental: tradições religiosas não são responsáveis pelo caráter individual de seus praticantes. A existência de pessoas mal-intencionadas não transforma automaticamente uma religião em algo perverso — da mesma forma que códigos morais elevados jamais impediram completamente a existência de indivíduos de má conduta em outras religiões.

A chamada “guerra entre o bem e o mal” reflete muito mais disputas humanas, ego e arrogância do que qualquer conflito espiritual real. A ideia de que entidades da Umbanda “lutam” contra entidades da Kimbanda demonstra desconhecimento sobre a complexidade das religiões afro-brasileiras. Em qualquer tradição voltada à cura espiritual, podem existir práticas de caridade, acolhimento e auxílio; tudo depende muito mais da consciência do praticante do que da linha espiritual em si.

 

“Olha a macumba aí!”

Para compreender os primeiros conceitos ligados às religiões afro-brasileiras, é necessário citar uma figura fundamental: Arthur Ramos.

Arthur Ramos (1903 à 1949).

 

Médico psiquiatra, antropólogo e um dos pioneiros no uso da psicanálise para investigar a cultura brasileira, Arthur Ramos realizou estudos detalhados sobre a chamada “macumba”. Em suas pesquisas de campo, observou que não existia apenas uma única prática religiosa, mas diversas linhas e manifestações espirituais, entre elas a Umbanda e a Kimbanda.

Nesse contexto, torna-se importante compreender que “macumba” não era originalmente um termo associado à maldade. Tratava-se de uma designação genérica utilizada para diferentes rituais religiosos praticados por africanos escravizados, seus descendentes e comunidades negras urbanas.

Essas práticas possuíam elementos em comum: estados de transe, danças, cantos, instrumentos musicais, palmas e rituais coletivos voltados à cura física, psicológica e espiritual. O elemento catártico sempre esteve profundamente presente nessas tradições.

Com o tempo, porém, ocorreu uma transformação significativa. À medida que a Umbanda começava a se estruturar como religião organizada, setores da classe média passaram a exercer forte influência sobre ela. Muitos desses grupos buscavam afastar a religião de tudo aquilo que pudesse ser visto como “primitivo” ou excessivamente africano aos olhos da sociedade cristã da época.

Foi nesse contexto que surgiram frases emblemáticas como: “A Umbanda pratica o bem e a Kimbanda pratica o mal”.

Essa separação serviu, em grande medida, para tornar a Umbanda mais aceita socialmente, aproximando-a de elementos do cristianismo e do espiritismo kardecista, ambos muito mais bem vistos pelas elites urbanas brasileiras. Enquanto isso, a Kimbanda permaneceu associada aos aspectos considerados “densos”, “afrontosos” ou “perigosos”.

A Umbanda reduziu gradativamente o espaço dedicado ao culto de Exus e Pombagiras, enquanto a Kimbanda aprofundou essas práticas. Isso, porém, não significa que a Kimbanda tenha permanecido totalmente livre de influências europeias e cristãs. Pelo contrário: parte das interpretações demonizantes sobre Exu surgiu justamente desse contato cultural.

Também é impossível ignorar a dimensão racial presente nesse processo. Durante muito tempo, a ideia de “bem” esteve associada à branquitude, enquanto tudo aquilo ligado ao negro era visto como perigoso, demoníaco ou inferior.

Basta observar imagens religiosas comercializadas até hoje em algumas lojas de artigos espirituais: divindades africanas frequentemente aparecem embranquecidas. O próprio imaginário popular cristão reforçou a ideia do “santo europeu”, de pele clara e cabelos suaves, enquanto figuras negras eram associadas ao mal.

Diferentemente da Umbanda, a Kimbanda resistiu mais intensamente às pressões cristãs. Por isso, até hoje é frequentemente tratada como algo obscuro ou demoníaco — muitas vezes chamada simplesmente de “linha de esquerda”.

Entretanto, conceitos como “direita” e “esquerda” não são leis espirituais absolutas. São classificações humanas. Um preto-velho pode atuar tanto na chamada direita quanto na esquerda, dependendo da tradição e da interpretação adotada pelo terreiro.

