Dúvidas sobre apadrinhamentos

Na Umbanda e na Quimbanda, existe uma prática completamente comum chamada apadrinhamento. Apesar de ser algo bastante presente nessas religiões, ainda há muitas dúvidas sobre o tema. Por esse motivo, nossa equipe decidiu responder a essa pergunta que recebemos com frequência, por meio de uma explicação clara, objetiva e sem rodeios.
O apadrinhamento se refere ao ato de alguém passar a cuidar, orientar ou zelar por outra pessoa, além das figuras tradicionais de pai e mãe. Trata-se de alguém que não nasceu com essa responsabilidade, mas que, em determinado momento, passou a assumi-la. De forma geral, podemos dividir o apadrinhamento em quatro categorias, conforme explicado a seguir.

 

Apadrinhamento Religioso

O apadrinhamento religioso ocorre quando uma pessoa entra para uma tradição espiritual e passa a ser regida pela entidade chefe da casa. Ou seja, embora o médium possua suas próprias entidades, aquela entidade principal passa a oferecer suporte, orientação e apoio religioso, além de transmitir ensinamentos.
Essa prática é bastante comum em algumas famílias de Quimbanda, nas quais o praticante mantém suas entidades pessoais, mas, ao ser aceito naquela família tradicional, a entidade chefe do terreiro passa a tomar conta e reger espiritualmente essa pessoa.

 

Apadrinhamento Ritualístico

O apadrinhamento ritualístico acontece quando alguém que não pertence a determinada religião ou tradição passa, por algum motivo específico, a ser regido temporariamente por uma entidade. Isso ocorre com frequência em trabalhos espirituais e práticas mágicas que exigem acompanhamento contínuo.

Um exemplo comum é quando uma mulher procura uma sacerdotisa por estar enfrentando problemas amorosos. Durante o ritual, a sacerdotisa invoca uma Pomba Gira que, por decisão própria ou em decorrência do trabalho realizado, assume a responsabilidade de ajudar aquela pessoa em sua vida afetiva. A partir desse momento, tudo o que envolver o campo amoroso poderá ser direcionado àquela mesma entidade, que tomou para si essa missão.

O apadrinhamento ritualístico não costuma ser permanente. Quando ocorre por meio de acordos ou magias específicas, ele pode durar apenas até que o objetivo seja plenamente alcançado. Caso a pessoa apadrinhada passe a agir com desrespeito ou ingratidão em relação à entidade, o auxílio concedido pode ser retirado, havendo inclusive abandono temporário ou definitivo.

É importante lembrar que Exus e Pombagiras possuem polaridades positivas e negativas, além de comportamentos muito semelhantes aos humanos, sendo capazes de sentir alegria, raiva, afeição ou desapontamento.

 

Apadrinhamento Espiritual

O apadrinhamento espiritual ocorre quando, por devoção, afinidade ou amizade, uma entidade decide espontaneamente cuidar e ajudar determinada pessoa. Esse vínculo pode surgir por afeto, identificação ou até mesmo admiração mútua.

Há também casos de consagrações em que a entidade passa a reger a pessoa, algo bastante comum na Umbanda, especialmente durante rituais como os batismos.
Na maioria das vezes, o apadrinhamento espiritual não exige rituais formais ou iniciações religiosas. Ele se estabelece de maneira natural, a partir da relação de amizade e respeito entre a pessoa e a entidade.

Existem casos de pessoas que não incorporam ou “carregam” determinada entidade, como Zé Pelintra, mas que, devido à devoção e ao respeito demonstrados, passam a ser apadrinhadas pela entidade de outra pessoa, que assume simbolicamente a função de padrinho espiritual.

 

Apadrinhamento Humano

Além do apadrinhamento que ocorre diretamente com as entidades espirituais, existe também, dentro da Umbanda e da Quimbanda, o apadrinhamento humano. Esse tipo de apadrinhamento acontece quando uma pessoa é iniciada por um sacerdote ou sacerdotisa, mas recebe apoio, orientação e auxílio direto de outro membro mais experiente da casa, que esteve presente nos preparativos, rituais e no processo inicial daquela caminhada espiritual.

