Esta entidade possui uma alta evolução espiritual e exige sutileza no seu trato, pois uma vez invocado, jamais aceita ordens terrenas para ir embora, é necessário que se recorra às entidades superiores para que atendam o pedido. Possui aparição muito rara, é um Exu muito antigo, rude. Sua apresentação é idêntica a de seu companheiro Marabô. Também escreve corretamente o francês. Em suas manifestação em particularidade costuma expelir odor de enxofre. Este Exu aprendia bons charutos e ótimos vinhos.
Oferenda
Elementos necessários:
Um alguidar médio
Dois panos pretos
Um pano vermelho
Sete velas vermelhas e pretas
Sete charutos de ótima marca
Farinha de mandioca
Vinho tinto suave
Sete fatias de manga com casca
Sete bifes de boi sem pele e sem gordura
Dendê.
MODO DE PREPARO – lave a parte de dentro do alguidar com vinho tinto e espere secar, enforre um dos panos pretos dentro do alguidar. Misture com a mão esquerda a farinha de mandioca e o vinho tinto, fazendo uma farofa um pouco úmida, e ponha dentro do alguidar. Refogue os bifes levemente no dendê e ponha-os no alguidar, rodeie em volta com fatias de mangas, vá para um campo aberto ou encruzilhada e despeje um pouco da bebida no chão fazendo um círculo, enforre os panos no chão e ponha o alguidar por cima. Acenda as sete velas e charutos fazendo seus pedidos para o Exu Mangueira, quando terminar, saia sem olhar para trás.
Ponto riscado.
Ponto cantado:
Ventou bem forte e a mangueira nem tremeu (2X)
Quando ouviu sua gargalhada todo mundo estremeceu (2X)
Cuidado gente Exu Mangueira é kimbandeiro (2X)
Exu Rei me dê licença para ele entrar neste terreiro (2X)
Exu criado no meio da bruxaria
É um Exu inquizilado, é melhor tomar cuidado pois sabe tudo de magia
Ventou bem forte e a mangueira nem tremeu (2X)
Quando ouviu sua gargalhada todo mundo estremeceu (2X)
Toma cuidado com aquilo que pedir esse Exu é
poderoso e você vai conseguir
Pense bem antes para não se arrepender
Esse Exu é poderoso ele vai lhe atender (2X)
Ventou bem forte e a mangueira nem tremeu (2X)
Quando ouviu sua gargalhada todo mundo estremeceu (2X)
• Fonte consultada:
MARIA, José. No Reino Dos Exus. 6.ed. Curitiba: Pallas, 2006.
Trabalho prático para ajudar pessoas que sofrem com traições amorosas ou de amigos
Esta magia é voltada ao Exu Mangueira.
Elementos necessários:
Um cesto pequeno
Pano vermelho
Farinha de mandioca
Azeite de dendê
Charuto
Cachaça
Sete pedaços de cana-de-açúcar
Sete fatias de melão
Sete pedaços pequenos de bucho crus
Mel de abelhas.
MODO DE PREPARO – forre o cesto com o pano vermelho. Misture dois copos de farinha com duas colheres de sopa de dendê, algumas pitadinhas pequenas de mel, e os pedaços de bucho. Ponha esta farofa no cesto. Enfeite ao redor com as fatias de melão e os pedaços da cana-de-açúcar. Deixe este presente embaixo de uma mangueira bem bonita, chamando por Seu Mangueira e faça a ele seus pedidos. Borrife com um pouco de cachaça e coloque o restante despejando em volta do presente cantando para o Exú, sempre pedindo o que deseja.
A diferença entre Kiumbas e Exus Kiumbas
Há muitas pessoas que confunde e acredita que são iguais, isto infelizmente acontece devido os auto-intitulados “Mestres de Kiumbanda” que possuem experiências apenas em ter muitas curtidas, mas poucas experiências reais com o ocultismo e a tradição, mas de forma prática entenda o assunto.
Kiumbas são espíritos de baixa iluminação, sem muito desenvolvimento espiritual. Eles costumam viver em zonas inferiores do astral (onde as literaturas espíritas conhecem como ‘Umbral’). Por conta de muitos deles serem tão materialistas, estão sempre em busca da volta pela vida terrena, muitos vivem em busca de vinganças e de enganações, acontecendo muita das vezes com terreiros que não tem uma devida defesa espiritual ou com médiuns não desenvolvidos, receberem a presença de um Kiumba e ele acaba fingindo ser uma entidade evoluída.