Essa lógica de divisão também influenciou outras manifestações religiosas brasileiras, como o Catimbó e a Jurema Sagrada, além de tradições com influências xamânicas que passaram a ser classificadas como “de direita” ou “de esquerda” conforme se aproximavam ou se afastavam do cristianismo.

 

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Disponível em: Google. Acesso: 7/10/2023.

 

A construção literária da “Kimbanda do mal”

Expressões populares como “se a macumba fosse boa, não teria esse nome” revelam muito mais desconhecimento histórico e linguístico do que qualquer análise séria sobre as religiões afro-brasileiras.

Mas afinal: quem ajudou a consolidar a ideia da Kimbanda como prática maléfica?

Imagem: Extraida da internet. Conteúdo do ano de 1941.

Segundo diversos estudos, um dos principais nomes nesse processo foi Lourenço Braga. Em 1941, durante o Primeiro Congresso Espírita de Umbanda, Braga apresentou a ideia de que os trabalhos benéficos pertenciam à Umbanda, enquanto os maléficos estariam ligados à Kimbanda.

No ano seguinte, publicou o livro Umbanda (Magia Branca) e Quimbanda (Magia Negra), obra que se tornou uma das principais responsáveis pela popularização dessa divisão moral entre “bem” e “mal”.

Antes dele, o autor Noel de Souza já utilizava conceitos semelhantes em textos jornalísticos sobre as “sete linhas da Umbanda”, por volta de 1938.

Livro de Lourenço Braga.

 

O problema é que essas interpretações acabaram reduzindo tradições extremamente complexas a categorias simplistas e moralistas.

Na prática, o que muitos autores da época criticavam não era necessariamente a espiritualidade em si, mas o fato de determinados frequentadores procurarem os terreiros para resolver questões materiais, amorosas ou financeiras.

 

Exu, diabo e o imaginário cristão

Outro nome decisivo nesse processo foi Aluizio Fontenelle, autor do livro Exu, publicado em 1952.

Na obra, Fontenelle comparava entidades cultuadas na Kimbanda aos espíritos da Goetia e associava Exu diretamente à figura cristã do Diabo: um ser com chifres, rabo e natureza maligna.

Livro lançado pela editora Espiritualista no ano de 1975.

 

Além disso, negava até mesmo a origem africana da palavra “Exu”, criando teorias sem fundamento histórico ou linguístico. Algumas dessas ideias afirmavam que o nome teria origem em idiomas bíblicos secretos ou em línguas supostamente divinas.

Infelizmente, muitas dessas teorias continuam circulando até hoje.

Em 2018, durante uma conversa com um homem que se apresentava como “mestre em Kimbanda”, ouvi a afirmação de que “Exu” estaria presente nas escrituras hebraicas. Como pesquisador da língua hebraica, estranhei imediatamente a declaração, já que não existe qualquer base acadêmica séria para essa associação.

Grande parte dessas interpretações nasceu justamente da mistura entre misticismo popular, demonologia cristã e desconhecimento das raízes africanas das religiões afro-brasileiras.

O resultado foi a consolidação de um imaginário no qual muitos passaram a acreditar que cultuavam literalmente o Diabo dentro da macumba.

Isso não significa condenar aqueles que cultuam figuras associadas ao satanismo ou ao luciferianismo. A questão central aqui é compreender historicamente como determinadas ideias foram incorporadas à Kimbanda ao longo do tempo.

O preconceito racial também permanece profundamente ligado a essas construções simbólicas. Não por acaso, personagens negros do folclore brasileiro, como o Saci-Pererê, frequentemente foram associados ao Diabo no imaginário popular.

 

Sincretismo, identidade e confusão religiosa

Fontenelle chegou a afirmar que Exu seria o responsável pelo pecado original de Adão e Eva, além de relacionar entidades da Kimbanda à rebelião de Lúcifer. Essas ideias influenciaram diversos autores posteriores e estimularam o sincretismo entre Exus e daimons da Goetia.

No entanto, afirmar que Exu é um demônio é tão reducionista quanto dizer que Ogum é literalmente São Jorge. São aproximações simbólicas, não equivalências absolutas.

O sincretismo, por si só, não é necessariamente negativo. O problema surge quando diferentes tradições passam a ser tratadas como se fossem exatamente a mesma coisa, apagando suas origens culturais e espirituais.