Esse auxiliar pode ser considerado um padrinho ou madrinha humana, embora essa prática não seja adotada por todos os terreiros ou famílias religiosas. Trata-se de um costume que varia bastante conforme a região, a tradição e a hierarquia da casa.

Em alguns lugares, por exemplo, na Umbanda, existem figuras bem definidas como o Zelador ou Pai de Santo e o Pai Pequeno, que auxilia tanto o sacerdote quanto os filhos da casa. Já na Quimbanda, é comum a presença do Mestre e do Grão-Mestre, responsáveis por orientar e sustentar o desenvolvimento dos iniciados.

Em outras tradições espirituais, como no Neo-Xamanismo, utiliza-se diretamente o termo “padrinho” para se referir àquele que consagrou a pessoa no caminho ancestral e auxiliou em seu ponto de partida espiritual.
Independentemente do nome ou da estrutura adotada, o apadrinhamento humano representa apoio, responsabilidade, orientação e compromisso com o crescimento espiritual daquele que está iniciando sua jornada.

 




Ponto de Maria Padilha das Almas

Quando passar na porta do cemitério moço
Ô não se esqueça de olhar pra trás

Quando passar na porta do cemitério moço
Ô não se esqueça de olhar pra trás

Você vai ver, uma moça vestida de preto moço
Ela é Maria Mariá

Você vai ver, uma moça vestida de preto moço
Ela é Maria Mariá

Ela é Maria Mariá
Ela é Maria Mariá

Ela é Maria Mariá
Ela é Maria Mariá.




Aula – Despachando a Porta

O cuidado numa segunda-feira vai muito além do que se pode imaginar. Não é por gosto, mas por fundamentos presentes nas tradições afro-brasileiras.

• AULA EM VÍDEO

A semana começa numa segunda-feira, quando os portais se abrem para um novo ciclo. Não é à toa que esse dia é consagrado a Èṣù, divindade das encruzilhadas, Deus do movimento humano e senhor da comunicação. O culto a Èṣù na segunda-feira é essencial para o início de uma boa semana.

Iniciar a segunda com atos devocionais para que a energia traga caminhos abertos e boa sorte é fundamental. Por isso, muitos, ao despachar a porta, saúdam Èṣù em busca de equilíbrio para a vida e para a terra.

• DESPACHAR A PORTA

Esse é um ato muito comum no Candomblé de Ketu, Nagô e Efon, mas também é praticado em algumas Umbandas e Kimbandas, principalmente por sacerdotes que possuem conhecimentos de fundamentos africanizados. O despacho pode ser feito semanalmente ou, no mínimo, uma vez por mês, de preferência na primeira segunda-feira. Para sacerdotes que possuem terreiros, o ideal é realizá-lo semanalmente, devido à frequência dos trabalhos.

A vida é uma constante alternância: correria, estresse, problemas, práticas mágicas, dias exaustivos. Tudo isso pode sobrecarregar nosso lar ou centro cultural de fluidos energéticos. Além disso, o ambiente pode “esquentar”, e saber “esfriá-lo”, trazendo harmonia e equilíbrio, é essencial.

Para iniciar o ato de despachar a porta, é fundamental realizar uma boa defumação, que pode ser feita com pimenta-do-reino e cominho.

Em seguida, pegue um alguidar pequeno (número 0) que caiba três punhados de farinha e prepare um padê de azeite-de-dendê. Esse padê ajuda a trazer harmonia ao ambiente e a mantê-lo em sintonia com a terra. Cante para Èṣù, caminhando de dentro para fora, passando pelas paredes, portas e janelas até chegar ao portão. Então, arremesse o padê em direção ao asfalto — para o centro, a esquerda e a direita —, dizendo: “Laroiê Exú”. Peça que ele leve todo o mal embora. Durante o ato, mantenha uma quartinha com água, de preferência que tenha estado no assentamento de sua divindade ou entidade.

Após lançar todo o padê do dendê em direção à rua, utilize a água da quartinha para limpar e arremesse-a em direção à rua, estando no portão. Despeje água três vezes: primeiro ao centro, depois à esquerda e, por último, à direita.

