Dúvidas sobre apadrinhamentos
Na Umbanda e na Quimbanda, existe uma prática completamente comum chamada apadrinhamento. Apesar de ser algo bastante presente nessas religiões, ainda há muitas dúvidas sobre o tema. Por esse motivo, nossa equipe decidiu responder a essa pergunta que recebemos com frequência, por meio de uma explicação clara, objetiva e sem rodeios.
O apadrinhamento se refere ao ato de alguém passar a cuidar, orientar ou zelar por outra pessoa, além das figuras tradicionais de pai e mãe. Trata-se de alguém que não nasceu com essa responsabilidade, mas que, em determinado momento, passou a assumi-la. De forma geral, podemos dividir o apadrinhamento em quatro categorias, conforme explicado a seguir.
Apadrinhamento Religioso
O apadrinhamento religioso ocorre quando uma pessoa entra para uma tradição espiritual e passa a ser regida pela entidade chefe da casa. Ou seja, embora o médium possua suas próprias entidades, aquela entidade principal passa a oferecer suporte, orientação e apoio religioso, além de transmitir ensinamentos.
Essa prática é bastante comum em algumas famílias de Quimbanda, nas quais o praticante mantém suas entidades pessoais, mas, ao ser aceito naquela família tradicional, a entidade chefe do terreiro passa a tomar conta e reger espiritualmente essa pessoa.
Apadrinhamento Ritualístico
O apadrinhamento ritualístico acontece quando alguém que não pertence a determinada religião ou tradição passa, por algum motivo específico, a ser regido temporariamente por uma entidade. Isso ocorre com frequência em trabalhos espirituais e práticas mágicas que exigem acompanhamento contínuo.
Um exemplo comum é quando uma mulher procura uma sacerdotisa por estar enfrentando problemas amorosos. Durante o ritual, a sacerdotisa invoca uma Pomba Gira que, por decisão própria ou em decorrência do trabalho realizado, assume a responsabilidade de ajudar aquela pessoa em sua vida afetiva. A partir desse momento, tudo o que envolver o campo amoroso poderá ser direcionado àquela mesma entidade, que tomou para si essa missão.
O apadrinhamento ritualístico não costuma ser permanente. Quando ocorre por meio de acordos ou magias específicas, ele pode durar apenas até que o objetivo seja plenamente alcançado. Caso a pessoa apadrinhada passe a agir com desrespeito ou ingratidão em relação à entidade, o auxílio concedido pode ser retirado, havendo inclusive abandono temporário ou definitivo.
É importante lembrar que Exus e Pombagiras possuem polaridades positivas e negativas, além de comportamentos muito semelhantes aos humanos, sendo capazes de sentir alegria, raiva, afeição ou desapontamento.
Apadrinhamento Espiritual
O apadrinhamento espiritual ocorre quando, por devoção, afinidade ou amizade, uma entidade decide espontaneamente cuidar e ajudar determinada pessoa. Esse vínculo pode surgir por afeto, identificação ou até mesmo admiração mútua.
Há também casos de consagrações em que a entidade passa a reger a pessoa, algo bastante comum na Umbanda, especialmente durante rituais como os batismos.
Na maioria das vezes, o apadrinhamento espiritual não exige rituais formais ou iniciações religiosas. Ele se estabelece de maneira natural, a partir da relação de amizade e respeito entre a pessoa e a entidade.
Existem casos de pessoas que não incorporam ou “carregam” determinada entidade, como Zé Pelintra, mas que, devido à devoção e ao respeito demonstrados, passam a ser apadrinhadas pela entidade de outra pessoa, que assume simbolicamente a função de padrinho espiritual.
Apadrinhamento Humano
Além do apadrinhamento que ocorre diretamente com as entidades espirituais, existe também, dentro da Umbanda e da Quimbanda, o apadrinhamento humano. Esse tipo de apadrinhamento acontece quando uma pessoa é iniciada por um sacerdote ou sacerdotisa, mas recebe apoio, orientação e auxílio direto de outro membro mais experiente da casa, que esteve presente nos preparativos, rituais e no processo inicial daquela caminhada espiritual.
Esse auxiliar pode ser considerado um padrinho ou madrinha humana, embora essa prática não seja adotada por todos os terreiros ou famílias religiosas. Trata-se de um costume que varia bastante conforme a região, a tradição e a hierarquia da casa.
Em alguns lugares, por exemplo, na Umbanda, existem figuras bem definidas como o Zelador ou Pai de Santo e o Pai Pequeno, que auxilia tanto o sacerdote quanto os filhos da casa. Já na Quimbanda, é comum a presença do Mestre e do Grão-Mestre, responsáveis por orientar e sustentar o desenvolvimento dos iniciados.
Em outras tradições espirituais, como no Neo-Xamanismo, utiliza-se diretamente o termo “padrinho” para se referir àquele que consagrou a pessoa no caminho ancestral e auxiliou em seu ponto de partida espiritual.
Independentemente do nome ou da estrutura adotada, o apadrinhamento humano representa apoio, responsabilidade, orientação e compromisso com o crescimento espiritual daquele que está iniciando sua jornada.