E quanto à chamada “Kimbanda Luciferiana”?

A palavra “Lúcifer”, em sua origem latina, significa simplesmente “portador da luz”. Em diferentes épocas e culturas, o termo foi utilizado de maneiras variadas, inclusive como nome próprio.

Muitas vezes, conceitos relativamente simples acabam sendo envoltos em mistificações exageradas, alimentadas pelo medo, pelo preconceito e pela desinformação.

 

Conclusão

A história da Kimbanda mostra que grande parte de sua reputação negativa não nasceu necessariamente de suas práticas originais, mas das interpretações construídas por autores, setores religiosos e visões racistas da sociedade brasileira ao longo do século XX.

Mais do que uma discussão sobre “bem” e “mal”, o debate revela disputas culturais, raciais e religiosas profundamente enraizadas na formação do Brasil.

Entender a Kimbanda exige ir além dos estereótipos. Exige pesquisa, contextualização histórica e, acima de tudo, disposição para compreender tradições afro-brasileiras sem reduzi-las a caricaturas criadas pelo medo ou pela intolerância.

 




A Linha dos Caboclos Quimbandeiros e sua ligação com o Catimbó

A Linha dos Caboclos Quimbandeiros é uma das mais profundamente ligadas ao Catimbó — tradição espiritual de raízes indígenas e afro-brasileiras. Não é por acaso que muitas cantigas, lendas e fundamentos demonstram essa forte aproximação entre as duas práticas.

Essa linha é formada por espíritos de antigos índios americanos que, em vida, foram grandes feiticeiros, curadores e guerreiros. São reconhecidos por seu vasto conhecimento sobre a medicina da floresta e os mistérios que envolvem as ervas, as pedras e os elementos naturais das matas.

 

Imagem: Lokis Gezüch – Emil Doepler.

Um sonho e a revelação simbólica

Em 2017, enquanto criava conteúdos sobre os Exus que compõem essa linha, tive um sonho marcante. Nele, atravessava um povoado de guerreiros indígenas quando, de uma grande árvore, descia uma serpente idêntica à da imagem acima.

O curioso é que, tanto eu quanto os indígenas do sonho, saudavam e reverenciavam a serpente como uma divindade. Mais tarde, ao pesquisar sobre o animal, descobri que era a cobra-cainana — exatamente igual à vista em sonho. O episódio foi interpretado como um sinal da presença de um espírito encantado da floresta, identificado com as entidades conhecidas como Exu Cainana e Exu Cobra, entre outros nomes ligados aos elementos naturais.

 

Vozes ancestrais e mistérios das matas

Muitos espíritos dessa linha apresentam voz grave e gutural durante as manifestações espirituais. Quando incorporados em médiuns, é comum misturarem palavras em línguas nativas com o português regional. São entidades reservadas, que não gostam de ser observadas de perto e evitam o uso de palavreado vulgar, preservando uma postura respeitosa e serena.

Existe um equívoco frequente entre os iniciantes: acreditar que entidades com nomes de animais são literalmente representações dessas criaturas. Na verdade, os nomes expressam a ligação espiritual e simbólica com o animal, refletindo seu comportamento, poder e essência. Exemplos dessa simbologia são Exu Pantera Negra, Exu Cobra e Exu Cainana.

Essas entidades são consideradas especialistas em trabalhos de cura, proteção e desobsessão espiritual, atuando na defesa dos caminhos e na restauração da harmonia entre corpo e espírito.

Entidades que compõem a Linha dos Caboclos Quimbandeiros

A seguir, a descrição das principais entidades que integram essa poderosa corrente espiritual dentro da Kimbanda:

 

• Exu Pantera Negra (Chefe da Linha)

Símbolo de força e justiça, está ligado às guerras espirituais e à disciplina. Na Linha dos Caboclos, é uma entidade extremamente respeitada. Muitos de seus subordinados aceitam oferendas semelhantes às de seu chefe, que valoriza a retidão e o equilíbrio entre o bem e o rigor.