São espíritos esquecidos, que tentam se fortalecerem de alguma maneira. Nas literaturas umbandistas ficaram conhecidos pela definição de “marginais do astral“. Segundo o professor Eduardo Henrique, definirem como marginais é devido 5 fatores principais:
Não seguem leis ou ordens
Não possuem propósitos
Precisam se manter em cima de “furtos” de energias (vampirismo)
Facilmente podem ser manipulados devido a ignorância, arrogância e falta de conhecimento
São aproveitadores.
Os Kiumbas depois de um certo tempo, não lembram nem se quer de seus nomes, história de vidas terrenas, pelo fato de muito deles se obscurecerem e por isto, feiticeiros costumam invocá-los para práticas destrutivas, pois eles estão sempre em busca de algum ganho, recompensa ou domínio. Estes mestres que utilizam destes espíritos costumam dar nomes como “Chico dos Infernos, Matador Diabólico”, o que trazem para eles um novo sentido, apenas se alimentarem e ferrar com qualquer um, oras para eles não há o que perder.
Há um ditado que diz “nunca esqueça de quem você é e suas origens, para que as pessoas não te transformem no que elas querem que você seja”.
– Pinterest.
Os Exús e Pombas-Giras costumam recrutar muitos Kiumbas para trabalharem dentro de suas falanges (grupos espirituais) e com isto evoluírem, se tornando posteriormente um Exú ou uma Pomba-Gira após aprenderem tudo que é necessário com seus mestres. Estes espíritos de baixa evolução que começam a trabalhar sob ordens dos Exus, são conhecidos como Exus Kiumbas. Que podemos compará-los com a idéia de um “estagiário”, adquirindo experiências para assumirem um possível cargo.
Concluindo:
Um espírito que entra recentemente para corrente dos Exús é chamado de Exu Kiumba, por hierarquicamente ser de baixa evolução.
Aquele que não pertence a nenhuma corrente e não segue nada, é um Kiumba.
Trabalho prático para exu trazer abundância no seu dia a dia; não lhe deixar faltar os pães de cada dia
Esta magia é voltada ao Exu Mangueira.
Esta magia é voltada ao Exu Mangueira.
Elementos necessários:
Um copo de arroz com casca
Um saco grande branco
Duas colheres de sopa de mel
Um copo de farinha de mandioca
Um copo de açúcar
Um copo de fubá
Duas colheres de sopa de melado
Duas colheres de sopa de azeite de oliva
Sete moedas
Sete ímãs
Sete folhas de manga espada lavadas e
bem secas
Um copo de milho de pipoca
Um copo de milho vermelho
Sete folhas de louro
Um copo de feijão preto
Um copo de feijão branco
Um copo de pó de café.
MODO DE PREPARO – misture todos os ingredientes num recipiente grande e coloque dentro do saco. Passe simbolicamente o saco pelo corpo, de baixo para cima, pedindo a Exu Mangueira que aquele seja o “saco da fartura, o saco da prosperidade” de sua vida, de sua casa. Pendure este presente no galho de uma mangueira, em um local alto, em uma mata bem bonita e chame por Seu Mangueira. Ponha algumas moedas no pé da árvore, em intenção das forças das matas, dos senhores das florestas e dos bosques. Se quiser faça novamente este presente, depois de sete meses.
Trabalho prático para pedir segurança para o seu dia a dia
Esta magia é voltada ao Exu Mangueira.
Elementos necessários:
Um pedaço de pano verde
Sete pregos grandes virgens
Um charuto
Farinha de mandioca
Mel
Uma cebola roxa
Um pimentão verde
Uma garrafa de jurubeba.
MODO DE PREPARO – procure em uma mata o tronco de uma mangueira, seca ou um tronco caído no chão. Espete os setes pregos em círculo no tronco. Forre o círculo com o pano verde. Misture a farinha, o mel, com as mãos, fazendo uma farofa e coloque em cima do pano. Acenda um charuto e vá despejando a bebida em volta do tronco, fazendo os seus pedidos ou agradecimentos ao Exu Mangueira.
Trabalho prático para ajudar na estabilidade financeira
Esta magia é voltada ao Exu Mangueira.