• REZAS TRADICIONAIS

Em muitas tradições, são utilizadas rezas em iorubá para trazer paz ao ambiente. Alguns exemplos:

Candomblé:

Omin Tuto
Onã Tuto
Ilê Tuto
Tuto Laroiê

Santeria:

Omi Tuto
Onã Tuto
Ilè Tuto
Tuto Ègún
Tuto Laroiè

Essa reza pede para que a água refresque, que a terra entre em harmonia, que os ancestrais concedam equilíbrio e que Èṣù traga paz ao ambiente.

Yorùbá:

Omi tutu
Omi tutu Exu
Omi tutu Onilé
Omi tutu Egungun
Omi tutu Onã
Omi tutu mojubá o!

Tradução:
Água que acalma
Água que acalma Exu
Água que acalma a terra
Água que acalma os ancestrais
Água que acalma os caminhos
Água que acalma, eu te saúdo.

Há um ditado iorubá que diz: “Somente a água fresca apazigua o calor da terra.” Pensar esse ditado é compreender que a água é o sêmen da vida, o que fertiliza, o que cresce. A água pode até aplacar a morte e os perigos. Sem ela, não há vida nem movimento, pois é a condutora da energia vital.

A ideia de que a água é kizila de Èṣù (Exú), ou que faz mal, é equivocada. A própria Terra precisa da água para se desenvolver. Por isso, despachá-la em nossa porta ou portão simboliza a vida e saúda aquele que é responsável pela continuidade e pelo caminhar: Èṣù. É fundamental manter uma quartinha com água junto ao assentamento, pois ela é fonte de medicina tradicional, capaz de aplacar energias e acalmar ambientes.

• APÓS DESPACHAR

Você poderá defumar a casa novamente com ervas aromáticas voltadas para o progresso. Costumo usar sálvia, alecrim, abre-caminho, alfazema, entre outras. Algumas pessoas também espalham encantamentos pelo ambiente, como pó de saúde ou pó para o progresso — ambos são válidos após a limpeza energética.

Se não for possível defumar com ervas, podem ser utilizados defumadores em tabletes.




Ponto Exu Maré

Exu Maré – com direito a vídeo explicativo e uma imagem incrível!

 

• Ponto cantado:

Ele vem lá do fundo do mar,
Lá do reino de Janaína.

Ele vem lá do fundo do mar,
Lá do reino de Janaína.

Navegando vem, navegando,
Exu Maré, lá do mar vem chegando.

Navegando vem, navegando,
Exu Maré, lá do mar vem chegando.




Ponto de Exu – Com a cabeça de um bode

Exu que anda de noite
Com a cabeça de um bode

Exu que anda de noite
Com a cabeça de um bode

Só faz macumba quem sabe
Só manda macumba quem pode

Só faz macumba quem sabe
Só manda macumba quem pode

Exu que anda de noite
Com a cabeça de um bode

Exu que anda de noite
Com a cabeça de um bode

Só faz macumba quem sabe
Só manda macumba quem pode

Só faz macumba quem sabe
Só manda macumba quem pode




O mel de abelhas aquece ou esfria a energia?

Muitas pessoas, ao cultuar Exus e Pombagiras, acreditam que o mel tem a função de acalmar — inclusive em trabalhos de magias. No entanto, o que poucos sabem é que, quando legítimo, o mel possui uma natureza energética que tende a aquecer, pois trata-se de um adoçante que estimula e intensifica as vibrações. Isso o diferencia do azeite de dendê, que tem a característica de suavizar ou até mesmo resfriar as energias.

É importante destacar que, mesmo quando utilizado de forma equivocada, o mel ainda pode gerar efeitos positivos, devido à força da intenção, à fé e à conexão sincera com a ancestralidade.

Nas oferendas voltadas a aspectos relacionados à sexualidade, aos prazeres ou ao desejo de aquecer um relacionamento, o uso do mel é altamente apropriado. No entanto, em situações que envolvem conflitos e desentendimentos frequentes, existem outras substâncias mais indicadas.