 

• Exu Sete Cachoeiras

Conhecido cabalisticamente como Khil, é o quarto comandado do Exu Calunga. Sua atuação é associada às forças das águas e das cachoeiras, e acredita-se que seja responsável por abalos sísmicos no plano espiritual. Aprecia charutos pretos e tem como oferenda favorita a galinha-d’angola recheada com farofa de azeite-de-dendê.

 

• Exu Tronqueira

De nome cabalístico Clistheret, é o sexto comandado do Exu Calunga. Atua como guardião das estradas e dos caminhos, protegendo fronteiras espirituais e físicas. É conhecido por influenciar a troca do dia pela noite, especialmente entre jogadores e boêmios. Dentro da Kimbanda, é invocado para proteger terreiros e templos.

 

• Exu das Sete Poeiras

Cabalisticamente chamado Silcharde, ocupa o sétimo posto sob o comando de Exu Calunga. Seu poder desperta a imaginação e conduz visões espirituais relacionadas aos reinos animais. É o guardião das trilhas, matas e becos, e manifesta-se como um duende de roupagem cinza-escuro.

 

• Exu das Matas

Possui o nome cabalístico Hicpacth e ocupa o nono lugar entre os comandados de Exu Calunga. Atua nos trabalhos realizados nas matas e é procurado em casos amorosos, especialmente quando se deseja o retorno de uma pessoa amada. Está intimamente ligado à natureza e às forças da terra.

 

• Exu das Sete Pedras

Conhecido pelo nome cabalístico Humots, é o décimo comandado do Exu Calunga. Considerado um grande mago da magia universal, é responsável por conhecimentos ligados à Alta Magia, aos tarôs, signos zodiacais, calendários esotéricos, numerologia e simbologias ocultas. Possui grande poder de transmissão e comunicação espiritual.

 

• Exu do Cheiro (ou Exu Cheiroso)

Seu nome cabalístico é Aglasis, e ele comanda uma falange composta por mais de 49 Exus. Seu nome vem da forma singular como se manifesta, exalando aromas agradáveis ou desagradáveis, conforme o tipo de trabalho realizado. Costuma se apresentar em forma humana, envolto por uma camada fluídica. Pertence à Linha de Omolu e é supervisionado por Exu Caveira. Recebe oferendas preferencialmente em jardins ou locais floridos.

• Exu Pedra Negra

De nome cabalístico Claunech, é o sexto comandado de Exu Calunga (Sirach). Aparece sob a forma de um cavalheiro elegante e atua especialmente em questões financeiras, sendo protetor da riqueza e dos que enfrentam dificuldades econômicas. Também é conhecido por ajudar na descoberta de tesouros ocultos. Em oferendas, aprecia vinhos tintos com mel e frutas escuras, como o jamelão.

 

• Pomba Gira da Figueira

Esta entidade lidera uma legião de espíritos femininos antigos, que viveram há milênios na Terra e alcançaram alto grau de discernimento espiritual. É considerada a protetora das raízes do culto, responsável por zelar pela tradição e pela força ancestral feminina dentro da Kimbanda.

Conclusão

A Linha dos Caboclos Quimbandeiros representa um elo profundo entre a espiritualidade ancestral, a força da natureza e a sabedoria mística. Suas entidades refletem o equilíbrio entre poder e serenidade, conhecimento e mistério, reafirmando o papel dos povos indígenas e afro-brasileiros na formação das tradições espirituais do país.

 




O significado de “Catiço”

Normalmente é comum ouvir dentro do Candomblé a palavra “catiço”, sendo usada para se referir aos Exús e Pombas Giras, diferenciando do Òrìṣà Èṣù ou Elégbará. Erroneamente muitas pessoas associam que os compadres e comadres são escravos dos Òrìṣà, o que não é! Pois pertencem a culturas e tradições diferentes, e há pensamentos de que “catiço” se refere a escravo, pois existe uma certa teoria que teria ligação com a palavra “cativeiro”, o que é uma idéia aceita por alguns dentro do caminho religioso de matrizes afro-brasileira. Certo ou não, se tratando deste assunto não há uma origem histórica ou cultural, apenas teorias.