Elementos necessários:
Um alguidar médio
Vinho tinto ou verde
Um pedaço de pano verde
Farinha de mandioca
Melado
Um copo de cachaça
Um pedaço de carne de boi cru
Duas mangas (qualquer tipo) descascadas e fatiada
Charuto.
MODO DE PREPARO – coloque o pano verde em cima do alguidar enforrando. Misture a farinha com um pouco de melado e a cachaça e faça uma farofa bem soltinha com as mãos. Ponha a farofa no alguidar, com o pedaço de carne por cima. Enfeite com os pedaços de manga. Se você conseguir achar um local com vários pés de manga, será ótimo, mas o presente também pode ser entregue em um local bem arborizado. Acenda o charuto e dê algumas baforadas, fazendo seus pedidos a Exu Mangueira. Rodeie o presente com o vinho, colocando um pouco em cima do presente.
Banho mágico para elevar o ânimo deixando em alto-astral
Nos finais de ano, um dos pedidos que mais recebemos é sobre sugestões de alguns banhos para virada de ano e não é apenas isto, pedem com frequência algumas receitinhas para dar mais ânimo e alegria. Trouxemos uma muito boa, confira.
Ingredientes:
Rale metade de uma casca de laranja pêra;
30g de erva fresca/seca de levante (alguns conhecem como elevante);
30g de folhas e galhos de menta frescos.
Modo de preparo:
Ferva 2 litros de água numa panela e quando estiver borbulhando bastante, apague o fogo. Coloque todos os ingredientes dentro da panela e abafe. Quando o banho estiver frio, utilize da cabeça para baixo e coloque roupas de cores alegres.
Obs: algumas pessoas são alérgicas a contato de laranja com a pele, é bom ter a certeza antes, além de não deixar o banho cair dentro dos olhos.
Kalunga – A Morada dos Ancestrais
Você certamente já deve ter ouvido falar sobre ‘Kalunga’ ou em algum momento presenciará dentro da Kimbanda ou Umbanda, o uso frequente desta palavra. Mas o que muitos não sabem, é sobre sua origem e profundo significado, nesta matéria buscarei demonstrar um lado que possa ser que não conheça, confira.
Etimologicamente este termo se originou a partir do idioma quimbundo (ka’lunga), que significa literalmente “mar“, mas pode ser usado para transmitir a idéia de “grandeza” e “imensidão“. Alguns estudiosos relatam que os negros utilizavam este nome para se referir ao deus dos missionários católicos, pois consideravam-no vago como a imensidão do mar.
Para os congos e angolenses, por exemplo, os primeiros a serem trazidos para o Brasil como escravos, kalunga era uma palavra usada dentro de suas crenças para se referir o mundo dos ancestrais, pois era deste lugar que vinha a força para suportar os períodos tão trágicos e desumanos.
Fotografia realizada em Copacabana, Rio de Janeiro no Brasil.
Ponto antigo cantado por um Preto Velho
Os quindins, os quindins,
Os quindins, ô mujongo
Olha lá no mar
Olha lá no mar, ô mujongo
Olha mujongo no mar
Sua terra é muito longe, ô mujongo
Ninguém pode ir lá
Ninguém pode ir lá, ô mujongo
Olha mujongo no mar…
NOTA: Alguns costumam cantar outra versão, ao invés de dizer ‘olha mujongo no mar’, dizem ‘bota mujongo no mar’, pelo motivo da Terra Ancestral ser tão longe, que a única forma pelos vivos seria cultuando suas entidades na beira do mar, por não conseguirem cruzar o portal para outra dimensão.
Imagem produzida pela nossa equipe para que de uma forma didática, possamos compreender a história que será contada.
Segundo uma história do povo kalunga – o mundo era representado como uma grande roda cortada ao meio, e em cada metade havia uma grande montanha. Numa metade da roda, se encontrava o pico da montanha que ficava virado para cima, mas na outra metade a montanha estava invertida de cabeça para baixo. De um lado da roda, a montanha de cima representava o mundo dos vivos. Do outro, a montanha de ponta-cabeça representava o mundo dos mortos, a Terra de seus ancestrais.
Quando reparamos na cantiga de Preto-Velho exposta anteriormente “sua terra é muito longe… Ninguém pode ir lá…”, justamente pela Kalunga ser as águas que separa as dimensões, um portal de trajeto para o mundo espiritual ou pelo outro lado, uma volta para o mundo dos vivos. Dentro das Umbandas e Kimbandas, existe a Kalunga que se refere aos cemitérios, os antigos costumavam chamar de “Kalunga-Pequena”, devido os corpos serem depositados naquele local. Mas o maior portal está na imensidão, tão vasta de trajeto dos espíritos que é nas águas, conhecida como “Kalunga-Grande”, onde norteia grandes mistérios que ainda não existe tantos conhecimentos voltados sobre este lugar.