Se o propósito for harmonizar um casal em constante conflito, pode-se optar por melado de cana-de-açúcar. No caso de trabalhos com Pombagiras, há magias específicas que utilizam bombons. Já para Exu Mirim, é comum o uso de rapaduras combinadas com padês em rituais de adoçamento.




VÍDEOS – Pontos Cantados

Aprenda alguns pontos cantados na gira de Exú e baixe os vídeos para levar em seu celular para praticar no dia-a-dia.

As edições de vídeos e legendas foram feitas por Eduardo Henrique.

 

Ponto – A porta do Inferno estremeceu

Voz: Ogan Paulinho

LP: Ponto de Pomba Gira (1981).

 

Ponto – Rei das Sete Encruzilhadas

▪︎ Trilha sonora: Rei das Encruzilhadas

CD O Rei da Magia Negra – Tata Augustin de Satã.




CANTIGAS PARA GIRA DE KIMBANDA NA FORÇA DAS ENCRUZILHADAS

Trouxemos algumas cantigas de Kimbanda bastante comum no Rio Grande do Sul e são cantadas em diversas regiões do Brasil.

1° CANTIGA
O sino da igrejinha faz belém-blém-blom
O sino da igrejinha faz belém-blém-blom
Deu meia-noite, o galo já cantou
Seu Tranca-Rua que é dono da gira
Oi, corre, gira, que Ogum mandou
Seu Tranca-Rua que é dono da gira
Oi, corre, gira, que Ogum mandou

O sino da igrejinha faz belém-blém-blom
O sino da igrejinha faz belém-blém-blom
Deu meia-noite, o galo já cantou
Seu Tranca-Rua que é dono da gira
Oi, corre, gira, que Ogum mandou
Seu Tranca-Rua que é dono da gira
Oi, corre, gira, que Ogum mandou

O sino da igrejinha faz belém-blém-blom
O sino da igrejinha faz belém-blém-blom
Deu meia-noite, o galo já cantou
Seu Tranca-Rua que é dono da gira
Oi, corre, gira, que Ogum mandou
Seu Tranca-Rua que é dono da gira
Oi, corre, gira, que Ogum mandou

O sino da igrejinha faz belém-blém-blom
O sino da igrejinha faz belém-blém-blom
Deu meia-noite, o galo já cantou
Seu Tranca-Rua que é dono da gira
Oi, corre, gira, que Ogum mandou
Seu Tranca-Rua que é dono da gira
Oi, corre, gira, que Ogum mandou

 

2° CANTIGA

Aí que Ogum mandou
Aí que Ogum mandou
Que Ogum mandou
Que Ogum mandou

Porque na minha Encruzilhada quem manda sou eu
Na minha Encruzilhada quem manda sou eu
Na minha Encruzilhada quem manda sou eu
Eu faço e desfaço em nome do que é meu
Eu faço e desfaço em nome do que é meu

Porque na minha Encruzilhada quem manda sou eu
Na minha Encruzilhada quem manda sou eu
Na minha Encruzilhada quem manda sou eu
Eu faço e desfaço em nome do que é meu
Eu faço e desfaço em nome do que é meu

 

3° CANTIGA

Seu terno branco e sua bengala
Na encruzilhada que o Exu bebe e da risada
Seu terno branco e sua bengala
Na encruzilhada que o Exu bebe e da risada

Na encruzilhada que o Exu bebe e da risada
Na encruzilhada que o Exu bebe e da risada

Exu é Bara na rua
Bara é Exú
Bará na rua saravá Destranca Rua

Exu é Bara na rua
Bara é Exú
Bará na rua saravá Destranca Rua

Exu Bara Bará, Bará vem trabalhar
Exu Bara Bará, Bará vem trabalhar
Exu Bara Bará, Bará vem trabalhar
Exu Bara Bará, Bará vem trabalhar

Ê Bará sete cruzeiros, Bará sete chaveiros
Ê Bará sete cruzeiros, Bará sete chaveiros
Ê Bará sete cruzeiros, Bará sete chaveiros
Ê Bará sete cruzeiros, Bará sete chaveiros

