Uma bela receita, simples e prática para o seu culto a esta Pomba Gira.
Elementos Necessários:
✓ Um alguidar grande
✓ Farinha de milho
✓ Azeite de dendê
✓ Milho para pipoca
✓ Uma batata doce assada
✓ Sete carnes moídas cruas em formato de almôndegas
✓ Sete figos cristalizados
✓ Um bife bovino
✓ Seis velas brancas
✓ Uma vela vermelha
Uma cigarrilha
✓ Caixa de fósforo
✓ Um champanhe vermelho
✓ Uma taça (nova, sem uso)
✓ Um pente
✓ Sete rosas vermelhas (sem o cabo e ou espinho)
✓ Uma maçã.
MODO DE PREPARO –lave o alguidar com champanhe, ao secar, faça uma farofa de farinha de milho com dendê, um pouco úmida. Coloque um bife bovino por cima, no meio, coloque as carnes moídas cruas em volta. Arrume-os os sete figos dentro do alguidar, ponha uma batata doce assada (podendo ser no mel e cortada em rodelas) e coloque no alguidar, ponha no meio uma maçã. Coloque enfeitando nas bordas, as rosas no prato, ou em volta dele. Por cima ponha um pouco de pipoca feita de maneira normal (sem açúcar ou sal). Leve uma caixinha com os presentes, onde ela deve estar aberta na hora da entrega. Leve para boca de mata ou em baixo de uma figueira, ponha o alguidar, despeje a bebida em volta, acenda a cigarrilha e ponha no alguidar, acenda sete velas em voltas, fazendo seus pedidos
Pomba Gira da Figueira
A Pomba Gira da Figueira é um espírito de rara incorporação, uma grande conhecedora dos mistérios e segredos da natureza, capaz de conceder prosperidade, sabedoria oculta e auxílio nas causas amorosas.
Essa entidade possui uma forte ligação com a árvore figueira e, para compreendê-la verdadeiramente, é necessário se aprofundar nos estudos sobre essa árvore (clique aqui).
A figueira carrega uma simbologia rica e fascinante em diversas culturas — como no Judaísmo, Budismo e muitas outras. Contudo, em tempos modernos, passou a ser associada a forças sombrias, sendo considerada por alguns como morada de criaturas noturnas e malignas. Essa visão negativa consolidou-se após uma passagem bíblica em que Jesus amaldiçoa uma figueira (Marcos 11:12-14).
Entretanto, em culturas muito mais antigas, a figueira era vista como uma árvore sagrada, símbolo de iluminação, prosperidade e descanso espiritual — um local de bons fluídos e meditação.
Na Kimbanda, assim como no Vodu, acredita-se que existem árvores que funcionam como pontos de cruzamento energético, onde espíritos ancestrais se reúnem em busca de evolução espiritual e conhecimento. Dentro da tradição kimbandeira, a figueira é considerada um portal: por meio de suas raízes, é possível se comunicar com entidades das profundezas do oculto, e através de sua copa, com planos superiores — representando a ascensão e a descida dos espíritos.
Assim como o Cruzeiro das Almas, a figueira é um refúgio ancestral, um ponto de iluminação e caminho espiritual. Ela desperta a vidência e o conhecimento oculto em seus praticantes. Muitos grandes líderes espirituais que marcaram suas religiões em vida possuíam uma forte conexão com essa árvore.
Algumas correntes acreditam que a figueira é o lar de espíritos sombrios e demônios que ali encontraram refúgio e proteção. Dentro das artes ocultas, é comum seu uso em rituais de pacto, proteção e invisibilidade. Há relatos antigos de pessoas que buscaram abrigo sob uma figueira e tornaram-se invisíveis aos olhos de seus perseguidores — como se estivessem envoltas por uma sombra mágica.
A Pomba Gira da Figueira e sua legião de espíritos femininos são muito antigas. Vivenciaram passagens milenares pela Terra e alcançaram um elevado grau de sabedoria e discernimento. Elas exercem a função de protetoras das raízes do culto, guardiãs do conhecimento ancestral e das práticas mágicas proibidas.
Isso não significa que tenham sido mulheres idosas em vida — essas geralmente se associam a outras falanges, como a de Tata Mulambo, entre outras.
Seus praticantes recorrem a ela em busca de força, discernimento, conexão ancestral, saúde, equilíbrio material e harmonia. Diferentemente de outras falanges, como Maria Mulambo ou Maria Navalha, a Pomba Gira da Figueira raramente atua em demandas diretas — mas, quando o faz, sua intervenção pode ser letal. Ligada ao conhecimento oculto e proibido, ela tem o poder de acessar o estado mental do adversário, levando-o ao adoecimento físico e espiritual.