Analisando o termo “Catiço” dentro do português brasileiro, pode ser compreendido como um sinônimo de esperteza e agilidade. Pois é muito comum de uma forma popular usarem esta palavra para se referir a uma criança hiperativa “Nossa! Seu filho é o catiço!”, quanto uma pessoa de má índole “Aquele homem é o catiço atirando”, o que também pode ser usado para ser referir a uma pessoa endiabrada, encapetada ou travessa. E no Candomblé é muito comum a narrativa de que Exú e Pomba Gira são espíritos muito espertos e por isso devem ter muito cuidado com acordos feitos, e que são espíritos que podem pregar travessuras, serem brincalhões ou aplicar certas punições corretivas em seus médiuns, o que reforça a teoria que possa ser este o motivo do uso desta palavra. O Professor Eduardo Henrique Costa (fundador do Universo e Cultura) ensina que os Exús e Pombas Giras são seres totalmente ligados ao movimento e os caminhos, além de ser ancestrais que podem aprender com qualquer um que observa, para ele as duas teorias de significado da palavra são aceitas, porque para cada família ou região pode ter variações nos significados do uso da mesma palavra.

No Candomblé dizer “Catiço” não é única forma adotada por alguns religiosos, há cultuadores que os chamam de “Exús-Egúns”, por ser justamente espíritos desencarnados e que atuam pelo plano astral podendo ajudar a manipular energias, trazer boa sorte ou má sorte, bênçãos ou punições.




A diferença entre Kiumbas e Exus Kiumbas

Há muitas pessoas que confunde e acredita que são iguais, isto infelizmente acontece devido os auto-intitulados “Mestres de Kiumbanda” que possuem experiências apenas em ter muitas curtidas, mas poucas experiências reais com o ocultismo e a tradição, mas de forma prática entenda o assunto.

Kiumbas são espíritos de baixa iluminação, sem muito desenvolvimento espiritual. Eles costumam viver em zonas inferiores do astral (onde as literaturas espíritas conhecem como ‘Umbral’). Por conta de muitos deles serem tão materialistas, estão sempre em busca da volta pela vida terrena, muitos vivem em busca de vinganças e de enganações, acontecendo muita das vezes com terreiros que não tem uma devida defesa espiritual ou com médiuns não desenvolvidos, receberem a presença de um Kiumba e ele acaba fingindo ser uma entidade evoluída.

São espíritos esquecidos, que tentam se fortalecerem de alguma maneira. Nas literaturas umbandistas ficaram conhecidos pela definição de “marginais do astral“. Segundo o professor Eduardo Henrique, definirem como marginais é devido 5 fatores principais:

  1. Não seguem leis ou ordens
  2. Não possuem propósitos
  3. Precisam se manter em cima de “furtos” de energias (vampirismo)
  4. Facilmente podem ser manipulados devido a ignorância, arrogância e falta de conhecimento
  5. São aproveitadores.

Os Kiumbas depois de um certo tempo, não lembram nem se quer de seus nomes, história de vidas terrenas, pelo fato de muito deles se obscurecerem e por isto, feiticeiros costumam invocá-los para práticas destrutivas, pois eles estão sempre em busca de algum ganho, recompensa ou domínio. Estes mestres que utilizam destes espíritos costumam dar nomes como “Chico dos Infernos, Matador Diabólico”, o que trazem para eles um novo sentido, apenas se alimentarem e ferrar com qualquer um, oras para eles não há o que perder.

Há um ditado que diz “nunca esqueça de quem você é e suas origens, para que as pessoas não te transformem no que elas querem que você seja”.

 

– Pinterest.

Os Exús e Pombas-Giras costumam recrutar muitos Kiumbas para trabalharem dentro de suas falanges (grupos espirituais) e com isto evoluírem, se tornando posteriormente um Exú ou uma Pomba-Gira após aprenderem tudo que é necessário com seus mestres. Estes espíritos de baixa evolução que começam a trabalhar sob ordens dos Exus, são conhecidos como Exus Kiumbas. Que podemos compará-los com a idéia de um “estagiário”, adquirindo experiências para assumirem um possível cargo.

Concluindo:
Um espírito que entra recentemente para corrente dos Exús é chamado de Exu Kiumba, por hierarquicamente ser de baixa evolução.
Aquele que não pertence a nenhuma corrente e não segue nada, é um Kiumba.