Oi, Exú Exú Exú, Bará Bará Bará
Oi, Exú Exú Exú, Bará Bará Bará
Oi, Exú Exú Exú, Bará Bará Bará
Oi, Exú Exú Exú, Bará Bará Bará

Ô eu vi passar por aí
Era uiruí era uiruí
Ô eu vi passar por aí
Era uiruí era uiruí

Ê a uiruí ê a uerauá
Quem manda na Kimbanda é Exu Bará
Ê a uiruí ê a uerauá
Quem manda na Kimbanda é Exu Bará

Ô eu vi passar por aí
Era uiruí era uiruí
Ô eu vi passar por aí
Era uiruí era uiruí

Ê a uiruí ê a uerauá
Quem manda na Kimbanda é Exu Bará
Ê a uiruí ê a uerauá
Quem manda na Kimbanda é Exu Bará

 

4° CANTIGA

Destranca Rua destranca meus caminhos que foi trancado pelo povo pequenino
Destranca Rua destranca meus cruzeiros que foi trancado pelo povo Kimbandeiro
Destranca Rua destranca meus caminhos que foi trancado pelo povo pequenino
Destranca Rua destranca meus cruzeiros que foi trancado pelo povo Kimbandeiro

Ô aruê aruá Ô aruê aruá
Ô aruê aruá Ô aruê aruá
Ô salve o Destranca Rua
Ô salve o Destranca Rua

Ô aruê aruá Ô aruê aruá
Ô aruê aruá Ô aruê aruá
Ô salve o Destranca Rua
Ô salve o Destranca Rua

Ele só vem no clarão da lua, ele só vai no clarão do sol
Ê vamos gargalhar, quá quá quá
Destranca Rua ele é o dono da gira
Ê vamos gargalhar, quá quá quá
Destranca Rua ele é o dono da gira

Ele só vem no clarão da lua, ele só vai no clarão do sol
Ê vamos gargalhar, quá quá quá
Destranca Rua ele é o dono da gira
Ê vamos gargalhar, quá quá quá
Destranca Rua ele é o dono da gira

 

5° CANTIGA

Ô Exú era um homem pequenino,
Além de pequenino aleijadinho,
Ô Exú era um homem pequenino,
Além de pequenino aleijadinho,

Ô vai levando todo mal Exú
Que encontrar por aqui
Ô vai levando todo mal Exú
Que encontrar por aqui

Ouça estes pontos na voz do Pai Paulinho do Xoroquê em seu CD “Quimbanda de Raiz”.




Entenda o que é Quiumbas (Carnaval 2025)

‘Macumbeiro, mandigueiro, batizado no gongá, quem tem medo de quiumba não nasceu pra demandar…”

Quem lembra do trecho deste samba enredo? No Carnaval do ano de 2025, tanto na Internet como também na Sambódromo da Marquês de Sapucaí RJ, este foi um dos sambas-enredo do Acadêmicos do Salgueiro que ficou muito conhecido, principalmente por praticantes de religiões de matrizes afro-brasileiras.

Imagem: Desfile do Acadêmicos do Salgueiro no ano de 2025.

No enredo citava a palavra “Quiumba” e muitas pessoas começaram a questionar, o que na realidade isso significa, se você quer entender melhor, aproveite esta matéria.

Texto • Eduardo Henrique Costa

A palavra “Quiumba” ou “Kiumba” vem de origem Banto, conhecida no idioma quimbundo com o significado de “espírito”, muito usada para se referir a antepassados.

O idioma quimbundo vem da África, uma língua muito falada no noroeste de Angola, incluindo a província de Luanda.

No Brasil, a palavra Quiumba perdeu seu contexto literal, recebendo um significado negativo de seres malignos similares ao Diabo cristão, devido as influências do Cristianismo. Nas literaturas umbandistas, os quiumbas passaram a serem conhecidos como “marginais do astral”, além de também ter o significado de “espíritos de baixa iluminação” ou “espíritos de baixas vibrações energéticas”.

Embora a palavra quiumba não especifica o tipo de espírito, para muitos umbandistas eles são vistos como seres ruins.