Os africanos, principalmente os povos iorubás, levam muito a sério a ideia de respeito com o mar, pois existem até provérbios que dizem “ninguém sabe o que se encontra debaixo do mar verdadeiramente”, um lugar pouco explorado e incapaz do ser humano cavar as areias do mar.
Imagem africana do deus Kalunga Ngombe.
Kalungangombe na África, é considerado um deus angolense das profundezas do globo terrestre, conforme afirma Olga Gudolle Cacciatore (Dicionário de cultos afro-brasileiros, 1977), para ela, Kalunga-Grande passando pelo kimbundo (quimbundo) e sua origem africana, é o mar, o oceano. E Kalunga-Pequena, também possui formação histórica no kimbundo, que se refere ao cemitério, a morte; enquanto kalungas no plural – se refere a falange de seres espirituais ou dos povos kalunga.
Observação: O uso da palavra “Calunga”, também é correto, se refere a adaptação no português-brasileiro.
Imagem: Sergio Amaral/MDS.
É necessário que possamos refletir sobre a visão de mundo que os africanos tinham, pois associavam a palavra Kalunga à morte e o mundo dos mortos, de um jeito muito diferente que os brasileiros, vale ressaltar que na cultura ocidental o cemitério é visto como a morada dos mortos – um lugar tristre e muita das vezes assustador, enquanto para os povos kalunga, era o que tornava uma pessoa renascida, podendo se tornar ilustre e importante, porque mostrava que aquela pessoa tinha incorporado em sua vida espiritual a força de seus antepassados, sendo assim, os reis acreditavam que só governariam enquanto fossem capazes de se manterem um povo unido em torno dessa força.
Interior de um navio negreiro, pintura do artista alemão Johann Moritz Rugendas. (Aprox. 1830).
Os kalungas também são conhecidos como os descendentes de escravos fugitivos e libertos que formaram uma comunidade autossuficiente na região atualmente conhecida como o estado de Goiás, no centro do Brasil.
Dentro da crença afro-brasileira existe entidades chamadas de Kalunga (Calunga), como por exemplo, Calunguinha, Exu Calunga, entre outros, que recebem este nome porque justamente são ligados ao oceano e outros ao cemitério. Na Umbanda existe um seguimento em que as entidades pertencentes a Kalunga-Grande são espíritos ligados a Iemanjá, e os espíritos ligados à Kalunga-Pequena são espíritos que trabalham na linha de vibração do Senhor Omolu.
Imagem: Sereia, óleo sobre tela – Jean Errado.
Eu tô te chamando, ó Calunga!
Pra você vir trabalhar,
Quando eu te vejo, ó Calunga!
Vejo também a sereia do mar.
Eu tô te chamando, ó Calunga!
Pra você vir trabalhar,
Quando eu te vejo, ó Calunga!
Vejo também a sereia do mar.
Eu tô te chamando, ó Calunga!
Pra você vir trabalhar,
Chega também a sereia do mar.
Aula 5 – Introdução a Kimbanda II
Boas-vindas! Esta é uma área onde você conseguirá visualizar todas nossas aulas em vídeos gravados. Bons estudos!
Trabalho prático para clarear a vida, os caminhos, trazer felicidade
Esta magia é voltada ao Exu Marabô.
👉 Elementos necessários:
Um alguidar médio
Um pedaço de branco e azul
Kiwi
Vinho branco
Farinha de mandioca
Azeite de oliva
Uma vela branca
Um charuto.
👉 MODO DE PREPARO: lave o alguidar com um pouco de vinho branco, logo após o alguidar secar, misture com as pontas dos dedos a farinha, o azeite, fazendo uma farofa meio úmida. Forre o alguidar com o pano e coloque a farofa. Lave e seque o kiwi, corte-o em rodelas e coloque ao redor. Leve a uma encruzilhada ou deixe o presente em um campo bonito. Acenda a vela e o charuto, fazendo seus pedidos, oferecendo ao Exu Marabô Toquinho. Borrife algumas gotas do vinho no presente e despeje o restante em volta fazendo um círculo.