Por trabalhar com as forças enraizadas da figueira, também pode influenciar o corpo físico, provocando doenças no sistema linfático ou desequilíbrios no sangue — manifestações conhecidas como magias de envenenamento.
🎵 PONTO CANTADO 🎵
🎶 Foi em uma estrada velha, na subida de uma serra,
Numa noite de luar (de luar, de luar)… 🎶
🎶 Pomba Gira da Figueira, moça bela e faceira,
Dava o seu gargalhar… 🎶
🎶 Ela é mojubá, ela é mojubá,
Ela é mojubá, ela é mojubá. 🎶
Comidas para Pretos-Velhos
Aprenda diversas receitas da culinária religiosa da cultura afro-brasileira utilizadas para oferendas, agrados, homenagens, festivais e muito mais!
ANTIGO MINGAU DAS ALMAS
Materiais: Pão, água ou café amargo.
AIPIM DAS ALMAS
Alguns pedaços de aipim descascados e cozidos em água pura. Depois de cozidos, deixe esfriar, arrume em um alguidar e regue com melado.
MINGAU DAS ALMAS
Ingredientes: ½ litro de leite + 2 ½ colheres de sopa de farinha de acaçá + ½ xícara de açúcar. Modo de preparo: misture todos os ingredientes e leve ao fogo, mexendo sempre até dar ponto de mingau liso, bem mole. Coloque numa tigela branca e, depois de frio, leve na casa das almas ou num cruzeiro de igreja, ou num campo limpo com uma vela branca oferecendo as almas.
ROUPA VELHA (PRETO VELHO)
Dessalgue um pedaço de carne seca e pique. Refogue uma cebola ralada no azeite doce e coloque a carne seca picada e sem sal, deixe cozinhar bem. Depois de bem cozida, desfie a carne. Esta carne desfiada pode ser misturada com farinha de mesa ou com feijão preto (caroço).
TUTU ( PRETO VELHO)
Cozinhe feijão preto depois de pronto, coloque em uma cubuca e misture com um pouco de farinha de mandioca.
CAFÉ PARA AS ALMAS
Pão molhado no café e leite em uma cubuca ou tijela.
COPO HARMONIZADOR DA PRETA VELHA
Em um copo virgem coloque água filtrada de preferência de filtro de barro, adicione uma rosa branca por cima. Depois basta acender uma vela branca e reze um Pai Nosso e Ave Maria.
BEBIDAS QUE PODEM SER SERVIDAS AS ALMAS
Leite de vaca;
Água mineral;
Vinho moscatel;
Café amargo.
Oferenda para Exu Tata Caveira
Esta oferenda pode ser entregue no assentamento ou na natureza.
Elementos necessários:
Um alguidar médio
Um pano preto
Arroz branco
Uma beterraba
Uma cenoura
Couve
Um ovo de galinha
Um bife de porco
Um bife de fígado
Um bife bovino
Sete velas vermelhas e pretas
Um conhaque João da Barra ou Underberg.
MODO DE PREPARO – lave o alguidar com um pouco da bebida deste Exú, ao secar, enforre com um pano preto (se não tiver, não tem problemas). Prepare um arroz branco cozido, após estar pronto coloque no alguidar. Enfeite em volta com sete (ou nove) rodelas de beterraba e cenoura. Prepare uma couve cozida e coloque-a no alguidar, sem o cabo. Coloque espalhadas em volta, sete (ou nove)
rodelas de ovo cozido. Refogue rapidamente os bifes no dendê e coloque ao meio do alguidar em cima das couves. Leve para uma estrada de terra ou cemitério, despeje a bebida no chão fazendo um círculo saudando Exu Tata Caveira, ao terminar, coloque o alguidar no chão, acenda as sete velas em volta fazendo seus pedidos. Ao terminar, saia sem olhar para trás.