ENTENDENDO A CRENÇA UMBANDISTA

Dentro das umbandas, os espíritos de baixa luz, ou que costumam viver em zonas inferiores do astral (onde nas literaturas espíritas conhecem como ‘Umbral’) são chamados de Quiumbas.

O uso da palavra é aplicado a espíritos que desencarnaram recentemente, ou que embora já tenham muito tempo que desencarnaram, se esqueceram de quem são ou por serem muito materialistas acabaram não evoluindo espiritualmente.

Se um espírito que desencarnou se encontra em busca de vingança ou não aceita a morte, os umbandistas chamam de quiumba… por conta do peso negativo que a palavra recebeu, dificilmente veremos alguém chamando um espírito iluminado como um preto-velho de quiumba.

Pasmem, mas até como forma de afrontar ou xingar alguém é usado a palavra, em briga entre macumbeiros chamar alguém de “quiumba” é visto como algo ofensivo, possuindo um contexto de decadência.

EVOLUÇÃO ESPIRITUAL

A realidade é que toda entidade popularmente conhecida como Preto-Velho, Exú, Pomba-Gira, Caboclo, entre outros seres, já foram kiumbas. Oras, todo ancestral um dia pisou na Terra e viveu por aqui, e desencarnou voltando ao plano espiritual.
O espírito que desencarna vira um quiumba, podendo seguir crescendo espiritualmente ou regredindo através da autodestruição.

Os espíritos mais evoluídos costumam recrutar estes seres espirituais para que eles passem por processos evolutivos e um dia se tornarem  ancestrais ilustres.

Um exemplo emblemático disto na Umbanda e Quimbanda são os Exús Kiumbas. Eles são espíritos que desencarnaram recentemente e resolveram entrar para a linha dos Exús e Pombas-Giras, é como se eles fossem “estagiários” e futuramente se tornarão seres mais evoluídos podendo receber cargos ou títulos.

A realidade é que toda entidade cultuada ao longo dos anos, quando adquiri uma alto evolução, este espírito acaba não podendo incorporar mais por tamanha luz que possui e por ter cumprido sua missão, consequentemente os outros quiumbas que trabalham sob ordem deste espírito irão assumir os trabalhos, após ter aprendido toda experiência daquele ser espiritual. Maria Farrapo, por exemplo, era um quiumba, que atualmente conhecemos como Pomba-Gira.

Da mesma forma que há vários tipos de pessoas, existe os quiumbas que querem ajudar e outros que buscam impedir o progresso e a vida das pessoas, estes classificados como “marginais do astral”, possui 5 fatores:

1. Não seguem leis ou ordens;

2. Não possuem propósitos;

3. Precisam se manter em cima de “furtos” de energias (vampirismo);

4. Facilmente podem ser manipulados devido a ignorância, arrogância e falta de conhecimento

5. São aproveitadores.

Os quiumbas que vibram negatividade e não evoluem, depois de um certo tempo, não costumam lembrar nem se quer de seus nomes, histórias de vidas terrenas, pelo fato de muito deles se obscurecerem e por isto, feiticeiros costumam invocá-los para práticas destrutivas, pois eles estão sempre em busca de algum ganho, recompensa ou domínio. Estes mestres que utilizam destes espíritos para a maldade costumam dar nomes como “Chico dos Infernos, Matador Diabólico”, o que trazem para eles um novo sentido, apenas se alimentarem e ferrar com qualquer um, oras para eles não há o que perder.

Há um ditado que diz “nunca esqueça de quem você é e suas origens, para que as pessoas não te transformem no que elas querem que você seja”.

DIFERENÇA ENTRE QUIUMBA E KIUMBA

Na realidade não há nenhuma! O que muda é que “Quiumba” é a forma trazida para o idioma brasileiro (português) e “Kiumba” é a forma original da palavra no idioma banto.

KIUMBAS E EGUNS

São sinônimos.
Kiumba é espírito no idioma quimbundo.
Egun é espírito no idioma iorubá.

Alguns terreiros ensinam que Quiumba é o que é de baixa evolução e Egun seria o que se encontra evoluindo e tem mais força, o que ao meu ver, não é o correto.