Oferendas para Pretos-velhos
Pretos-velhos são espíritos que se apresentam como vovôs e vovós, trazendo exemplos de humildade e possuem uma alta luz e são grandes conhecedores de mirongas (segredos de magias). Muitos não sabem o que fazer de oferendas para eles e trouxemos um trecho do livro no Reino dos Pretos-Velhos que é de grande valor cultural e espiritual, vejamos:
Pretos-velhos em geral – No canto de uma encruzilhada: cigarro de palha, caixa de fósforos, marafo (cachaça) com mel. Pai Jacó – No canto de uma encruzilhada: uma rapadura, farofa, uma banana e uma cuia com água. Pai Jobá – Antes de uma encruzilhada: uma garrafa de marafo com mel, um charuto, uma caixa de fósforos, uma rapadura. Maria Conga – Antes de uma encruzilhada: uma garrafa de marafo, um pedaço de fumo de rolo, mel para cercar a oferenda. Vovó Luiza – Num gramado: um pedaço de fumo, uma cocada preta, uma garrafa de marafo com mel. Tia Maria – Na encruzilhada: um charuto, uma caixa de fósforos, uma garrafa de marafo, mel para cercar a oferenda. Pai José de Aruanda – Numa encruzilhada deserta: uma vela, um cigarro de palha, uma caixa de fósforos, uma rapadura, uma garrafa de marafo para cercar a oferenda. Tio Antônio – Na porta de uma igreja: uma cocada, um cigarro de palha e uma rosa vermelha, tudo envolto com papel branco e um laço de fita vermelha. Pai João de Minas – Na escada de uma igreja: um pedaço de fumo de rolo, uma rapadura, três balas de mel, tudo em um pacote de papel branco, atado com fita roxa. Pai Jobim – Na escada de uma igreja: um pedaço de fumo em corda, uma rapadura, três balas de mel, tudo em um pacote de papel branco, atado com fita branca. Pai João Bangulê – Na encruzilhada: cigarro de palha, uma caixa de fósforos, uma rapadura, uma garrafa de marafo. João Batué – Na encruzilhada: uma garrafa de marafo com mel, uma rapadura e um pedaço de fumo em corda. Pai Agolô – Na encruzilhada: um pedaço de fumo em corda, uma rapadura, uma garrafa de marafo. Baianas de Missanga – Na escada de uma igreja: um buquê de flores envolto em papel branco, uma vela e um punhado de balas. Pai João Batão – Na escada de uma igreja: um rosário branco, uma vela branca e um buquê de rosas brancas envolto em papel de seda da mesma cor. João da Ronda – Na encruzilhada: montar um círculo com velas brancas e pôr no centro um pedaço de fumo e uma caixa de fósforos aberta; abrir uma garrafa de marafo e circundar a oferenda com bebida. Pai Cambinda – Na encruzilhada: um pedaço de fumo, rapadura preta, fumo em corda, fósforo e uma vela. Pai Benedito – Na encruzilhada: uma garrafa de marafo com mel, uma rapadura, vela, um rosário. Povo da Bahia (Na canjira) – Levar uma garrafa de cerveja, um buquê de rosas brancas envolto em papel de seda da mesma cor, um pacote de velas brancas e oferecer várias preces. Maria Redonda – Na encruzilhada: uma cocada, um charuto e uma garrafa de marafo com mel. Povo do Congo – No canto de uma encruzilhada: um charuto, uma caixa de fósforos, uma garrafa de marafo com mel. Povo da Bahia (Senhor do Bonfim) – Em uma encruzilhada: um pacote de velas brancas, uma garrafa de cerveja preta, um prato de vatapá, um charuto e fósforos; abrir a cerveja e cercar a oferenda com ela.
Trecho extraído da fonte:
MARIA, José. No reino dos Pretos-Velhos. 6.ed. Curitiba: Pallas, 2006.
Exu Tata Caveira
A Palavra “Tata” e Sua Representatividade
A palavra “Tata” é de origem banta (ou bantu) e significa “pai”, sendo um título de respeito e representatividade concedido aos mais velhos.
O termo constitui uma evidência fundamental da herança banto no Brasil, especialmente nas religiões de matriz africana. Pesquisas linguísticas e teses universitárias confirmam que tata (ou tate) é uma forma de tratamento usada para designar “pai” ou “ancião” em diversas línguas bantas, como o Quicongo e o Quimbundo — idiomas trazidos por povos da região do atual Congo e Angola durante o período da diáspora africana.
Contexto Religioso
No Candomblé de Angola, o termo Tata é essencial na estrutura hierárquica.
Expressões como Tata de Inkice ou Tata ria Nkisi designam o sacerdote responsável por zelar pelos iniciados (filhos de santo). Esse título confere autoridade espiritual, sabedoria e liderança, refletindo a profunda valorização dos anciãos e da ancestralidade nas culturas bantas.
Pesquisadores como Nei Lopes e Kabengele Munanga destacam que essa terminologia evidencia a continuidade linguística e simbólica da tradição banta na formação das religiões afro-brasileiras.