A realidade é que as duas palavras sofreu demonização pelo Cristianismo e isso vem sendo seguido em muitas Umbandas devido o sincretismo religioso.

O SENTIDO DO SAMBA-ENREDO DO SALGUEIRO (2025)

“Salve, seu Zé, que alumia nosso morro
Estende o chapéu a quem pede socorro
Vermelho e branco no linho trajado
Sou eu malandragem de corpo fechado

Macumbeiro, mandingueiro, batizado no gongá
Quem tem medo de quiumba não nasceu pra demandar
Meu terreiro é a casa da mandinga
Quem se mete com o Salgueiro, acerta as contas na curimba…”

Analisando:

1. O enredo tem o sentido de proteção espiritual “sou eu, malandragem de corpo fechado”

2.  “Quem tem medo de quiumba, não nasceu pra demandar”, é um conselho que para praticar magia não é qualquer pessoa que pode, imagina alguém que tem medo de espíritos ao mesmo tempo querendo fazer feitiços para atingir pessoas.

3. “Quem se mete com o Salgueiro, acerta as contas na curimba” significa que aquele que tenta fazer o mal para quem está protegido poderá receber de volta.

4. Nos demais versos que não foram citados, o enredo apresenta formas de se proteger e bloquear as coisas que sejam ruins.




Cantigas antigas nas giras de Exús

Aprenda algumas das cantigas cantadas nas giras dentro dos terreiros de Umbanda e Quimbanda!

Nossa equipe sempre vem resgatando riquezas da nossa cultura para que não sejam esquecidas, confira abaixo alguns pontos antigos.

EXU PORTEIRA  (ABERTURA)

Portão de ferro, cadeado de madeira
Portão de ferro, cadeado de madeira 🎶

Exú, toma conta, Exú presta conta
Seu Exú fecha nossa porteira
Seu Exú fecha nossa porteira 🎶

Para ouvir este ponto clique aqui.

EXU DAS SETE ENCRUZILHADAS

Era meia-noite quando o malvado chegou (×2)
Corre gira, corre gira, vai chegar a madrugada
Salve Exú, Salve Exú, das Sete Encruzilhadas 🎶

Era meia-noite quando o malvado chegou (×2)
Corre gira, corre gira, vai chegar a madrugada
Salve Exú, Salve Exú, das Sete Encruzilhadas 🎶

Para ouvir este ponto clique aqui.

EXU TRANCA RUA DAS ALMAS

O sino da igrejinha faz belém-blém-blom
O sino da igrejinha faz belém-blém-blom
Deu meia-noite, o galo já cantou
Seu Tranca-Rua que é dono da gira
Oi, corre, gira, que Ogum mandou
Seu Tranca-Rua que é dono da gira
Oi, corre, gira, que Ogum mandou 🎶

O sino da igrejinha faz belém-blém-blom
O sino da igrejinha faz belém-blém-blom
Deu meia-noite, o galo já cantou
Seu Tranca-Rua que é dono da gira
Oi, corre, gira, que Ogum mandou
Seu Tranca-Rua que é dono da gira
Oi, corre, gira, que Ogum mandou 🎶

Para ouvir este ponto clique aqui

EXU TONIQUINHO

Pedra rolou em cima da samambaia
Pedra rolou em cima da samambaia
Em cima do Toniquinho
Balança mas não cai
Em cima do Toniquinho
Balança mas não cai 🎶

Seu Toniquinho no morro foi batuqueiro
Seu Toniquinho no morro foi batuqueiro

Batucava noite e dia
Derrubando feiticeiro
Batucava noite e dia
Derrubando feiticeiro 🎶

Para ouvir este ponto clique aqui.

A POMBA GIRA CHEGOU

Êêê á, êêê á…
Êêê á, êêê á…

Aguenta a gira segura o ponto, deixa a gira girar (×2) 🎶

Êêê á, a Pomba Gira acaba de chegar
Êêê á, a Pomba Gira acaba de chegar

Ela vai trabalhar
Ela vai trabalhar 🎶

Para ouvir este ponto clique aqui.