Contexto Histórico
No Brasil colonial, registros documentais e etnográficos demonstram que o termo Tata foi amplamente utilizado, não apenas para indicar parentesco ou respeito, mas também autoridade espiritual e social dentro das comunidades negras. Essa permanência reforça a importância da cosmovisão banta na construção da identidade afro-brasileira, especialmente nas práticas religiosas como o Candomblé de Angola e a Umbanda.
Exu Tata Caveira
Exu Tata Caveira possui grau evolutivo equivalente a um Rei, porém não manifesta ostentação ou majestade.
Em terreiros que associam saberes da Goetia, é identificado cabalisticamente pelo nome Próculo.
É considerado o primeiro comandado de Exu Caveira, a quem demonstra lealdade absoluta, agindo como seu representante direto. Essa entidade não costuma trabalhar com questões amorosas, voltando-se mais para guerras espirituais, destruição e enfermidades — especialmente aquelas que envolvem vícios e desequilíbrios energéticos.
Exu Tata Caveira é conhecido por sua seriedade e rigor. Costuma atuar em locais de energia densa, como a sétima catacumba do lado esquerdo nos cemitérios, onde recebe suas oferendas.
Seu domínio é o limite entre a vida e a morte, simbolizando o poder da transformação espiritual e a justiça dentro das leis de equilíbrio universal.
Oferenda a Exu Tata Caveira
Elementos Necessários
1 alguidar médio
Azeite de dendê
1 bife
Cachaça
Farinha de milho fina
7 charutos
7 velas vermelhas e pretas
1 pano preto
Modo de Preparo
1. Lave o alguidar com cachaça e deixe secar.
2. Forre o interior com o pano preto.
3. Misture a farinha de milho com um pouco de azeite de dendê, usando a mão esquerda, até formar uma farofa levemente úmida.
4. Refogue o bife rapidamente no dendê e coloque-o sobre a farofa.
5. Leve a oferenda ao assentamento, cemitério ou sob uma árvore de sombra nas matas.
6. Despeje cachaça em volta, saudando Exu Tata Caveira.
7. Coloque o alguidar no chão e acenda as sete velas com cuidado, evitando incêndios.
8. Acenda os sete charutos e, a cada um, bafore o fumo enquanto faz seus pedidos ao Exu.
Ponto riscado
Ponto Cantado
🎶
Soltaram um bode preto meia-noite na Calunga,
Soltaram um bode preto meia-noite na Calunga.
Ele correu os quatro cantos, foi parar lá na porteira,
Bebeu marafo com Tata Caveira.
Ele correu os quatro cantos, foi parar lá na porteira,
Bebeu marafo com Tata Caveira.
🎶
Bibliografia Consultada
LOPES, Nei. Dicionário Banto do Brasil. Rio de Janeiro: Pallas, 2003.
MUNANGA, Kabengele. Origem e historicidade do termo Banto. São Paulo: USP, 2008.
CASTRO, Yeda Pessoa de. Falares Africanos na Bahia: Um vocabulário afro-brasileiro. Rio de Janeiro: Topbooks, 2001.
OLIVEIRA, Edson Carneiro. Religiões Negras: Negros Bantos. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1981.
Oferenda para Exu Ganga
Esta oferenda pode ser colocada no assentamento ou na natureza.
Elementos necessários:
Um pulmão
Azeite de dendê
Sete charutos
Sete caixa de fósforo
Sete velas brancas
Carne de porco
Carne de boi
Sete batatinhas pequenas
Um fígado
Um quilo de farinha de mandioca
Um whisky
Um vinho branco
Um vinho tinto
Cachaça
Um pano preto
Um pano vermelho
Sete cravos vermelhos (podendo ser três ou cinco)
Dois pratos grandes de barro.
MODO DE PREPARO – No primeiro prato preparar 3 tipos de padês (farofas), sendo a primeira de dendê, a segunda de cachaça, a terceira de vinho. Coloque por cima um pulmão com dendê, carne de porco crua no dendê, carne de gado crua no dendê e o fígado. Coloque em volta das carnes sete batatinhas assadas no dendê.
No segundo prato deixe milho torrado no dendê (não deixar ficar preto).
Leve para o assentamento ou pode entregar nos cemitérios ou matas, forre o chão com o pano preto e o outro vermelho, coloque os pratos em cima e em volta, despeje um pouco de cada bebida, logo após, coloque ao lado da oferenda, acenda com cada caixa de fósforos uma vela e um charuto, faça seus pedidos e ofereça ao Exu Ganga. Caso não caibam todas as carnes no primeiro alguidar, poderá dividir colocando um pouco das carnes no outro.
Observações: Nesta oferenda pode ser oferecido também um galo preto.
Exu Ganga
A palavra ‘Ganga‘ é uma corruptela da uma palavra africana de origem bantu ‘Nganga‘ que significa feiticeiro. O grupo de seres comandos pelo Exu Ganga são antigos feiticeiros africanos que lutaram contra as imposições do Cristianismo, alguns acreditsm que ao longo desta luta estes espíritos de obscureceram.
A forma de aparição desta entidade é com uma roupagem cinza e preta, a sua presença costuma ser notada pelo forte cheiro de carne podre. Os trabalhos para este Exú são feitos exclusivamente nos cemitério, seja para o bem ou para o mal, podendo o mesmo curar ou matar, conforme a solicitação.
Cabalisticamente é conhecido pelo nome de Damoston, ocupando a posição de quinto comandado do Exu da Meia-Noite, possui alto poder maléfico e não permite traições.
Exu Ganga consegue curar pessoas de doenças desconhecidas, além de ter um alto conhecimento sobre plantas, pós e encantamentos.
PONTO CANTADO
Se você ver um vulto na mata, bebendo sangue no pé do maricá (bis)
A cobra piando, a coruja vigia, a mata se estraga quando o homem caminha Guia encarnado se apresenta na gira
Seus olhos cor de sangue Exu da cura vem trabalhar Ooo pegou fogo, fogo pegou, Ganga lá no mato eu vou chamar seu Marabô (bis).
PONTO RISCADO
Exu Brasa
Cabalisticamente é conhecido pelo nome de Haristum.
Esta entidade apresenta-se trajando um manto vermelho, forrado de preto. Seu curiador é marafo (cachaça), que costuma poder querer com sumo de pimenta. É a entidade que domina os incêndios e o fogo, nos trabalhos costuma pedir “Fundanga” ou “Fundunga” (pólvora), acendendo a mesma com seu próprio charuto, pois, a explosão há deslocamento, desprendendo-se os “miasmas” (cargas de más influências), purificando o ambiente. Se caso tiver o assentamento desse Exu em um local para culto, é bom ter ao lado, quando for presenteá-lo, uma panela de barro ou de ferro com um braseiro feito de pequenas pedras de carvão. Levando até mesmo o presente para as ruas, logo após as brasas apagarem.
Este Exú é o segundo comandado de Exu Caveira. E como podemos pensar, ele tem um total e completo domínio sobre o fogo e a pólvora. Quero salientar que é normal na Quimbanda, os praticantes ingerirem gasolina, andar em brasas de fogo, beber diversas garrafas de marafo sem ficarem bêbados, isto são demonstração de coragens e provas de teste que o espírito realmente está presente.
PONTO CANTADO
Eu vi um caldeirão ferver, é o Exu Brasa que acabou de chegar
Girando e dominando o fogo, da sua morada ele acaba de chegar Exu Brasa é um Exu do Fogo, tudo transforma também pode aniquilar
No calor das chamas saúdo suas forças Laroyê Iná Iná Mojubá
Eu vi um caldeirão ferver, é o Exu Brasa que acaba de chegar Girando e dominando o fogo, da sua morada ele acaba de chegar
Exu Brasa é um Exu do Fogo, tudo transforma também pode aniquilar No calor das chamas saúdo suas forças
Laroyê Iná Iná Mojubá Eu vi um caldeirão ferver, é o Exu Brasa que acaba de chegar
Girando e dominando o fogo, da sua morada ele acaba de chegar Exu Brasa é um Exu do Fogo, tudo transforma também pode aniquilar No calor das chamas saúdo suas forças
Laroyê Iná Iná Mojubá
Esta cantiga usamos depois de saudar o Maioral, para que o Exu Brasa traga força nas chamas de nosso caldeirão.
PONTO RISCADO
Trabalho prático para ativar, movimentar o seu dia a dia; para ajudar a acelerar e desembaraçar causas na justiça
Esta magia é voltada ao Exu Brasa e pode ser entregue em assentamento ou na natureza.
Elementos necessários:
Um alguidar pequeno
Um pedaço de pano marrom
Um bife cru de carne bovina
Vinho doce
Sete brasas de carvão, bem acesas
Azeite de oliva
Cachaça.
MODO DE PREPARO – ponha as brasas acesas dentro do alguidar, acrescente um pouco do vinho e da cachaça por cima, com extremo cuidado. Regue com azeite de oliva e coloque o bife. Cubra tudo com o pano marrom e entregue em uma encruzilhada de terra, chamando pelo Exu Brasa. Regue ao redor com o restante da cachaça e fazendo seus pedidos.