OLHA A POMBA-GIRÊ

Olha Pomba Girê, Olha Pomba Gira
Olha a Pomba Girê, Olha a Pomba Gira

Olha a pomba-girê
Olha a pomba-girá
Olha a pomba-girê, olha a pomba-girê
Olha a pomba-girá 🎶

Pomba-gira tem sete maridos
Olha a pomba-girê, olha a pomba-girá
Pomba-gira da saia rodada
Que bebe e que fuma na encruza fechada
Olha a pomba-girê
Olha a pomba-girá
Olha a pomba-girê, olha a pomba-girê
Olha a pomba-girá 🎶

Pomba-gira Maria Mulambo
Maria Padilha, Rainha das Almas
Pomba-gira das Sete Encruzas
Rainha do Lodo, Cigana falada

Olha a pomba-girê
Olha a pomba-girá
Olha a pomba-girê, olha a pomba-girê
Olha a pomba-girá
Olha a pomba-girê

Olha a pomba-girê
Olha a pomba-girá
Olha a pomba-girê, olha a pomba-girê
Olha a pomba-girá
Olha a pomba-girê 🎶

Para ouvir este ponto clique aqui.

RAINHA DA ENCRUZA DE T

Pombagira Ô
Pombagira, ê
Ela é a rainha da encruza
A encruza de T 🎶

Pombagira Ô
Pombagira, ê
Ela é a rainha da encruza
A encruza de T

Ela é formosa
Formosa e rainha
Rainha da encruza
Da encruza de T

Ela é bonita
Bonita e vaidosa
Vaidosa e rainha da encruza de T

Pombagira Ô
Pombagira, ê
Ela é a rainha da encruza
A encruza de T 🎶

Pombagira Ô
Pombagira, ê
Ela é a rainha da encruza
A encruza de T 🎶

Para ouvir este ponto clique aqui.

MARIA PADILHA MINHA COMADRE

Exú, Maria Padilha
Trabalha na encruzilhada
Toma conta, presta conta
Ao romper da madrugada 🎶

Pomba gira, minha comadre
Me proteja noite e dia
É por isso que eu sou
Das suas feitiçarias

Exu Maria Padilha
Trabalha na encruzilhada
Toma conta, presta conta
Ao romper da madrugada

Pomba gira, minha comadre
Me proteja noite e dia
É por isso que eu sou
Das suas feitiçarias 🎶

Para ouvir este ponto clique aqui.

POMBA-GIRA CIGANA DE FÉ

Vinha caminhando a pé,
para ver se encontrava a minha cigana de fé.
Vinha caminhando a pé,
para ver se encontrava a minha cigana de fé. 🎶

Ela parou e leu minha mão.
Me disse a pura verdade,
E eu so queria saber,
aonde mora Pomba Gira Cigana de fé,
Mas eu só queria saber,
aonde mora Pomba Gira Cigana de fé. 🎶

Eu vinha caminhando a pé,
para ver se encontrava a minha cigana de fé.
Vinha caminhando a pé,
para ver se encontrava a minha cigana de fé.

Ela parou e leu minha mão.
Me disse a pura verdade,
E eu só queria saber,
aonde mora Pomba Gira Cigana de fé,
Mas eu só queria saber,
aonde mora Pomba Gira Cigana de fé.
Laroyê 🎶

Para ouvir este ponto clique aqui.

EXU GIRAMUNDO

Girou, girou, girou Exu Giramundo 🎶
Girou, girou, Pombagira que vence demandas
Rainha da Encruza, Saravá Umbanda
Êee Saravá Umbanda, Êeá Saravá Umbanda (×2) 🎶

Para ouvir este ponto clique aqui.

EXU VAI DESMANCHAR (DEFESA)

Quem não é de fé, não vai curiá com eu (×2)
Êê á tem mironga (×2)
Exu vai desmanchar 🎶

Quem não é de fé, não vai curiá com eu (×2)
Êê á tem mironga (×2)
Exu vai desmanchar 🎶

Para ouvir este ponto clique aqui.

 

Baixe nossos slides e use em suas apresentações ou como materiais de apoio, clique aqui.